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O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, considerado de baixa mobilidade social e educacional entre gerações. É grande a distância entre as camadas sociais mais abastadas e o contingente populacional que vive à margem da sociedade, sem acesso aos direitos mais básicos.
Isso se reflete no ambiente escolar, mas só de olhar a gente não percebe que ali estão alunos de diferentes classes sociais. O uniforme nivela todos, dá unidade visual, porém há quem pague a mensalidade e quem só está ali pela oportunidade de participar do programa social da escola.
Ponto de encontro
A escola é o primeiro ambiente fora do núcleo familiar que a criança frequenta. Ela é o ponto de encontro de pessoas de diferentes realidades e círculos sociais. A riqueza que este ambiente promove permite que as crianças se tornem mais generosas e valorizem a diversidade.
As novas realidades educacionais atuam através de três grandes dimensões que são: a cultura, as políticas e as práticas de educação inclusiva. Nesta perspectiva, os alunos devem ser igualmente valorizados. As diferenças entre os alunos devem ser usadas como solução para o processo de aprendizagem. Dentro da escola, todos devem atuar como agentes educativos acreditando no potencial humano.

Analista de políticas públicas do Instituto Alana, Beatriz Benedito. Foto: Instito Alana
Acolhimento e suporte
Segundo a analista de políticas públicas do Instituto Alana, Beatriz Benedito, para isto acontecer, é importante que a escola esteja preparada para acolher todas as crianças. “Sobretudo, quando escolas privadas têm incorporado em suas metas as ações afirmativas para crianças e adolescentes de diferentes origens das que compõem majoritariamente o grupo de estudantes. Essas escolas precisam construir políticas e planos de ação que ofereçam suporte para que essas crianças, muitas vezes bolsistas, não sofram violências ao estarem expostas a um contexto como este. É importante que os profissionais estejam preparados para receber e acolher estudantes, e que a comunidade escolar esteja envolvida nessas ações”, defende.
O diferente é “estranho”
A desigualdade social é um reflexo da sociedade. Como a escola deve trabalhar os relacionamentos entre os alunos que, na adolescência, julgam e isolam aqueles que consideram “diferentes”?

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É fundamental não estimular situações que reforcem as desigualdades entre eles. “Isso vale tanto para as ações pedagógicas como para as de convivência escolar. Escolas que pretendem oferecer projetos de ação afirmativa precisam envolver os estudantes e toda a comunidade escolar nesse processo, incentivando a participação em grupos como grêmios escolares e estimulando a construção de um ambiente acolhedor e saudável para todos”, acrescenta Beatriz Benedito.
Formação para inclusão
É essencial que os educadores e demais profissionais da educação sejam capacitados para compreender e valorizar a diversidade dos alunos, incluindo suas origens culturais, sociais, étnicas, de gênero, além de suas capacidades individuais. Desta forma será possível reconhecer e superar preconceitos e estereótipos que podem prejudicar a experiência educacional de certos alunos.

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Professores que passaram por formações eficazes saberão como criar um ambiente de sala de aula acolhedor, respeitoso e inclusivo, onde todos os alunos se sintam valorizados e seguros para expressar suas ideias e opiniões.
Ao formar alunos com senso crítico, conscientes de seus direitos e deveres, e que compreendem a realidade econômica, social e política do país, a escola colabora com a construção de uma sociedade mais justa e tolerante.
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