
O casal Egídio e Ana Lher Caovilla: 72 anos de casamento. Foto: Arquivo pessoal
Em tempos de relações cada vez mais rápidas, a história de Egídio Caovilla, 93 anos, e Ana Lher Caovilla, 91, parece desafiar o relógio. No dia 24 de abril de 2026, eles completaram 72 anos de casamento, uma caminhada construída entre trabalho, fé, respeito e uma escolha diária de permanecer juntos.
A história começou de maneira simples, como tantas histórias do interior. Egídio foi a um baile na comunidade onde Ana morava. No dia seguinte, acompanhando o irmão dela, ajudou a carregar um caminhão de areia destinado à construção de uma igreja. Foi durante aquela viagem que os dois conversaram pela primeira vez. A simpatia logo virou namoro.
Os encontros eram bem diferentes dos atuais. Aconteciam apenas aos domingos, durante o dia, sempre na casa dos pais de Ana e na presença da família. Para Egídio, a beleza morena de Ana chamava a atenção. Para ela, o que encantava era o jeito sério e trabalhador do rapaz, além da confiança transmitida por uma família conhecida e respeitada.
Ao longo das décadas, os desafios não foram poucos. Houve tempos de escassez, quando conforto era um luxo distante e tarefas como lavar roupas no rio faziam parte da rotina. Mas eles guardam desse período uma lição valiosa: a felicidade não dependia daquilo que faltava.
"Tínhamos poucos recursos, mas não éramos infelizes por isso. Qualquer coisa a mais que chegava já era motivo de alegria", recordam.

Foto: Arquivo pessoal
Questionados sobre as brigas, respondem com a simplicidade de quem aprendeu que o amor exige renúncia: foram poucas, e quase sempre resolvidas pelo perdão.
Com o passar dos anos, o sentimento amadureceu. O amor dos primeiros tempos deu espaço a um companheirismo profundo. Hoje, um evita sair para não deixar o outro sozinho. O cuidado mútuo tornou-se uma linguagem silenciosa construída ao longo de sete décadas.
Entre tantas lembranças, eles guardam com carinho os momentos simples após as tarefas do dia, quando podiam ficar juntos enquanto os filhos estavam na escola. Pequenos instantes que, sem perceber, se transformaram nos alicerces de uma vida inteira.
Para o casal, os pilares dessa união são claros: respeito, amor, fé, paciência e compreensão. Valores cristãos, diálogo e dedicação à família seguem orientando seus passos.
Talvez o maior fruto dessa história seja justamente a família que construíram. São cinco filhos, onze netos e dez bisnetos que representam a continuidade de um legado de afeto e união.

Foto: Arquivo pessoal
A alegria que mais emociona Egídio e Ana não está nas conquistas materiais, mas em olhar ao redor e ver a família reunida, saudável e em paz. Por isso, todos os dias, eles rezam o terço em agradecimento pelas bênçãos recebidas ao longo da vida.
Quando perguntados sobre o segredo para permanecerem juntos por tanto tempo, a resposta vem sem fórmulas complicadas. "Companheirismo. Um sente falta do outro. O cuidado que um tem pelo outro. O apoio de cada dia. Somos o porto seguro um do outro".
Em uma época marcada pela pressa e pela busca constante de novidades, a história de Egídio e Ana lembra que o amor duradouro talvez tenha menos a ver com grandes declarações e mais com a decisão cotidiana de caminhar lado a lado. Uma escolha renovada dia após dia, durante 72 anos.
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