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Cresce número de idosos no Brasil

País tem envelhecimento recorde, um dos principais impactos é na área da saúde

Foto: Pexels

Você sabia que os idosos já somam quase 11% da população brasileira? Dados do Censo Demográfico de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), comprovam um índice de envelhecimento recorde: o número de idosos no Brasil cresceu 57,4% entre 2010 e 2022. No mesmo período, o país teve uma redução na população de crianças e adolescentes.

Mas qual é a explicação para o movimento de envelhecimento da população? Segundo o gerente de Estimativas e Projeções de População do IBGE, Márcio Mitsuo Minamiguchi, a principal razão é a redução da fecundidade. “Com a manutenção de níveis de fecundidade baixos ao longo do tempo, há uma redução do número de nascimentos e, com isso, o estreitamento da base da pirâmide”, explica.

Menos crianças, mais idosos

A projeção de inversão da pirâmide etária está em curso e está ocorrendo de forma rápida. Isso significa uma mudança significativa na composição da população, com menos crianças e mais idosos.  E o impacto disso é muito grande! 

Foto: Pexels

“Existem novas demandas em relação a políticas públicas, mas também em relação à economia e mesmo com relação aos gastos dos indivíduos e das famílias. Pensar em políticas públicas relacionadas a uma sociedade em envelhecimento é pensar em uma sociedade com crescentes gastos em saúde e previdência, com uma força de trabalho em declínio, e isso configura um grande desafio. Para o futuro, é preciso olhar muito para a base da pirâmide, com investimentos na parcela mais jovem, que vão ser a força de trabalho mais adiante e deverão estar preparados”, afirma Márcio Mitsuo Minamiguchi.

Envelhecer com autonomia

Se os desafios econômicos, sociais, de mobilidade urbana e previdência social são enormes, o que dizer então da área da saúde? A geriatra e especialista em envelhecimento ativo Dra. Ronny Roselly Domingos destaca a questão da fragilidade.

Dra. Ronny Roselly, geriatra e especialista em envelhecimento ativo. Foto: Arquivo Pessoal

“Envelhecer está relacionado à diminuição de reservas fisiológicas, que, em algum momento, vai aumentar o processo de fragilidade. Por isso é importante estar preparado para o processo de fragilidade não só com hospitais, mas com equipes multiprofissionais que sejam capacitadas na saúde do idoso. O desafio é manter a pessoa em processo de envelhecimento com autonomia e independência para que possa tomar conta de si mesma”, explica.

Segundo a geriatra, o olhar de hoje para o envelhecimento é muito tardio, todos acabam lidando muito mais com problemas já instaurados do que com a prevenção a esses problemas. “A fragilidade e a dependência vão acontecer numa população que não se preveniu. Envelhecer é um processo contínuo que começa muito antes do que consideramos idoso, aquela pessoa com 60 anos. Muitas das questões que a gente atribui ao envelhecimento não são resultado da idade, mas da forma como vivemos. Tanto a população jovem quanto a de meia-idade deve manter o controle de doenças crônicas (hipertensão, diabetes, osteoporose), o consumo adequado de proteínas e alimentos de boa qualidade, além de um baixo acesso aos complicadores do envelhecimento: baixa escolaridade, alimentos ultraprocessados, poluição ambiental, dificuldades em relação ao sono e déficit auditivo na meia-idade”, orienta. 

O idoso de amanhã

O Estatuto do Idoso define como idoso a pessoa de 60 anos ou mais. Porém, o corte de 65 anos ou mais foi utilizado na análise do IBGE para manter comparabilidade internacional e com outras pesquisas que utilizam essa faixa etária, como no mercado de trabalho.

Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE. Foto: Licia Rubinstein
 

“O aumento da população de 65 anos ou mais, em conjunto com a diminuição da parcela da população de até 14 anos no mesmo período, que passou de 24,1% para 19,8%, evidencia o franco envelhecimento da população brasileira”, justifica Izabel Marri, gerente de Estudos e Análises da Dinâmica Demográfica do IBGE. 

O que eu faço hoje terá reflexo no idoso que serei amanhã. Por isso, é essencial que a sociedade fale mais sobre o assunto. Com mais informação e entendimento sobre o processo de envelhecimento, é possível prevenir as fragilidades.

Centros multiprofissionais de cuidado e atenção especializada ao idoso são uma necessidade urgente.

 

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