Catequese

As novas tecnologias: Desafios pastorais na Iniciação à Vida Cristã

Os desafios pastorais, de forma geral, se fazem presentes em diversos aspectos do âmbito eclesial. Ao falar de tecnologia e Iniciação à Vida Cristã, é possível elencar elementos importantes que  impactam significativamente.

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A Igreja sente impactos significativos de informação, linguagem e aprendizado no processo de Iniciação à fé e reconhece que esses novos desafios precisam ser identificados, refletidos e retrabalhados a fim de solidificar, sentir e aproximar o catequizando a uma vivência cada vez mais autêntica da fé.

Entretanto, as novas tecnologias podem contribuir significativamente no processo iniciático, mas é preciso reconhecer aspectos que não colaboram ou precisam ser reconfigurados para uma melhor integração.

Um primeiro desafio é reconhecer que os catequistas precisam de uma formação continuada, seja para itinerários do que se refere à Catequese/Iniciação Cristã, como também uma atualização tecnológica, pedagógica, além do auxílio de outras ciências como medicina, psicologia, fonoaudiologia, etc., sem perder o foco e a missão da Iniciação.

O segundo desafio é a linguagem a ser trabalhada. Ela pode ser caracterizada como “sistema estruturador de signos usados para a expressão de ideias ou sentimentos (...). A linguagem indica coisas, expressa valores e possibilita a comunicação. É um elemento estruturador da relação do homem com a realidade” (FILHO, 2014, p. 296).

O código das novas tecnologias não pode ser a expressão máxima da fé vivida pelas pessoas, pois, a experiência religiosa se realiza na vivência prática pessoal e comunitária. Mas, na conjuntura que a sociedade se encontra, é possível perceber uma supervalorização da mesma e o uso dos meios de comunicação, e que, de certa forma, a Igreja necessita encontrar caminhos para sua integração. 

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O terceiro desafio é o amadurecimento da fé, pois, “a catequese tem a missão de fomentar a consciência e o aprofundamento da mensagem cristã” (Doc. 53. n. 80).

Nos atuais aspectos eclesiais, é bastante expressiva a conscientização para a vivência madura da fé cristã. Se por um lado, em tempos idos, a catequese se adaptou a uma realidade eclesial do seu tempo, hoje, também se faz necessário redescobrir caminhos para uma transmissão da fé em tempos tecnológicos que sejam mistagógicos, querigmáticos, missionários e “em saída”, que toque a realidade do povo e suas aspirações cotidianas. 

O quarto desafio é a perda do sentido de pertença que precisa ser refletido constantemente. Nos últimos tempos, com o surgimento da pandemia da COVID 19, ocorreu um distanciamento da vida eclesial presencial e, consequentemente, a Iniciação Cristã passou por um remodelamento de sua estruturação.

As tecnologias e as novas mídias foram “pontes” de transmissão entre a vivência sacramental e a vida comunitária. Por outro lado, esse novo contexto passou por momentos atribulados e muitas vezes não compreendidos pelas famílias e comunidades eclesiais. Surge um novo questionamento: Até que ponto os cristãos batizados, também aqueles que estão em preparação e os pais e familiares que acompanham as crianças e jovens na Iniciação Cristã, compreendem o sentido de “corpo eclesial”?

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É importante perceber que as novas tecnologias, utilizadas conscientemente, tornam-se “elos” e geram oportunidades de encontros ad intra e ad extra eclesiais. Isso leva a própria Igreja a refletir como a Iniciação Cristã pede espaços e meios para uma melhor compreensão da vivência comunitária e a sua participação efetiva no corpo eclesial.

O quinto desafio a ser destacado é a conversão pastoral na Iniciação Cristã. Compreende-se a pastoralidade da Iniciação à Vida Cristã pós-Vaticano II, como uma ação que visa “um momento de aprofundamento da fé, em vista da participação efetiva na Igreja e na sociedade; por outro, é assumida como uma dimensão de todas as ações eclesiais” (BRIGHENTI, 2006, p. 97), ou seja, através do itinerário próprio, a Iniciação Cristã conduz o catecúmeno a uma experiência pessoal e comunitária da fé trinitária, na atuação concreta na vida da Igreja e também na sociedade a qual está inserido.

A compreensão de uma Iniciação à Vida Cristã na vida da Igreja ainda não é algo claro e exato em todas as realidades. Ainda hoje, a inspiração catecumental está a passos lentos de assimilação e implantação das comunidades eclesiais no Brasil. Por sua vez, a conversão pastoral na Iniciação à Vida Cristã passa também através do apoio tecnológico e a sua contribuição no processo da iniciação.

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Refletir o caminho percorrido, apontar as realidades concretas em vista da mudança é um passo importante para uma abertura eclesial, tanto para a Iniciação à Vida Cristã quanto para o auxílio inclusivo das tecnologias nesse processo.

 

Irmã Alexsandra Araujo, é bacharela em Teologia e graduanda em Sistemas para Internet. No momento, é responsável pelo Departamento de Internet – Paulinas Brasil.

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