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Na medida em que as populações atingem uma faixa etária mais avançada, amplia-se o desejo por melhores condições de vida e acesso aos avanços da ciência no âmbito da medicina, dos medicamentos, dos exercícios físicos, da alimentação sadia e mais saborosa, das novas mídias sociais, de conhecimentos atualizados, da participação em grupos de convivência e de trabalho, bem como de novas experiências em assuntos considerados tabus no passado, como o da própria sexualidade.

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Mais do que nunca, observa-se que ser pessoa idosa não é um aspecto meramente biológico, mas envolve questões sociais que atravessam fronteiras.
Segundo Neri (2019, p. 135), “o envelhecimento é também um processo sociológico que marca a mudança em status e em papéis sociais”. Essa compreensão sociocultural do envelhecimento permite reconhecer que a velhice não constitui uma experiência homogênea.
Embora o aumento da longevidade tenha ampliado as possibilidades de um maior número de pessoas ultrapassarem os oitenta e até noventa anos, nem todas as pessoas envelhecem sob as mesmas condições sociais adequadas, o que torna a velhice uma experiência plural e marcada por desigualdades.
Além disso, torna-se cada vez mais exigente superar ideologias e práticas preconceituosas que reproduzem o idadismo e contribuem para a exclusão social dos idosos e idosas.
Também é necessário que as pessoas idosas trabalhem (pessoalmente e em grupo) a autoestima, na perspectiva de superar os preconceitos etários que carregam dentro de si, os quais foram sendo incorporados ao longo da vida.

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Nessa perspectiva, Alexandre Kalache (2005, p. 137), médico geriatra e um dos responsáveis pela formulação do conceito de “envelhecimento ativo”, afirma: “Pesquisas mostram que a forma como encaramos a velhice impacta nosso corpo até o nível celular: crenças negativas aumentam a vulnerabilidade a doenças, enquanto atitudes positivas ampliam a longevidade e o bem-estar”.
Isso demonstra como a autopercepção sobre o envelhecimento influencia diretamente a própria saúde física e mental. O etarismo internalizado pelos idosos e idosas leva-os a incorporar ideias e atitudes negativas sobre a sua própria idade. Esse processo pode reduzir a autoestima, a participação social e a confiança em suas capacidades, produzindo impactos significativos na qualidade de vida.
O etarismo é uma das formas de discriminação social e está presente de muitos modos: nas relações familiares, no mercado de trabalho, nos serviços de saúde, nos meios de comunicação e até mesmo nas políticas públicas.
Perceber o envelhecimento como uma conquista civilizatória implica reconhecer que o aumento da longevidade representa uma das mais importantes transformações demográficas e sociais da contemporaneidade.
Nesse contexto, ser uma pessoa idosa hoje significa vivenciar uma etapa da vida marcada por potencialidades, desafios e possibilidades diversas, que não podem ser reduzidas a critérios cronológicos ou a concepções estereotipadas da velhice.

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O envelhecimento não se inicia na velhice, mas acompanha todo o percurso existencial dos indivíduos. Nessa direção, Simone de Beauvoir (2018, p. 14) afirma que "a velhice não é um fato estático; é o resultado e o prolongamento de um processo", ressaltando que a velhice não pode ser compreendida como um acontecimento repentino, mas como uma construção que se desenvolve ao longo da vida e é influenciada pelas circunstâncias históricas, sociais e culturais.
Sem dúvida, as pessoas idosas são vocacionadas a desempenhar um papel relevante na sociedade contemporânea. Muitas permanecem ativas no mercado de trabalho, participam de movimentos sociais, atuam em atividades voluntárias, compartilham saberes entre gerações e exercem funções essenciais no apoio às famílias e comunidades.

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Longe de representar um grupo passivo, a população idosa constitui um segmento social diverso, capaz de produzir conhecimentos, fortalecer vínculos sociais e contribuir para a construção de uma sociedade mais inclusiva e solidária.
Referências
BEAUVOIR, Simone. A velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2018.
KALACHE, Alexandre. A revolução da Longevidade. São Paulo: Vestígio, 2025.
NERI, Liberalesso Anita. Palavras Chaves em Gerontologia. Campinas: Alínea, 2019.
João Luiz Correia Júnior tem doutorado em Teologia pela PUC-RIO e é pós-doutor em Ciências da Religião pela UNICAP. Ultimamente, tem pesquisado sobre questões do envelhecimento, chegando a organizar dois e-books: “Dicas Profissionais para o Envelhecimento Saudável” (2025) e “Sexualidade no Envelhecimento” (2025), por Edições Humanitas, da Universidade Católica de Pernambuco: portal.unicap.br/ihu
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