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“12 por 8” já não é mais o ideal: novas diretrizes mudam conceito de pressão normal

A reclassificação da pressão arterial traz foco na prevenção e mostra que cuidar do coração depende de hábitos diários

Foto: Pexels

Por muito tempo, ter pressão “12 por 8” foi considerado o ideal. Mas, segundo novas diretrizes da Sociedade Europeia de Cardiologia, esse valor passa a ser visto como “pressão arterial elevada”, e o parâmetro de normalidade agora é 12 por 7 (120/70 mmHg). As mudanças, apresentadas durante o Congresso Europeu de Cardiologia, em Londres, buscam reforçar uma abordagem mais preventiva no cuidado com o coração.

Doutor Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista especializado em hipertensão arterial do Hcor. Foto: Arquivo Pessoal

De acordo com o Dr. Celso Amodeo, cardiologista e nefrologista especializado em hipertensão arterial do Hcor, a nova classificação não é exatamente nova, mas enfatiza algo que já vinha sendo observado na prática clínica. “Acima de 120 por 80 e abaixo de 140 por 90, consideramos o paciente pré-hipertenso, principalmente quando está acima de 130 por 80”, explica.

O especialista observa que, nesse intervalo, é preciso olhar além dos números. “Acima de 120 por 80, avaliamos se o paciente tem outros fatores de risco, como histórico familiar de hipertensão, acidente vascular cerebral, insuficiência renal ou morte súbita. Esses casos merecem acompanhamento mais próximo e medidas de prevenção”, completa.

Da fotografia ao filme da pressão arterial

O monitoramento da pressão no consultório é apenas uma parte do diagnóstico. Para uma avaliação mais completa, o Dr. Amodeo recomenda o exame de MAPA (monitorização ambulatorial da pressão arterial), que registra as variações ao longo de 24 horas.

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“A pressão medida no consultório é uma fotografia. A pressão ao longo do dia é o filme. É assim que conseguimos identificar, por exemplo, se a pressão cai quando o paciente dorme ou se há uma elevação exagerada pela manhã, ambos fatores de risco cardiovascular”, explica.

Além do MAPA, a investigação deve incluir a busca por danos em órgãos-alvo, como retina, coração, rins e cérebro. “A reclassificação é uma forma de prevenir esses danos antes que se tornem irreversíveis”, reforça o cardiologista.

Mais pessoas passam a ser consideradas hipertensas?

Apesar da mudança, o Dr. Amodeo esclarece que os critérios para o diagnóstico de hipertensão não se alteraram, a doença continua sendo definida por valores iguais ou superiores a 140 por 90 mmHg (14 por 9).

“Não são considerados hipertensos abaixo de 120 por 80. Entre 120 e 139, falamos em pré-hipertensão. Tratar ou não vai depender da presença de fatores de risco e de lesão em órgãos-alvo. Se houver sinais de risco, é necessário mudar o estilo de vida de forma imediata e, em alguns casos, iniciar o uso de medicamentos. Há fortes evidências de que essas medidas previnem eventos cardiovasculares”, declara.

Estilo de vida: a base do controle da pressão

A pressão arterial é sensível a fatores como estresse, sono e alimentação. Por isso, o controle depende de hábitos saudáveis desde cedo.
O modo como se vive, desde a infância, impacta no desenvolvimento da hipertensão. Manter atividade física, cuidar do peso e evitar alimentos ricos em sal e gordura são atitudes essenciais.

Segundo o médico, a maior parte do sal consumido vem dos alimentos industrializados. “Cerca de 75% do sal que ingerimos está nos alimentos processados: pães, queijos, embutidos, enlatados. O sal que colocamos no preparo da comida representa apenas 6% do total”, alerta.

Foto: Pexels

Outro ponto importante é o sono. O uso de telas antes de dormir pode atrapalhar o descanso e aumentar a pressão. “É fundamental desligar a TV e o celular pelo menos uma hora antes de deitar. Mesmo que a pessoa ache que dorme, o sono não é profundo, e isso interfere diretamente no controle da pressão arterial”, ressalta.

Quadros de ansiedade e depressão também estão ligados ao aumento da pressão e devem ser acompanhados por profissionais de saúde.

Foto: Pexels

Olhar preventivo

Na prática, a nova classificação traz um alerta: valores acima de 12 por 8 merecem atenção, especialmente quando há histórico familiar ou outros fatores de risco.

“O resultado não significa, por si só, doença. Mas indica que algo precisa ser investigado. É a chance de agir antes que a hipertensão se instale”, conclui o Dr. Amodeo.

 

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