Em "As feridas da criança interior – Os fantasmas do castelo e o monstro da masmorra" (Paulinas Editora, 112 páginas, R$ 34,50), a autora traça uma analogia inédita entre elementos das histórias infantis e as dissonâncias cognitivas e afetivas que impedem a pessoa adulta de exercer sua integralidade. A obra parte da premissa de que as feridas emocionais deixadas por figuras de autoridade, rejeição, bullying e traumas podem ser ressignificadas — transformando-se em cicatrizes, marcas de um processo de cura que já sarou .
O livro está estruturado em quatro capítulos que correspondem a "ambientes mentais". Em "Os fantasmas", a autora aborda as figuras parentais e de autoridade que, materializadas pelo medo, continuam assombrando o sujeito adulto — que, por sua experiência, deveria saber que fantasmas não existem. "O castelo" trata das idealizações e devaneios que mantêm a pessoa cativa em mágoas quando sonhos não realizáveis são preservados, explorando crenças limitadoras, autoconceito e a síndrome do impostor.
A parte mais instigante vem com "O monstro", em que a autora revela que o algoz que mantém a criança interior cativa não é outro senão o próprio sujeito — o adulto ressentido, sem esperança, estacionado no passado e sem responsabilidade afetiva, que negligencia a dor de sua criança interior e adoece. "A masmorra", por fim, retrata o lugar socialmente aceito que enfraquece as mentes: vícios em distrações, vida acelerada, consumismo e o consequente vazio existencial — um convite a resgatar a importância de brincar e manifestar afeto.
A obra fundamenta-se em teóricos da Psicologia e da Pedagogia, como Winnicott, Henry Wallon, Maria Montessori, Anna Freud, Paulo Freire, Helen Bee e Erich Fromm. O objetivo final é que o leitor atravesse esses ambientes mentais para espantar os fantasmas, reconhecer e corrigir o monstro, reformar e decorar o ambiente e, principalmente, libertar a criança interior — ressignificando vivências por meio da expressão artística, criatividade, brincadeira, contemplação da natureza e estreitamento de vínculos. Um convite à tomada de consciência que, exercitada com atenção e dedicação, garante que os fantasmas não voltem a assombrar o castelo nem a criança retorne à masmorra.
Sobre a autora - Aline Pereira de Paula
Professora, psicanalista, teóloga, especialista em ludopedagogia e pós-graduada em arteterapia. Escreve contos, ensaios, crônicas e literatura infantil. Procura sempre aliar seus conhecimentos em psicanálise e educação, pois esses saberes são referências no uso de técnicas e teorias que valorizam o desenvolvimento humano. Sua prioridade é auxiliar o protagonismo das pessoas, evitando propositadamente a construção de textos rebuscados, para que o leitor não encontre obstáculos na construção do conhecimento acerca dos temas que apresenta, em que a saúde mental é o alvo.
O livro está disponível nas Paulinas Livrarias de todo o Brasil, no site paulinas.com.br, pelo 0800 70 100 81 ou pelo WhatsApp (11) 97204-2814.

