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Aprender brincando: os benefícios dos jogos de tabuleiro para crianças

Em tempos de excessos digitais, jogos presenciais recuperam vínculos e ajudam no desenvolvimento de habilidades essenciais

Foto: Pexels

Ferramentas simples, efeitos profundos. Em meio a uma era dominada por telas e tecnologia, os jogos de tabuleiro ressurgem como potentes aliados no processo de aprendizagem e no desenvolvimento de habilidades sociais, especialmente entre crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Mais do que diversão, eles representam uma forma eficaz de conectar, ensinar e acolher.

Doutora em Neurociência e Educação Renata Aguilar. Foto: Divulgação

“Os jogos de tabuleiro são uma ferramenta pedagógica extremamente eficaz, tanto na escola quanto em casa, pois proporcionam interação, tomada de decisão consciente, aprendizado socioemocional e desenvolvimento do pensamento crítico”, afirma a doutora em Neurociência e Educação Renata Aguilar, especialista em Matemática e Neuropsicopedagoga.

Pensar, sentir, agir: os múltiplos ganhos dos jogos

Entre os principais benefícios dos jogos para todas as crianças, destacam-se três eixos fundamentais: cognitivo, motor e socioemocional.

No campo cognitivo, os jogos estimulam a atenção, memória, raciocínio lógico, planejamento e flexibilidade de pensamento, ou seja, a capacidade de adaptar estratégias conforme o desenrolar da partida.

Do ponto de vista motor, ajudam na coordenação ao manipular peças e ao organizar o jogo no tabuleiro.

Já no âmbito socioemocional, os ganhos são expressivos: “Os jogos ensinam a lidar com frustrações, com o ganhar e o perder, promovem empatia, cooperação e o respeito à opinião do outro. Também ajudam na construção da autoestima e na regulação do estresse”, explica Renata Aguilar.

Integração e estímulo para crianças com TEA

Para crianças com autismo, os jogos de tabuleiro oferecem uma ponte segura para o mundo social. Dificuldades comuns, como rigidez de pensamento, problemas na comunicação e na interação com o outro, são suavizadas em um ambiente estruturado, com regras claras e objetivos definidos.

Foto: Pexels

“Esses jogos favorecem a escuta ativa, a troca de ideias e a resolução conjunta de problemas. Trabalham o foco, a regulação emocional e o controle inibitório, habilidades que compõem as chamadas funções executivas”, explica a especialista.

Além disso, o caráter colaborativo dos jogos estimula a interação social, aspecto essencial para o desenvolvimento das crianças com TEA. Jogar em duplas ou em grupo promove escuta, tomada de decisões conjuntas e construção de vínculos.

Uma resposta ao cenário atual

Com o avanço da tecnologia e o uso excessivo das telas, muitos pais e professores enfrentam o desafio de educar crianças cada vez mais expostas, ansiosas e com dificuldades de se relacionar e resolver conflitos. “É urgente repensar as práticas pedagógicas. Repetir os mesmos conteúdos, do mesmo jeito, para crianças com necessidades diferentes, não funciona mais”, alerta Renata.

Foto: Pexels

Diante disso, os jogos de tabuleiro se apresentam como uma alternativa concreta e acessível. Eles não apenas ensinam conteúdos — como vocabulário, lógica e matemática — mas, sobretudo, ajudam a proteger e fortalecer as emoções em um mundo onde isso se torna cada vez mais urgente.

Nesse vídeo, a Neuropsicopedagoga Renata Aguilar fala sobre os benefícios dos jogos de tabuleiro.

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