
Foto: Arquivo da Família Frassati (Roma), gentilmente cedido ao Apostolado de São Pier Giorgio Frassati no Brasil
No primeiro artigo, conhecemos o jovem e santo de Turim, dedicado aos pobres, aos amigos, aos estudos, às montanhas e à oração. Mas como era sua família? O que acontecia dentro de casa?
Uma família real
Pier Giorgio era filho de Adelaide Ametis, pintora, e de Alfredo Frassati, influente jornalista e político, proprietário e diretor do jornal La Stampa. Em 1901, nasceu Pier Giorgio; no ano seguinte, em 1902, nasceu Luciana. Seu pai era agnóstico, enquanto sua mãe era católica “de berço”. A fé recebida na infância, por meio de sua avó materna, Linda Ametis, amadureceu profundamente e se tornaria o fundamento de sua vida.
Entre os laços familiares, a relação com Luciana ocupa um lugar especial. Os dois foram educados juntos e, apesar das diferenças de personalidade, construíram um forte vínculo. Luciana foi descrita como sua “inseparável companheira de jogos e de estudos”.
A proximidade da infância transformou-se em uma amizade profunda. Isso ficou especialmente claro em 1925, quando Luciana se casou e deixou a casa da família. Pier Giorgio escreveu a um amigo, celebrando a felicidade da irmã, mas sentindo a dor da separação. Chamou-a de:
“Minha única irmã, companheira da minha infância.” — Pier Giorgio Frassati, carta a Marco Beltramo, 25 de janeiro de 1925.
A distância, porém, não rompeu o vínculo entre os dois. Ao escrever à irmã e lamentar que não poderiam celebrar a Páscoa juntos, encontrou na fé uma maneira de permanecer próximo: “Se este ano infelizmente não podemos fazer juntos materialmente, espiritualmente sim.”
O amor que se aprende em casa
Em casa, Pier Giorgio aprendeu o exercício diário de amar pessoas concretas: com suas diferenças, temperamentos, alegrias e dificuldades. Foi ali, entre os pais e a irmã, que sua humanidade foi formada.
Suas cartas mostram que esses vínculos não ocupavam um lugar secundário em sua vida. À Luciana, demonstrava carinho e saudade. À mãe, escrevia com afeto e reconhecimento. Em uma carta de 1922, recordou que seus conselhos eram sempre sábios, pediu perdão pelos pequenos desgostos que havia causado e afirmou que pensava nela e rezava por ela.
São gestos simples. Mas é justamente nos gestos simples que o amor se torna concreto.

Pier Giorgio e Alfredo Frassati. Foto: Arquivo da Família Frassati (Roma), gentilmente cedido ao Apostolado de São Pier Giorgio Frassati no Brasil
Neste ano, a Semana Nacional da Família teve como tema: “Família, torna-te aquilo que és!”, e essa história ganha um significado ainda mais especial. O amor familiar se constrói na convivência, na paciência, no perdão, na saudade, na oração e no cuidado de cada dia.
A família Frassati não foi perfeita. E talvez seja justamente por isso que sua história fale tão profundamente às famílias de hoje. Seu “Verso l’Alto” começou dentro de casa: no amor pelos pais, mesmo em meio às humilhações que sofreu por causa de suas limitações e às expectativas de dar continuidade ao trabalho do pai; na amizade com a irmã, e os seus.
A santidade não o afastou das relações humanas. Ao contrário: foi nelas que ele aprendeu a amar com mais verdade.
No próximo mês...
Continuaremos nossa jornada pela vida de São Pier Giorgio Frassati, olhando para sua capacidade extraordinária de animar os desanimados: sua amizade, sua alegria e como sabia estar próximo de quem mais precisava.
Layla Kamila, membro do Apostolado de São Pier Giorgio Frassati. Desde 2012, dedica-se à difusão da vida, espiritualidade e legado do santo por meio de iniciativas de evangelização. Siga: @saofrassati
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