Artigos
Artigos

A Sinodalidade da Doutrina Social da Igreja

Foto: Magnific

O início do pontificado do Papa Leão XIV confirma a continuidade eclesial da proposta “em saída”. Evidentemente, não significa que o Papa Leão XIV será o Papa Francisco, contudo, a continuidade está nas linhas mestras deixadas, como a sinodalidade.

A ecologia integral, os pobres e o diálogo com as divergências humanas e morais são temáticas continuadas pelo Papa Leão XIV. Os comentários durante o conclave, a sua primeira aparição, as especulações e agora as suas posições após um ano de pontificado começam a delinear um tempo oportuno. E dessa maneira, prosseguir os caminhos abertos pelo Papa Francisco: 

A este respeito, gostaria que hoje renovássemos juntos a nossa plena adesão a este caminho, que a Igreja universal percorre há décadas na esteira do Concílio Vaticano II. O Papa Francisco recordou e atualizou magistralmente os seus conteúdos na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, da qual gostaria de sublinhar alguns pontos fundamentais: o regresso ao primado de Cristo no anúncio (cf. n. 11); a conversão missionária de toda a comunidade cristã (cf. n. 9); o crescimento na colegialidade e na sinodalidade (cf. n. 33); a atenção ao sensus fidei (cf. nn. 119-120), especialmente nas suas formas mais próprias e inclusivas, como a piedade popular (cf. n. 123); o cuidado amoroso com os marginalizados e os excluídos (cf. n. 53); o diálogo corajoso e confiante com o mundo contemporâneo nas suas várias componentes e realidades (cf. n. 84; Concílio Vaticano II, Const. past. Gaudium et spes, 1-2).” (https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/speeches/2025/may/documents/20250510-collegio-cardinalizio.html).

Foto: Vatican Media

Esse discurso no 2º dia do pontificado de Leão XIV aos cardeais mostrou a bússola do seu pontificado: os temas do aggiornamento. A necessidade de uma Igreja sinodal, missionária, com os pobres, amiga da criação e do diálogo para a comunhão.

Dessa maneira, o ímpeto de buscar a comunhão eclesial e social do pontificado do Papa Leão XIV remete à proposta do Concílio Vaticano II e da Doutrina Social da Igreja. E, para esse caminho, o Papa Francisco deixou pontes bem sólidas, como as suas visitas às periferias do mundo e suas encíclicas. A sua presença denunciou lugares que carecem de diálogo e da presença de líderes.

À luz dos pronunciamentos e exortação apostólica Dilexi-te e Magnificat Humanitas traça-se a continuação das pontes, levando a frente questões que se amadurecem. As roupas papais da bancada vaticana e da aparência tímida do Papa Leão XIV parecem não permitir, que o Concílio Vaticano II seja negociado com os interesses “dos mais católicos que o próprio Papa”.

Assim, podemos ter a certeza que todos, todos e todos são chamados a viverem na comunhão, e o ponto de comunhão católica está e no Concílio Vaticano II.

Foto: Magnific

O anúncio do Evangelho se faz mais do que nunca ser anunciado, como se nunca tivesse sido antes (Evangelii Nuntiandi 16). O Papa Leão XIV tem a ponte bem sólida e construída pelo Papa Francisco, que trouxe toda a práxis das letras do Concílio Vaticano II nas ações eclesiais e com o diálogo social. Prosseguir a proposta da sinodalidade e da colegialidade com o percurso de implementação sinodal e celebrar esse caminho (2027), permite construir a comunhão da Igreja sem utopia. O caminho e jeito de Igreja à luz do Concílio Vaticano II torna possível essa comunhão. 

O mundo em constante mudança fere, e a lei ferrenha mais ainda. Por isso, o Papa Francisco buscou, sem autorreferencialidade, construir pontes, fazendo a Igreja “em saída” de si mesma. A expressão “hospital de campanha” prossegue atual, pois ao encontrarem clérigos e o laicato humanizados, todos encontrarão alívio e oportunidade de caminhar com a Igreja. Enquanto a rigidez prossegue, deixando-os de fora, não acolhidos e sem serem curados pela ânfora do Evangelho. 

A presença do Papa Leão XIV nas conferências para o clima mantém o diálogo em aberto com a necessidade da paz a ser construída à luz do cuidado com a casa comum e da fraternidade, pois todos somos irmãos e irmãs (Mt 23,8).

Foto: Magnific

Somos construtores da fraternidade universal e da amizade social. E a família humana ferida, devido à falta de amor, provoca a Igreja a manter o seu cuidado e ir até o encontro das suas demandas.

E na sua primeira encíclica, Magnifica Humanitas, traz a tônica e o diálogo sobre a IA. A inteligência humana a serviço da criação divina, geradora de comunhão e não das feridas da guerra e da periferia existencial. A genialidade humana ao serviço da própria humanidade possibilita construir uma sociedade sadia, honesta, fraterna e de paz, com a inteligência dom do Criador.

Foto: Magnific

A Teologia “em saída” feita pelo Papa Francisco ilumina a caminhada eclesial, fazendo a Igreja prosseguir seu caminho de fidelidade evangélica.

A procura de caminhos feitos juntos, de diálogo, de estar ao lado da paz, do cuidado com a casa comum, da Igreja com os pobres e do anúncio do Evangelho feito com o odor de Cristo. E nesta perspectiva tem avançado o pontificado do Papa Leão XIV, pelas sólidas pontes iniciadas nos processos do Papa Francisco. Portanto, aguardemos o caminho e busquemos caminhar em comunhão.

 

André Luiz Bordignon-Meira é presbítero e missionário na Arquidiocese de Porto Velho. Doutor em Teologia pela PUCRJ, leciona Teologia na Faculdade Católica de Rondônia. E coordenador da pastoral da Arquidiocese de Porto Velho (RO).

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites