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Alfabetização no Brasil, uma tragédia silenciosa

Estudos relacionam o analfabetismo ao menor acesso ao mercado de trabalho e à menor qualidade de vida. É possível melhorar a qualidade do ensino básico do Brasil?

Foto: Pexels

No dia 8 de setembro é comemorado o Dia Mundial da Alfabetização, mas o Brasil vive uma tragédia silenciosa em relação à alfabetização de suas crianças.

Em 2016, os dados da última Avaliação Nacional de Alfabetização revelavam que apenas 45% dos alunos do 3º ano do Ensino Fundamental alcançaram níveis adequados e desejáveis de alfabetização. Com o fechamento das escolas por mais de 150 dias letivos durante a pandemia, esse cenário se agravou. Houve um aumento expressivo no número de crianças de 6 e 7 anos que não sabem ler nem escrever.

A alfabetização é um processo extremamente importante para o desenvolvimento das crianças. A leitura e a escrita são ferramentas essenciais para a vida plena em sociedade e, portanto, devem ser garantidas a todas as crianças na idade certa.

No Brasil, de acordo com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), os estudantes devem ser alfabetizados até os 7 anos, ou seja, no segundo ano do Ensino Fundamental. No entanto, atualmente, 56% das crianças do 2º ano do Ensino Fundamental não estão alfabetizadas, considerando os novos parâmetros definidos pelo Ministério da Educação (MEC).

Analista de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi. Foto: Divulgação

Quando olhamos para as diferentes regiões e estados do Brasil, vemos ainda que há muita desigualdade. “Os estados mais pobres têm menos recursos para investir em diferentes áreas, bem como na Educação. Por isso é essencial que o Governo Federal apoie as redes mais vulneráveis, de maneira que consigam avançar na alfabetização das crianças. O Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, anunciado em junho pelo MEC, é uma importante política que poderá apoiar uma mudança nesse cenário, se for implementada de maneira efetiva”, afirma a Analista de Políticas Educacionais do Todos Pela Educação, Natália Fregonesi.

Dificuldade para aprender

As crianças que, em 2021, estavam no 2º ano do Ensino Fundamental, estão hoje no 4º ano e podem estar enfrentando grandes dificuldades de aprendizagem, por não terem conseguido desenvolver as habilidades necessárias nos anos anteriores.

Natália Fregonesi destaca o papel essencial das secretarias de Educação em fazer um diagnóstico para identificar os estudantes com mais dificuldade e investir em ações de recomposição de aprendizagens, para garantir que as crianças avancem para as outras séries com as habilidades mínimas necessárias para continuar se desenvolvendo. “Outra eixo fundamental é estruturar uma política de alfabetização na idade certa, baseada em políticas de sucesso, como é o caso de Sobral (CE). Essa política deve envolver formação para professores, materiais pedagógicos alinhados ao currículo, infraestrutura adequada e avaliações frequentes. Somente uma política estruturada pode melhorar o cenário da alfabetização no Brasil”, garante.

Qualidade do ensino

Não garantir a alfabetização de crianças na idade certa representa uma barreira para a melhoria do sistema educacional como um todo. Além do impacto na aprendizagem dos alunos, algumas evidências apontam, por exemplo, para uma relação entre analfabetismo e altos índices de reprovação, distorção idade/série e evasão escolar. Para uma criança seguir seu percurso escolar dentro do tempo adequado, ela precisa aprender a ler para posteriormente ler para aprender. 

Cerimônia de Lançamento do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, ocorrida em junho, em Brasília (DF). Foto: Ricardo Stuckert/PR

Estudos também relacionam o analfabetismo ao menor acesso ao mercado de trabalho e à menor qualidade de vida. Seria possível uma solução para o aumento da qualidade do ensino básico do Brasil? Para a analista do Todos Pela Educação, a qualidade da educação no Brasil exige prioridade. “É preciso que os governantes enxerguem a educação como motor do desenvolvimento e que garantam os investimentos que ela precisa. Mas, sobretudo, é essencial que os investimentos sejam feitos de maneira estratégica. O Brasil precisa de uma agenda sistêmica para a Educação, e não de ações isoladas. É preciso, por exemplo, melhorar a gestão das redes de ensino, garantir professores valorizados e bem formados, promover o desenvolvimento dos gestores escolares, formular políticas pedagógicas coerentes e combater desigualdades. A educação é um problema complexo e, portanto, não há solução simples. Transformações efetivas, que se sustentam no tempo, demandam a coordenação de múltiplas políticas muito bem articuladas entre si”, finaliza Natália Fregonesi

- Saiba mais sobre a Política Nacional de Alfabetização: https://alfabetizacao.mec.gov.br/


- Confira a Análise do Todos Pela Educação sobre o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada:
https://todospelaeducacao.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2023/07/analise-todos-pela-educacao-compromisso-nacional-crianca-alfabetizada.pdf





 

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