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Ao fazer uma análise do papel do esporte dentro da sociedade atual, pode nos levar a uma compreensão diversa, principalmente dada a pluralidade das modalidades. Talvez o chamado espírito esportivo durante as competições mundiais possa ser mais evidente, todavia, não seria semelhante às virtudes praticadas no cotidiano?
Seja em nossa família, em nosso local de trabalho ou nos variados espaços que ocupamos e vivemos em comunidade, o espírito esportivo também está ali, de alguma forma. A gentileza do dia a dia, o amor transformado em ação, sejam nas mais sutis ou nas mais elaboradas atitudes, a união e a cooperação podem ser vistas de diversas formas.

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O desenfreado avanço da tecnologia, da presença das mídias digitais em nossas vidas, nos levou a viver culturalmente sob uma perspectiva on-life. Na compreensão de Luciano Floridi, que cunhou o neologismo on-life, essa é a definição dada à nova existência na qual a barreira entre real e virtual caiu, não há mais diferença entre on-line e off-line.
Assim, o apelo para que também continuemos a experimentar a vida em Comunidade tem sido recorrente, em meio a uma cultura que tem incentivado, de certo modo, uma experiência cada vez mais singular ou até mesmo com as máquinas.
Ao olhar para a Carta de Paulo aos Coríntios temos uma pergunta necessária para todos nós, cristãos: “não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo?” (1Cor 6,19-20).

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A pergunta que pode ser feita, a partir da concepção cultural atual, é: como estou agindo, a partir da presença do Espírito Santo em mim, nos lugares em que ocupo? No esporte, como dito, é muito simples enxergarmos o espírito de união, de cooperação e, assim, experimentar o espírito de equipe.
Talvez em nosso dia a dia, duramente influenciadas(os) por uma competitividade, que nos empurra para uma perspectiva cada vez mais desumanizada e enraizada em valores econômicos e um poder temporário – a partir de altos cargos – tem nos feito esquecer dessa dádiva que nos é dada a partir do Batismo: a de ser também templo do Espírito Santo.
Sabemos que o cristianismo não despreza o corpo; ao contrário, proclama a Encarnação. Deus quis precisar de um corpo e, se Cristo assumiu um corpo humano, o corpo deixa de ser apenas matéria e torna-se lugar da manifestação da graça. O esporte, portanto, pode ser entendido como uma forma de glorificar Deus por meio das potencialidades da criação.
Antes mesmo das palavras, o esporte comunica por meio do corpo. Cada gesto realizado em equipe revela que o ser humano foi criado para a relação, para a cooperação e para o dom de si. O corpo que joga torna-se linguagem de irmandade.

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Será que Deus também se revela na beleza de um passe, na disciplina de um treinamento e na alegria de uma partida disputada com honestidade? Na Teologia do Corpo, São João Paulo II afirma que o corpo possui um “significado esponsal”, isto é, foi criado para o dom de si.

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No esporte, isso se torna muito concreto, afinal, um passe não é apenas um gesto técnico, é um ato de confiança! Uma assistência não é apenas uma jogada, é colocar o próprio talento a serviço do outro. Uma cobertura defensiva é um gesto de solidariedade. Um abraço após o gol é a expressão corporal da comunhão.
O Espírito não habita o coração do cristão para conduzi-lo ao isolamento, mas para inseri-lo em uma experiência permanente de comunhão. Desde Pentecostes, quando pessoas de diferentes povos e línguas passaram a compreender a mesma mensagem, a ação do Espírito manifesta-se na capacidade de unir aquilo que parecia dividido.

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Também no esporte, especialmente nas modalidades coletivas, essa realidade torna-se visível: jogadores com histórias, talentos e características distintas descobrem que somente a partir da cooperação é possível alcançar um objetivo comum.
O agir do Espírito nos ensina que os dons não existem para a exaltação individual, contudo, para a edificação do corpo inteiro, fazendo da união uma verdadeira expressão da graça de Deus.
Que possamos viver como verdadeiros templos do Espírito Santo, sem nos esquecer de que “na vida, como no jogo, ninguém se salva sozinho”, como nos diz o Papa Leão XIV.
Amanda Oliveira é doutoranda em História Social pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da Pascom Regional Leste 2, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
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