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O outono, aqui, no hemisfério sul, em 2026, chega às 11h45 da sexta-feira, dia 20 de março e encerra em 21 de junho às 05h25.
É a estação de transição entre o verão e o inverno. As temperaturas caem gradualmente. Os dias ficam mais curtos e as noites mais longas. As folhas das árvores mudam de cor e começam a cair.
No outono, também conhecido como estação das frutas, colhem-se maçã, pêra, uva, abacate, goiaba e muitas outras.
O que significa viver o outono
Assim como no outono, as folhas caem para preparar a árvore para a fecundidade de novas folhas, viver o outono significa despojamento, ou seja, passar por uma fase de esvaziamento do que não é mais necessário para se tornar mais fértil.
É tempo de deixar para trás o que não serve mais, como velhos hábitos e apegos, e acolher a vida nova.

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O outono é o momento de colher os frutos do trabalho realizado nos momentos mais produtivos do verão da vida, avaliando as conquistas e revendo lições.
É a estação do amadurecimento das emoções e da compreensão de que a vida é feita de ciclos, que preparam tempos mais calmos ou introspectivos.
Tempo para acolher as surpresas de Deus
Embora seja uma época de término de ciclos, o outono traz a certeza de que Deus nos propõe novos desafios.
O outono não é um tempo de escuridão, mas um tempo do despojamento necessário para dar espaço para a novidade de Deus.
É, portanto, uma fase para voltar-nos para o interior, focando no que realmente importa. Então, é tempo de trocar as vestes e aguardar o Senhor que nos quer encontrar e presentear com belas surpresas.

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Retrato de outono bíblico
Um belo retrato de outono, com sua maturidade, reconhecimento, respeito e plenitude, é descrito na Bíblia por Jó. Ele mesmo se retrata no livro sapiencial de 42 capítulos. Contemplemos um trecho:
“Quem me dera voltar aos tempos de outrora, aos dias em que Deus me protegia, quando a sua lâmpada brilhava sobre a minha cabeça, e com a sua luz eu caminhava no meio das trevas! Pudesse eu reviver os dias do meu outono, quando Deus era íntimo na minha tenda, quando o Todo-poderoso estava comigo, e os meus filhos me rodeavam!
Nesse tempo, eu banhava os pés no leite, e a rocha me dava rios de azeite. Quando eu me dirigia à porta da cidade, e me sentava na praça, ao ver-me, os jovens se escondiam, os anciãos se levantavam e ficavam de pé, os chefes paravam de falar e tapavam a boca com a mão, os políticos emudeciam, e a língua deles ficava colada ao céu da boca.
Todos os que ouviam, me elogiavam, e com os olhos me aprovavam, porque eu libertava o pobre que pedia socorro e o órfão indefeso. Eu recebia a bênção do moribundo, e alegrava o coração da viúva. Eu vestia a justiça como túnica, e o direito era o meu manto e o meu turbante. Eu era os olhos do cego e os pés do coxo. Eu era o pai dos pobres, e me empenhava pela causa de um desconhecido. Eu quebrava o queixo do injusto e arrancava a presa dos seus dentes. Eu imaginava então: ‘Morrerei dentro do meu ninho, e como a fênix multiplicarei os meus dias. As minhas raízes chegarão até a água, e o orvalho pousará nos meus ramos. A minha honra sempre se renovará, e o meu arco se reforçará em minha mão’.

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Todos me ouviam com atenção e, em silêncio, esperavam meus conselhos. Depois que eu falava, ninguém me replicava. As minhas palavras gotejavam sobre eles, que esperavam por elas como chuvisco, e as bebiam como chuva da primavera. Se eu brincava, não acreditavam, e não perdiam nenhuma expressão do meu rosto. Sentado como chefe, eu lhes indicava o caminho, como rei entronizado em meio à sua escolta. Eu os guiava, e eles se deixavam conduzir”, (Jó 29, 1-25).
Como será a descrição do nosso outono?
Jó se descreve como um homem justo, abençoado por Deus, solidário com os pobres, conselheiro e guia das pessoas. E o nosso retrato, como será?
Quem sabe começamos agora a vivê-lo e redigi-lo para que quando chegar o inverno, possamos editar uma expressiva página para compartilhar com nossa família e amigos e aquecer o coração de muita gente com o registro das visitas de Deus no dia-a-dia do nosso outono.
