
Foto: Site alberione.org
Padre Tiago Alberione foi um dos mais carismáticos profetas e apóstolos do século XX.
Nasceu em San Lorenzo di Fossano, Cuneo (Itália), no dia 4 de abril de 1884. Recebeu o batismo já no dia seguinte.
O pequeno Tiago, o quarto filho, desde cedo passa pela experiência do chamado de Deus. Na primeira série do ensino primário, quando a professora lhe perguntou o que faria quando se tornasse adulto, ele respondeu: "Vou ser padre!" Os anos da infância se encaminham nessa direção.
Criado para amar Deus, Alberione comunicou o que recebeu do Senhor
Com 16 anos, Tiago entrou no Seminário de Alba.

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No final de 1900, motivado pela encíclica de Leão XIII, Tametsi futura, Tiago viveu a experiência decisiva de sua existência. Na noite de 31 de dezembro, noite que dividiu os dois séculos, colocou-se em oração, por quatro horas, diante do Santíssimo Sacramento, e permaneceu em sintonia com a luz de Deus.
Ali, compreendeu o convite de Jesus: “Vinde a mim todos” (cf. Mt 11,28). Ali projetou o seu futuro. Uma luz especial, desprendendo-se da Eucaristia, foi ao seu encontro, e a partir daquele momento ele se sentiu “profundamente comprometido a fazer alguma coisa para o Senhor e para as pessoas do novo século”: “o compromisso de servir à Igreja”, com os novos meios colocados à disposição pelo engenho humano.
Preparando as pessoas para a obra do Senhor

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A caminhada do jovem Alberione prosseguiu ao longo dos anos de estudo da filosofia e da teologia. Em 29 de junho de 1907, foi ordenado sacerdote. Fez, então, uma breve, mas significativa experiência pastoral em Narzole (Cuneo), como vice-pároco. Lá encontrou José Giaccardo, que, depois, foi para ele, o que foi Timóteo para o Apóstolo Paulo. Ainda em Narzole, Padre Alberione amadureceu sua reflexão sobre o que pode fazer a mulher no apostolado.
No Seminário de Alba foi Diretor Espiritual dos seminaristas, pregador e professor de diversas disciplinas.
Conhecendo o público e a realidade
Alberione dedicou também muito tempo ao estudo da realidade da sociedade civil e eclesial do seu tempo e às novas necessidades que se projetavam. E se perguntava: “Para onde caminha esta humanidade?” Diante de Jesus na Eucaristia e com a Palavra, foi encontrando respostas e propostas.

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Concluiu que o Senhor o convocava para uma nova missão: pregar o Evangelho a todos os povos, conforme o espírito do Apóstolo Paulo, usando os modernos meios de comunicação. Nessa direção, escreveu dois livros: Apontamentos de teologia pastoral (1912) e A mulher associada ao zelo sacerdotal (1911-1915).

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“As obras de Deus se constroem por meio de pessoas que são de Deus.” Então, esta missão deveria ser assumida por pessoas consagradas. Assim, no dia 20 de agosto de 1914, quando, em Roma, morria o Papa Pio X, em Alba, o Padre Alberione dava início à “Família Paulina” com a fundação da Pia Sociedade São Paulo. Os inícios foram marcados pela extrema pobreza, conforme a pedagogia divina: “inicia-se sempre no presépio”.

Padre Alberione com os primeiros membros da Pia Sociedade São Paulo. Foto: Site alberione.org
A Família Paulina torna-se lâmpada de dez chamas
O pai e modelo da Família Paulina, o Apóstolo Paulo, recomenda: Sejam íntegros filhos de Deus que vivem no meio de gente pecadora e corrompida, onde vocês brilham como astros no mundo, apegando-se firmemente à Palavra da vida. (cf. Fl 2,15-16).
Astros no mundo, luzes que brilham e iluminam com a Palavra, assim quis Paulo, quis Alberione a Família Paulina.

Beato Tiago Alberione juntamente com as Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas), uma das suas fundaões. Foto:Site alberione.org
Constituída por irmãos e irmãs, a primeira mulher a seguir o Padre Alberione é uma moça de vinte anos, de Castagnito (Cuneo): Teresa Merlo. Com o apoio dela, Alberione deu início à congregação das Filhas de São Paulo (1915). Pouco a pouco, a “Família” cresceu, as vocações masculinas e femininas aumentaram, o apostolado tomou seu curso e assumiu sua forma.
Em 1924, veio à luz a segunda congregação feminina: as Pias Discípulas do Divino Mestre, para o apostolado eucarístico, sacerdotal e litúrgico.
Em outubro de 1938, Padre Alberione funda a terceira congregação feminina: as Irmãs de Jesus Bom Pastor ou “Pastorinhas”, que se dedicam ao apostolado pastoral destinado a auxiliar os pastores.
Em 1954, recordando o 40º ano de fundação, o padre Alberione fez de seus apontamentos onde narrou, entre uma viagem e outra, a história carismática da Família Paulina: o livro Abundantes divitiae gratiae suae (As abundantes riquezas da sua graça, Ef 2,7).
Entre 1957 e 1960, fundou a quarta congregação feminina, o Instituto Rainha dos Apóstolos para as Vocações (Irmãs Apostolinas) e os Institutos de vida secular consagrada: São Gabriel Arcanjo, Nossa Senhora da Anunciação, Jesus Sacerdote e Sagrada Família. Dez instituições, com os Cooperadores Paulinos, unidas pelo mesmo ideal de santidade e de apostolado: o anúncio de Cristo Caminho, Verdade e Vida ao mundo, mediante os instrumentos da comunicação social.
Cor paulina: ser Igreja, sentir com a Igreja, servir à Igreja
De 1962 a 1965, Padre Alberione foi protagonista silencioso, mas atento, do Concílio Vaticano II, de cujas sessões ele participou diariamente. Dia de particular júbilo foi o dia 4 de dezembro de 1963, quando é proclamado o decreto conciliar “Inter Mirifica” sobre os meios de comunicação social assumidos como meios de evangelização.

