
Capa do single “Somos Peregrinos de Esperança”. Arte: Juliene Barros
Há canções que nos levam a experimentar o Reino de Deus entre nós. É o caso de “Somos peregrinos de esperança”, o novo single de Ir. Verônica Firmino, fsp, interpretado pelo grupo Cantores de Deus. Uma composição que reúne dois elementos para a nossa caminhada: oração e impulso. Um convite a andar com fé, confiando no Deus que já semeia o céu entre nós.
Uma música que ainda destaca: o povo de Deus não está sozinho na travessia. Como diz a letra, seguimos “ancorados no Cristo” e com "a luz do Santo Espírito a nos iluminar". Em tempos de incerteza, guerras e tantos desafios, a canção se ergue como um hino de esperança ativa e fraterna e com Nossa Senhora mostrando a diferença.
O que é ser peregrino de esperança?
Mais do que um bonito título, essa expressão guarda um profundo significado. “Somos peregrinos de esperança” proclama que “a Terra é nossa casa que o Pai do céu nos deu” e que os cristãos são convidados a viver em comunhão. Um chamado a viver a esperança não como fuga, mas como ação transformadora.
Irmã Verônica recorda, de igual modo, as palavras do Papa Francisco, ao proclamar o ano santo. O santo padre lembrava que o mundo saía de uma pandemia, com muita gente a ter abaladas a sua fé e esperança. Com isso, “para nós cristãos, esperar não é algo passivo, mas é ‘esperar contra toda a esperança’, como fez Abraão. Já somos, por natureza, peregrinos, pois estamos, nessa vida, de passagem. Não podemos ficar apáticos, mas somos chamados a viver de esperança, na esperança e com esperança”, afirma a religiosa.
Na letra, ecoa também a missão de sermos “fraternos guardiões do amor e da paz”, pois “novos céus e nova Terra nós podemos alcançar”. A música une, assim, fé e compromisso concreto com a justiça, o perdão e a fraternidade universal.
Inspirada por uma espiritualidade encarnada, a canção reflete sobre o papel do cristão no mundo e traz a questão: qual a diferença entre a expectativa humana e a esperança cristã?

Cantores de Deus. Foto: Juliene Barros
Esperança: expectativa ou virtude?
Nessa perspectiva de conquistar a pátria celeste, o single “Somos peregrinos de esperança” não fala de uma ilusão ou de uma simples expectativa, ou desejo de conquistar algo. A compositora lembra a âncora presente no logotipo do Jubileu, que simboliza o povo de Deus ancorado na esperança, que é o próprio Jesus: “Ainda que não tenhamos confirmação do que virá pela frente, nós confiamos! Nossa fé está fundada em Cristo e na Palavra de Deus”.
Na tradição cristã, a esperança é uma das virtudes teologais. Não é acessório da fé, porém é parte do seu núcleo. Por isso, a canção também se torna um espelho da nossa identidade: somos peregrinos, sim, mas peregrinos de esperança. Um chamado a dar testemunho, além do medo, a uma sociedade que tem vivido no desespero, crise de sentido e de valores, enfatiza a religiosa ao desejar que todos se empenhem na construção de um novo mundo: “O Reino já está entre nós! Isto não é uma utopia. Cada um pode fazer a sua parte na família, no trabalho ou na paróquia”.
Irmã Verônica Firmino, fsp, explica também que cada uma das virtudes teologais - fé, esperança e caridade - não se vive sozinha, mas de forma integrada, seja ao levar a confiança em Cristo aos outros ou no exercício da solidariedade, caminho até o céu e cuidado com a terra, a nossa casa comum. Isto é, um caminho de não pensar apenas nesta geração atual, porém naqueles que vão herdar os bens do planeta.
“Tudo isso significa uma oportunidade de construir a paz, que não é apenas ausência de guerras. Contudo, a paz em nossa realidade, na família e em grupos que se digladiam por tão pouca coisa e preconceitos. O mundo precisa da cultura do diálogo e que sejamos fraternos guardiões da fé, da esperança, do amor”, enfatiza a religiosa ao mencionar a necessidade de respeito entre culturas, religiões e línguas.
“Somos peregrinos de esperança” torna-se, portanto, um caminho orante e comprometido para quem acredita que o Reino de Deus já pode florescer entre nós, numa grande sinfonia de oração, justiça e perdão.
Com uma melodia envolvente, os arranjos são assinados por Luiz A. Karam. A produção artística e musical é da própria compositora e participam, nos vocais, Renato Palão e Quirino Filho. A mixagem, masterização e gravação de voz são de Alexandre Soares; e a assistência de estúdio de Vanderlei Pena.
