
Foto: Magnific
Esses dias decidi sair para um lugar onde eu encontro conforto: a livraria. Gosto daquele silêncio que carrega histórias, ensinamentos e acalenta o coração cansado da dura realidade do mundo. Porém, diferente das outras vezes, eu acabei por me encontrar com uma amiga.
Poderia ter sido algo casual, exatamente como começou: eu, como de costume, disse “Oi, tudo bem?”, ela me abraçou, respondeu que sim e me fez exatamente a mesma pergunta. Respondi da maneira que somos condicionados a responder por instinto: “Estou bem, graças a Deus!”, mas, por estar distraída com o movimento ao nosso redor, acabei por perguntar uma segunda vez se ela estava bem. Então, algo diferente aconteceu.
“Já que você perguntou de novo…” e ali ela começou a me contar o que estava sentindo, as dificuldades que vinha passando, os problemas médicos… Ficamos ali, paradas em um corredor, rodeadas de livros, mas imersas em uma história puramente real, cotidiana, que fica escondida no íntimo de cada um, com seus altos e baixos, dores e alegrias.

Foto: Magnific
Confesso que a liberdade com a qual ela falava me surpreendeu. E, no final, ela me presenteou com uma frase que foi o ponto alto do meu dia: “Obrigada por me escutar”.
Aquilo me fez refletir que, embora imersos em um mundo repleto de tecnologias, inovações e avanços em busca de uma vida melhor, no fundo, o que realmente precisamos para mudar o mundo é a capacidade de escutar e olhar para o outro uma segunda vez.
