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Tenho dificuldade em perdoar. E não é nem em grandes coisas. Por exemplo: irrito-me com pessoas com quem convivo por motivos bem corriqueiros. Em família é muito difícil a convivência harmoniosa. Sobretudo, no aspecto da partilha de bens. Se me examino no final do dia, muitas vezes senti raiva, inveja, ciúme por algum gesto, alguma palavra, contradição, e até, por ser ignorada ou deixada de lado. Como superar isso? - Rosângela C.
Amiga, a maioria das pessoas passa por estas experiências ruins, também em família, o que acaba deixando o clima nada agradável. Sentem dificuldade em deixar de lado as emoções negativas, como as citadas por você: raiva, ressentimento, ciúme, sentimento de exclusão, ganância... Você fala, logo no início, da sua dificuldade em perdoar. Mas o que é perdoar?
Perdoar é...
Em poucas palavras, perdoar é reconhecer que alguém cometeu alguma injustiça contra nós, e, mesmo assim, optar em deixar de lado qualquer mágoa, revide ou vingança. Compreender e ficar em paz.
O Papa Francisco dizia: "Fora do perdão, não há paz. O perdão é o oxigênio que purifica o ar poluído pelo ódio. O perdão é o antídoto que cura os venenos do rancor, é o caminho para desativar a raiva e curar tantas doenças do coração que contaminam a sociedade”. (Papa Francisco, 23/09/2023).
Ao deixar de lado as emoções tóxicas, você experimenta alívio e leveza emocional, abrindo espaço para emoções mais positivas, como alegria e paz.
Perdoar é amar com misericórdia
No âmbito da fé cristã, há um aspecto mais profundo, chamado amor misericordioso. Jesus fala deste amor na parábola do filho pródigo ou do pai misericordioso. (Cf. Lc 15,11-32).
Para Jesus, Deus é compaixão. A compaixão é o modo de ser de Deus, sua primeira reação diante das criaturas, sua maneira de ver a vida e as pessoas. Deus sente para com suas criaturas o que uma mãe sente para com o filho que leva em seu ventre. Deus nos carrega em suas entranhas misericordiosas.
“Quanto sofrimento, quantas lacerações, quantas guerras poderiam ser evitadas se o perdão e a misericórdia fossem o estilo de nossa vida! Mesmo em família. Quantas famílias desunidas, que não sabem se perdoar, quantos irmãos e irmãs que sentem rancor. É necessário aplicar o amor misericordioso em todas as relações humanas: entre os cônjuges, entre os pais e os filhos, nas nossas comunidades, na Igreja e também na sociedade e na política”, disse Francisco.
Condições do perdão
Não podemos pedir o perdão de Deus para nós se, por nossa vez, não concedermos perdão ao nosso próximo. Assim, rezamos no Pai-Nosso: “perdoai-nos as nossas ofensas como nós perdoamos”. É uma condição. Se pensamos no perdão de Deus, deixamos de odiar, mandamos embora aquele sentimento incômodo denominado rancor, mágoa. Se não nos esforçarmos para perdoar e amar, também não seremos perdoados e amados.
Na verdade, não é tão simples, porque precisamos cultivar três tipos de perdão:
- Buscar o perdão de Deus para nós
- Dar o nosso perdão às outras pessoas.
- Perdoar-nos a nós mesmos.
Cada um destes aspectos está relacionado ao outro.
Ponto de partida para perdoar: valores
É importante, antes de mais nada, perceber os valores das pessoas, mais do que enxergar seus limites e exigir delas o que pretendemos. Temos que “garimpar ouro”. Um garimpeiro de ouro no coração das pessoas não cria o ouro, mas peneira, remove as pedras para que o ouro apareça e brilhe.
Podemos, ainda, entender que, numa pessoa que fere, há uma pessoa ferida.
E mais. Uma pessoa que tem fé vive o que reza: “perdoai-nos as nossas ofensas, como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”. (Cf. Lc 11,4). Foi o que aprendeu na Palavra, com Jesus, como Ele rezava e vivia.
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