SAB - Serviço de Animação Bíblica
Serviço de Animação Bíblica (SAB)

Convite a viver no Espírito (Romanos 8) - Dicas Bíblicas / Setembro 2025

Foto: Pixabay


Chegou o Mês da Bíblia! Tudo recomeça quando, a cada ano, os bispos, em diálogo com as instituições de estudos bíblicos, entre elas o SAB (Serviço de Animação Bíblica Paulinas), promovem o conhecimento acurado de um dos livros bíblicos que vem reavivar a vida cristã na Igreja em todo o Brasil. Neste ano, é a Carta aos Romanos que fica aberta para o encontro de Deus com nossas mentes e corações. 

Tudo é vida em movimento 

Em nosso país, a primeira semana de setembro, dedicada à Pátria, lembra-nos que na primavera todos os biomas viram berços naturais onde filhotes de inúmeras espécies de animais povoam tudo de beleza, movimento, som e novidade. O vento espalha o pólen de uma flor para a outra e fecunda a natureza com a vida que vem de Deus.

Faz pensar que Jesus, talvez sentindo a suavidade do vento na face, comparou-o ao Espírito que sopra onde quer (Jo 3,8). O Dia da Árvore (21 de setembro) lembra as florestas com incontáveis seres vivos, todos “em ardente expectativa da liberdade dos filhos de Deus”, conforme intui o autor da Carta aos Romanos (8,19-22). 

Esperança à vista

É de Romanos o lema do Mês da Bíblia de 2025: “A esperança não decepciona” (5,5), escolha feita em sinodalidade com o Ano jubilar que nos convida a sermos “Peregrinos(as) de Esperança”. O “Jubileu” bíblico referia-se a uma pausa a cada 50 anos, tempo em que o Povo de Deus deixava a terra em repouso, devolvia propriedades penhoradas em dívidas e libertava quem, por infortúnio, esteve como escravo de algum credor, segundo o Livro de Levítico 25,8-13. Era um tempo de júbilo na “graça do Senhor” que animava os corações pela chegada da libertação, conforme a profecia de Isaías 61,1-2, que Jesus proclamou ao iniciar a missão na sinagoga de Nazaré (Lc 4,18-19). 

A grande carta

Romanos foi uma carta enviada à Igreja da capital do império (Rm 1,7), integrada por cristãos de diferentes origens: vindos do judaísmo e gentios simpatizantes da liturgia na sinagoga. Ao falar para estes dois públicos, o autor faz três destaques principais: o primeiro é a salvação como dádiva a todo ser humano por graça do mistério pascal de Jesus Cristo (Rm 1,18–4,25) o qual, pelo Batismo, traz a reconciliação e a luz do Espírito Santo; o segundo é a importância do povo de Israel no plano de Deus sobre a salvação, que em Cristo se expande a todos os povos (Rm 9,1–11,36); e o terceiro é o relacionamento entre os cristãos vindos do judaísmo e os que eram antes pagãos (não eram da cultura e religião judaica). A pauta de conduta de todos é a transformação da mente no modo de pensar e agir conforme o Evangelho, tanto na própria comunidade cristã quanto nas relações sociais. 

Do pecado à vida no Espírito (Rm 8)

O capítulo 8 da Carta aos Romanos traz a certeza de que é possível viver livre da escravidão do pecado porque a santidade é ação do Espírito Santo: “todos os que se deixam conduzir pelo Espírito de Deus são filhos de Deus” (Rm 8, 14). Após falar da lei judaica e do poder da morte sobre o gênero humano marcado pelo pecado de Adão, a carta apresenta a nova humanidade reconciliada em Cristo.

No batismo, recebemos a herança do Filho e a certeza escatológica, que consiste em já viver agora na dimensão da eternidade, na esperança da glorificação no fim dos tempos, mesmo ainda peregrinando na história. A carta mostra que há uma complementação entre a vida amparada pela graça do Espírito Santo e o esforço da pessoa em superar o pecado, no processo da salvação e da santificação, que o autor, ao explicar, denomina “expectativa” de uma vida plena inimaginável: “considero que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que está por revelar-se em nós” (Rm 8,18). 

A criação responde a um chamado

O ser humano e todas as criaturas, destinam-se a ser livres das consequências do pecado e do mal: “pois a Criação foi submetida à vaidade, não voluntariamente, mas por vontade daquele que a submeteu, na esperança de que também ela seja liberta da servidão da corrupção para a liberdade da glória dos filhos de Deus” – afirma o autor em Rm 8,20-21.

O convite de Deus, portanto, propõe um caminho progressivo de santificação, porque “sabemos que tudo coopera para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o desígnio dele, porque aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou [...] e àqueles que predestinou, também os chamou, e àqueles que chamou, também os justificou, e àqueles que justificou, também os glorificou” (Rm 8,28-30). 

Tudo vem de Deus 

Outra convicção do autor de Romanos é que Deus Pai sonha ver, na nova humanidade, cada ser humano à imagem do Filho (vv. 28-30). Por fim, tem-se a grande declaração de amor do próprio Deus de que nada: nenhum sofrimento ou perseguição poderá separar-nos do amor de Cristo; também não há quem possa acusar os que mergulharam no amor de Deus pelo batismo. As contradições do mundo trazem o risco de decepcionar quem vive na esperança e desviar a direção do caminho rumo ao chamado de Deus. Pensando nessa dimensão de fraqueza humana, a carta garante que “Deus é por nós” e nesta certeza, “Quem será contra nós? Cristo Jesus, que morreu, ressuscitou e está à direita de Deus, intercede por nós. Portanto, “quem nos afastará do amor de Cristo?” E assegura: “Nada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,31.34-35.39). 

“Esperançar” é o tom

O saudoso papa Francisco comparou a Igreja sinodal a uma sinfonia regida por Cristo e pelo Evangelho, ao anunciar o Jubileu da Esperança por meio da bula Spes non confundit (A esperança não decepciona - Rm 5,5), recomendou que o Ano Santo de 2025 fosse “caraterizado pela esperança que não conhece ocaso, a esperança em Deus. “Que nosso testemunho de fé seja fermento de esperança genuína no mundo, anúncio de novos céus e nova terra (2Pd 3, 13), onde habite a justiça e a harmonia entre os povos, visando a realização da promessa do Senhor” – concluiu o Papa (n. 25).

O convite do Mês da Bíblia, portanto, é afinar-se com a pauta da sinfonia que o Espírito Santo faz ecoar por toda a Criação, para que assim “a força da esperança encha nosso presente, aguardando com confiança o regresso do Senhor Jesus Cristo, a quem é devido o louvor e a glória agora e nos séculos futuros” - finaliza Francisco na Bula do jubileu, inspirado na Carta aos Romanos. 

Pausa para refletir

1. Neste Mês da Bíblia, o que posso fazer para conhecer melhor a Carta aos Romanos?
2. Como sinto em mim a ação do Espírito Santo que liberta do pecado e conduz à santidade?  
3. Quais ações me fazem participar da esperança da Criação de ser libertada do pecado? 

Para aprofundar sobre o Mês da Bíblia, sugerimos a série de vídeos preparados por Paulinas.

Conheça o livro da autora deste artigo: Milagres de Jesus nos Evangelhos

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