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CF 2024: Fraternidade e amizade social

A Campanha da Fraternidade celebra 60 anos e tem início em 14 de fevereiro em todo o Brasil

Foto: Pexels

Uma tradição que completa 60 anos. A Campanha da Fraternidade (CF), evento anual da Igreja Católica do Brasil, torna-se uma “jovem senhora” em 2024 ao celebrar 60 anos de existência. A edição deste ano se reveste de uma beleza singular ao abraçar o tema: “Fraternidade e Amizade Social” e o lema: “Vós sois todos irmãos e irmãs” (Cf. Mt  23, 8).

O pano de fundo da campanha é a encíclica Fratelli Tutti do papa Francisco, escrita e publicada em outubro de 2020. Nela o pontífice indica a fraternidade e a amizade social para construir um mundo melhor, pacífico e com mais justiça. O que poderia ser mais relevante em tempos de divisão e polarização?

“O grande objetivo do episcopado nacional ao propor esta campanha é despertar para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social para que, em Jesus Cristo, a paz seja a realidade entre todas as pessoas e entre todos os povos. Na Fratelli Tutti, o papa diz que diante de um mundo sombrio e fechado em si mesmo nós precisamos reagir como o bom samaritano, promovendo a fraternidade humana e a amizade social”, comenta padre Patriky Samuel Batista, subsecretário adjunto geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

História da CF no Brasil

A Campanha da Fraternidade nasceu na década de 1960, por iniciativa de três padres que trabalhavam na Cáritas Brasileira e planejaram uma campanha para arrecadar recursos a fim de financiar as atividades assistenciais da instituição.

A CNBB acolheu a ideia e em 1963, o então secretário-geral da entidade, dom Helder Câmara, enviou carta circular a todos os bispos comunicando que a CF de 1964 seria em âmbito nacional e teria como tema “Lembre-se você também é Igreja”. O processo iniciado em 1964 marcou a Igreja no Brasil, tornando-se expressão de comunhão, conversão e partilha.

No contexto do Concílio Vaticano II, a CNBB estruturou o projeto da Campanha da Fraternidade para levá-lo a todas as dioceses do país. Desde 1967, ocorrem os encontros nacionais e regionais e a partir de 1970, as campanhas recebem apoio pontifício com uma mensagem do Papa por ocasião da iniciativa da Igreja no Brasil. 

Objetivos

A Campanha da Fraternidade tem como objetivos permanentes: 

1 – Despertar o espírito comunitário e cristão no povo de Deus, comprometendo, em particular, os cristãos na busca do bem comum; 
2 – Educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor, exigência central do Evangelho; 
3 – Renovar a consciência da responsabilidade de todos pela ação da Igreja na evangelização, na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária (todos devem evangelizar e todos devem sustentar a ação evangelizadora e libertadora da Igreja). 

CF e Quaresma

A campanha acontece no período de preparação para a Páscoa, época em que somos chamados a praticar a penitência e a caridade. Por isso é tão importante olhar para a CF, que sempre destaca um aspecto da realidade brasileira, promove a conversão e gestos concretos como a doação à Coleta Nacional da Solidariedade que arrecada recursos que apoiam inúmeros projetos sociais pelo Brasil.

Voltando ao tema deste ano, a campanha pretende colaborar com a compreensão sobre as causas da atual mentalidade de polarização e conflito que geram a incapacidade de enxergar as outras pessoas como irmãos e irmãs. 

“A campanha nos ajuda a aprofundar a compreensão da comunhão e da fraternidade como caminho de realização pessoal e promoção da paz. Nesse quesito o Texto-Base lembra muito o número 43 do documento “Novo Millennio Ineunte”. São palavras de João Paulo II sobre a importância de promovermos, em caráter educativo, a espiritualidade da comunhão. A CF quer conscientizar sobre a necessidade de construir a unidade em meio à pluralidade, e identificar iniciativas já existentes que provem a comunhão, a reconciliação e a fraternidade, estimulando a cultura do encontro”, destaca padre Patriky.

O caminho da amizade

O cenário presente no cartaz da CF 2024 é bem significativo. Ali está toda a comunidade reunida numa casa, espaço de acolhida e partilha do alimento e da vida. O símbolo maior da comunidade é a celebração da fé ao redor da mesa, com pão, vinho e fraternidade.

Imagem: Divulgação CNBB

Ao mesmo tempo, as janelas apontam uma casa aberta aos desafios do mundo e da realidade. Em meio à todos vemos o papa Francisco com sua bengala, assumindo suas limitações e propondo a amizade social como caminho para a boa convivência e a subsistência dos seres humanos.

“Trata-se de uma campanha muito bonita que tem tudo para dar certo e combater ‘a sociedade que está enferma e se coloca de costas para muitas realidades que assolam a vida e a dignidade da pessoa humana’. O que se quer é promover iniciativas de reconciliação entre as pessoas nas famílias, comunidades, grupos e povos. Diante dessa doença que é a alterofobia, o medo do outro, o rechaço, a gente contrapõe com a amizade social, ela é o remédio, ela é o caminho para que a gente possa superar todas essas situações”, finaliza o padre Patriky Batista.

 

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