
Foto: Vatican Media
O Papa Leão XIV assumiu o pontificado da Igreja com claros apelos à justiça social e à proteção do meio ambiente, ao serviço da caridade e ao diálogo inter-religioso, com o desejo de dar continuidade à missão do Papa Francisco, em um mundo em constante mudança. O nome escolhido, Leão XIV, é "uma clara referência à Rerum Novarum de Leão XIII", para o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni.
Um mundo reconciliado
No nosso tempo, ainda vemos demasiada discórdia, imensas feridas causadas pelo ódio, pela violência, pelos preconceitos, pelo medo do diferente; por um paradigma econômico que explora os recursos da terra e marginaliza os mais pobres. Com esta constatação, o Papa afirma: “Nós queremos ser, dentro dessa massa, um pequeno fermento de unidade, de comunhão, de fraternidade.
Comunhão com as igrejas cristãs
O ecumenismo aparece na afirmação: “vamos juntos entre nós, mas também com as Igrejas cristãs e irmãs; com aqueles que percorrem outros caminhos religiosos; com quem cultiva a inquietação da busca de Deus; com todas as mulheres e homens de boa vontade — para construirmos um mundo novo, onde reine a paz”.
Uma Igreja missionária
Leão XIV tem um olhar missionário amplo: “Somos chamados a oferecer a todos o amor de Deus, para se realizar aquela unidade que não anula as diferenças, mas valoriza a história pessoal de cada um e a cultura social e religiosa de cada povo.”
“Com a luz e a força do Espírito Santo, construamos uma Igreja fundada no amor de Deus — dom de unidade. Uma Igreja missionária, que abre os braços ao mundo, que anuncia a Palavra, que se deixa inquietar pela história e se torna fermento de concórdia para a humanidade”.
Nos passos de Francisco
O pontificado de Leão XIV continuará o processo de reforma da Igreja, iniciado por Francisco, com foco na sinodalidade e na busca por uma Igreja mais acolhedora e misericordiosa. Para isto, deseja-se “que sejamos capazes de superar fronteiras e ideologias, capazes de olhar o outro com os olhos do coração, reconhecendo em cada pessoa uma dignidade inviolável”.

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Fortes e concretos apelos à Paz
Leão XIV tem feito apelos pela paz em diversas situações de conflito, como na Ucrânia e em Gaza, e tem enfatizado a necessidade de superar o comércio de armas.
Pela primeira vez, desde o início de seu pontificado, o Papa se dirigiu à FAO - "Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura" (Food and Agriculture Organization), na 44ª Conferência da organização.
Dirigiu-se ao Diretor-Geral da entidade, Qu Dongyu, e às delegações presentes. Em tom direto e pastoral, o Papa alertou para o agravamento da insegurança alimentar global e cobrou respostas urgentes e concretas: “A tragédia persistente da fome e da má nutrição é ainda mais triste e vergonhosa quando nos damos conta de que, embora a Terra tenha capacidade para produzir alimentos suficientes para todos, tantos pobres continuam sem o pão nosso de cada dia.”
Um dos pontos centrais da mensagem papal foi a denúncia do uso sistemático da fome como instrumento bélico. “Matar de fome a população é uma forma muito barata de fazer guerra”, declarou Leão XIV.
Mudanças climáticas
Para o Papa, é necessário repensar os modelos de desenvolvimento com base na ecologia integral e na justiça social, assegurando que a alimentação seja um direito de todos, e não um privilégio de poucos.
Outro aspecto relevante nas considerações de Leão XIV é o alerta sobre a relação entre crise climática, sistemas alimentares e pobreza. O Papa destaca que sem ação climática coordenada e decidida, será impossível alimentar uma população global em constante crescimento.
Em comunicação, construir pontes e redes
No final da Missa do dia 23 de julho, o Papa Leão falou das redes dos pescadores, utilizadas pelos primeiros apóstolos, para exortar os influenciadores digitais a construírem “redes de amor”.
“Redes onde se possa consertar o que está partido, onde se possa curar a solidão, sem se importar com o número de seguidores, mas experimentando em cada encontro a grandeza infinita do Amor. Redes que deem espaço ao outro mais do que a nós mesmos, onde nenhuma ‘bolha de filtros’ possa apagar a voz dos mais fracos. Redes que libertem, que salvem. Assim, cada história de bem compartilhada será o nó de uma única e imensa rede: a rede de Deus. Como agentes de comunhão, quebramos a lógica da divisão e da polarização; do individualismo e do egocentrismo. Cristo no centro vence a “lógica do mundo, as fake news e a frivolidade, com a beleza e a luz da Verdade”.