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Alberione comentou: “Agora não podeis duvidar mais. A Igreja falou.” E ainda: “Dei-vos o melhor. Se tivesse encontrado algo melhor, vo-lo teria dado.”
Padre Alberione viveu 87 anos. Sempre fiel a Deus e à obra que lhe confiou. No dia 26 de novembro de 1971, partiu para a Casa do Pai. As suas últimas horas tiveram o conforto da visita e bênção do papa Paulo VI, que jamais ocultou a sua admiração e veneração pelo Padre Alberione.
Feliz Alberione! Bem-aventurado!
Em 25 de junho de 1996, o papa João Paulo II assinou o Decreto por meio do qual eram reconhecidas as virtudes heróicas do futuro Bem-aventurado.

Em 27 de abril de 2003, Padre Alberione foi declarado Bem-aventurado.
Para saber mais sobre Alberione, acesse: https://www.alberione.org/biografia/?lang=pt-pt
Alguns pensamentos do Bem-aventurado Tiago Alberione
Se São Paulo vivesse hoje, continuaria a deixar-se arder daquela dupla chama de um mesmo incêndio, o zelo por Deus e pelo seu Cristo, e pelas pessoas de cada país. E, para fazer-se escutar, subiria aos púlpitos mais elevados e multiplicaria sua palavra com os meios do progresso atual: imprensa, cinema, rádio, televisão (VM 648).
Se São Paulo vivesse hoje, seria jornalista.
A missão paulina tem uma dupla tarefa:
1. Desmascarar o erro divulgado, de modo particular pela imprensa abertamente contra a Igreja e ímpia, que lança dúvidas e críticas maldosas sobre verdades, e na imprensa que combate a verdade com arte camuflada, com sofismas finos e julgamentos hostis. (fake news).
2. Expor, divulgar, difundir as verdades que salvam, como a Igreja as apresenta (AE, 140).
Tudo é de Deus. Tudo nos leva ao Magnificat (AD 4).
A máquina, o microfone, a tela são nosso púlpito. A tipografia, o setor de produção, são nossa igreja (Padre Alberione, Rolfo).
A Bíblia é o livro que devemos apresentar: por meio de filmes, em livros, à viva voz pelo rádio, por meio de discos, ou de qualquer outra forma; utilizemos todos os meios que o Senhor colocou ao nosso alcance (VM 1014).
A quem encontrou o sentido verdadeiro e concreto da vida, é fácil estar alegre (livro Padre Alberione, Rolfo).
É preciso utilizar uma linguagem simples, “pastoral”, ou seja, “a pastoral é a grande arte de dar Deus às pessoas e de dar as pessoas a Deus (VM 1205).
O mundo nos compreenderá se utilizarmos os meios atuais para nos comunicarmos com ele. Portanto, não pense em dizer: ‘sempre fizemos isso’. Ao longo dos anos, precisamos nos adaptar às condições da época em que vivemos (VM 347).
A imprensa, o cinema, o rádio, a televisão constituem hoje as mais urgentes, as mais rápidas e as mais eficazes obras do apostolado católico. Pode ser que os tempos vindouros reservem outros meios melhores. Mas, no presente, o coração do apóstolo não pode desejar forma melhor para dar Deus às almas e as almas a Deus (VM 1283).
Dar tudo a Deus: eis a santidade (Comunico o que recebi do Senhor, p.13).
Com o termo ‘edição’, não entendemos apenas um livro. Nós nos referimos a outras coisas. A palavra edição tem muitas aplicações: edição do periódico, edição daqueles que preparam o roteiro para o filme, que preparam o programa para a televisão, que preparam material para se comunicar por meio do rádio. “Nobis edidit Salvatorem”, diz a liturgia. A Virgem Maria nos deu o Salvador. Usa o verbo “edidit”. A edição inclui o conceito artístico, o estudo para produzir um objeto que seja ao mesmo tempo litúrgico e artístico. Também abrange o trabalho das irmãs que se preparam para fazer o catecismo às crianças e depois realmente, na caridade, o explicam (Pregações, 1957).
Porque assim viveu, Alberione pode afirmar: "As obras de Deus se constroem por meio de pessoas que são de Deus"
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O apostolado da edição: onde a comunicação se transforma em esperança
