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O Tempo Pascal se estende como um único grande dia de festa. Iniciado na noite da Páscoa, ele prolonga na vida da Igreja a alegria da Ressurreição, convidando os fiéis a habitar, com profundidade, o mistério celebrado.
Nesse tempo, a Palavra de Deus ocupa um importante lugar na ação litúrgica. Proclamadas na assembleia, as Sagradas Escrituras recordam as aparições do Ressuscitado e tornam presente sua ação no hoje da comunidade. Os Evangelhos conduzem os fiéis pelos encontros com Cristo vivo: no jardim, no caminho, à beira do lago, no cenáculo. Em cada relato, o Ressuscitado se deixa reconhecer de modos sempre novos, educando o olhar da fé para um amadurecimento profundo.
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A primeira leitura, tomada dos Atos dos Apóstolos, revela como essa presença transforma a vida da Igreja nascente. A Palavra, acolhida e anunciada, gera comunhão, sustenta a missão e abre caminhos em meio aos desafios. Assim, o que foi vivido pelos primeiros discípulos se torna, na liturgia, Palavra dirigida à Igreja de hoje, convocando-a ao testemunho.
Os salmos responsoriais continuam a dar voz à assembleia, que responde à Palavra com alegria pascal. Neles, o louvor se torna insistente, a confiança se renova e a ação de graças se expande, como expressão de um coração que reconhece as maravilhas de Deus.
As leituras que seguem, especialmente escolhidas das cartas apostólicas, aprofundam o sentido de uma vida nova, pois nelas a Ressurreição é apresentada como princípio de uma existência transformada a partir do Cristo: viver como ressuscitados, buscar as coisas do alto (cf. Cl 3,1), deixar-se conduzir pelo Espírito.

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O Tempo Pascal é, por excelência, o tempo de aprofundamento dos sacramentos celebrados na Vigília Pascal e tudo isso se insere numa dinâmica mistagógica. Os neófitos são introduzidos no mistério que receberam, e toda a assembleia é chamada a redescobrir a graça do Batismo e a centralidade da Eucaristia.
A Palavra proclamada e rezada ilumina essa experiência, ajudando a reconhecer a presença do Ressuscitado na vida concreta. Na Liturgia Eucarística, essa presença se torna plena, porque o Cristo vivo se oferece como alimento e reúne a comunidade em torno de sua mesa. Como os discípulos de Emaús (Lc 24,30-31), a Igreja aprende a reconhecê-lo ao partir o pão.
Celebrar o Tempo Pascal é, dessa forma, deixar-se formar por essa Palavra que anuncia a vida nova e sustenta a esperança. Ao longo desses cinquenta dias, a Igreja aprende a viver como comunidade ressuscitada, testemunhando na história a luz da vida que venceu a morte.
Karoline Menezes é teóloga, doutoranda no Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Católica de Pernambuco. Mestre em Teologia pelo Programa de Pós-graduação em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco. Integrante do Instituto Humanitas UNICAP e da Comissão Regional de Liturgia da CNBB NE2.
Contato: [email protected]
Referências
A Bíblia. São Paulo: Editora Paulinas (1ª ed.), 2023.
CNBB. Instrução Geral do Missal Romano e Introdução ao Lecionário. Brasília: Edições CNBB, 2011.
Lecionário Dominical A-B-C. Tradução portuguesa da 2ª edição típica para o Brasil pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. São Paulo: Edições Loyola, 1995 (Missal Romano, I).
PAULO VI. Constituição conciliar Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. São Paulo: Paulinas, 2002.
