Vocação Paulina

De aniversário, Paulinas tem muito a contar e agradecer!

Deus, comunicador de vida, convoca mulheres para anunciá-lo. No dia 15 de junho, as Paulinas celebram 109 anos da fundação da Congregação com testemunhos

Conversamos com algumas irmãs sobre a importância da família e da comunidade, espaços privilegiados para a descoberta vocacional e o seguimento de Jesus. Nossa conversa resultou na revelação da pedagogia de Deus original em cada pessoa.

Irmã Preta (Maria Imaculada), que realiza a missão paulina em Belém (PA) compartilha as origens da sua vocação

"Sou Irmã Preta. Filha de pai baiano e mãe mineira. Minha família é muito numerosa: oito tios e muitos primos. Até ingressar na Congregação morava em Oroitê, distrito de Iporã (PR). 
Na época de minha infância, celebração eucarística era rara. No entanto, se vivia todos os tempos litúrgicos, pois minhas tias eram professoras e católicas praticantes.  Desde o Advento, Natal com plantações de arroz em tabuleiro, para ornamentar o presépio, construção de anjos de papel, lamparina... Reis, com cantigas e visitas às casas, quaresmas com rigorosos jejuns, via-sacra, mês mariano com terços, procissões, novenário a Santos. E, como todo paranaense, pelo menos, uma visita ao Santuário de Aparecida. Não tenho dúvida de que minha vocação tenha sido alimentada, destas práticas e fé enraizada na família e na comunidade. Meu contato com freiras foi bem mais tarde, através da escola, a qual era gerenciada por religiosas. A decisão pela vida religiosa só aconteceu no ensino médio, quando conheci as Paulinas. Surpresa para todos. Pois tinha vida normal como todas as jovens da família.  Sou a terceira de quatro irmãs. A primeira a sair de casa... acredito que minha perseverança se dá no testemunho da família e amigos que sempre me apoiaram e se orgulham da minha opção.  Na Congregação, vivo na esperança de conversão até que Cristo se forme em mim".

Do Norte viemos para São Paulo, onde encontramos, no bairro Grajaú, na movimentada obra social de Paulinas, Irmã Carmita Santana, que há anos responde por esta importante missão paulina. Ao observar as crianças, adolescentes e jovens que acompanha, diz:

Irmã Carmita Santana fala da importância do convívio familiar

 

"Acredito muito na presença da família, sobretudo no que diz respeito aos filhos. Percebe-se uma diferença muito grande na criança quando há convívio familiar e criança que não tem a graça deste convívio.
O convívio familiar leva a ser mais alegre, mais segura nas decisões, menos agressiva e menos carente. A criança e o adolescente, privados desta vivência, normalmente são menos alegres, consequentemente mais agressivos, e sua aprendizagem é mais lenta, devido à falta de convívio familiar, à falta de estímulo, de aprovação diante do seu aprendizado. 
As crianças sofrem muito quando não há uma presença familiar saudável, um passeio ao parque com toda a família, um estar à mesa com todos pelo menos uma vez por semana. Alguém que olhe o seu caderno e valorize o seu aprendizado. Enfim, para haver um bom desenvolvimento em todos os aspectos, é necessário um bom convívio familiar". 

Irmã Izonete Dalla Corte desde cedo foi envolvida nas pastorais

Ouvimos também Irmã Izonete, gaúcha, que foi por muito tempo formadora de noviças. Hoje atende, solícita, irmãs que, pela idade ou pouca saúde, precisam de atendimento. Ela recorda, com alegria e nos fala, de sua família e da comunidade paroquial que colaboraram na sua decisão para ser paulina. 


"Sou Irmã Izonete Dalla Corte, nasci em uma família católica, com forte devoção à Nossa Senhora de Fátima. Cresci participando da reza do terço todas as noites em família, inclusive aos domingos. Era costume colocar as intenções pelas vocações, nomes de pessoas doentes e necessitadas de algo e lembro com carinho e alegria.
Os freis franciscanos costumavam envolver as famílias nas pastorais, sobretudo as crianças, os jovens e os adultos nos grupos das CEBs. E eu participava desses momentos e recordo com carinho das muitas vezes em que os freis convidavam para as missões, anunciar a Palavra de Deus e ajudar as pessoas, vivendo e falando de Jesus Cristo.
Foi um processo que foi despertando dentro de mim o desejo de ser uma religiosa e fazer algo, além do vivido.
Deus foi me conduzindo e, certo dia, conheci as Irmãs Paulinas, mais precisamente Ir. Amábile Zuppardo, fsp, e ela, ao me fazer o convite para ser uma Irmã Paulina, veio ao encontro do que eu mais estava desejando, com o coração ardente: viver e comunicar Jesus Cristo Mestre, Caminho, Verdade e Vida, com a comunicação.
Diante dessa minha decisão e opção de vida, posso dizer que recebi o incentivo de minha comunidade paroquial, uma professora, da equipe vocacional da comunidade, sobretudo de minha querida família, que sempre me apoiou desejando minha felicidade e realização.
Aqui estou, feliz, vivendo a vocação paulina". 

E não podemos esquecer sua frase motivacional: "Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus!" (Rm 8,28).


Irmã Líria Grade, atualmente missionária em Boston (USA), fala da bonita vivência da oração em família e da comunidade de fé

"Minha família nos ensinou a seguir Jesus por meio de Maria, pois o terço era a oração que nos trazia juntos como família! E aos domingos não podíamos faltar ao culto dominical, onde a comunidade se reunia em torno da Palavra de Deus. Não tínhamos padre e foram nossos pais que nos ensinaram a caminhar na fé, cultivar a fé pela oração. Uma oração que brotava sempre de um coração agradecido por aquilo que o Senhor nos tinha dado. Meu pai era benzedor da comunidade, homem de profunda fé que rezava pelas pessoas que, todos os dias, chegavam à nossa casa com problemas de saúde. Muitas vezes eu o ajudava. Como éramos líderes da pequena comunidade, nossa vida era sempre muito envolvida em todas as atividades da comunidade.  Entre ser catequista e ajudar nas outras atividades, nos deu um senso de pertença grande à comunidade de fé, de onde nasceu a vocação para a vida consagrada".

Irmã Joana T. Puntel foi uma pequena coroinha que respondia à Missa em latim! Seu relato mostra como se tornou uma comunicadora de Deus, além do português.

" A família foi fundamental na minha vida, dispensando-me muito amor, muito cuidado pelo meu crescimento na fé, na educação. Foram sempre incentivos que marcaram minha vida de criança, adolescência e juventude.
Quando pequena, acompanhava minha mãe para a Missa diária, bem cedinho, onde eu vi e amei a devoção dela à Nossa Senhora, Mãe do Divino Amor. A Missa era em latim e as senhoras rezavam o terço. Eu, no presbitério, num banquinho ao lado do altar, servia de coroinha e respondia em latim, que meu pai ensinara.
Rezávamos o terço todas as noites, em família, às 18h. Algo muito importante presenciei, naqueles tempos, que calou profundamente em mim: meu pai, que tinha comércio (uma venda), não podia estar conosco na hora do terço. Mais tarde, porém, ele se recolhia em uma sala grande de minha casa e, em frente a um quadro grande do Sagrado Coração de Jesus, em pé, rezava o terço. Algumas vezes, eu precisava passar por aquela sala. Então, me escondia atrás da porta para contemplar meu pai rezando. Parece-me, ainda, de ver o terço em suas mãos e inclinar a cabeça para rezar o Glória ao Pai. Eu, então, não entendia o porquê daquele gesto. Só mais tarde, aprendi a profundidade da adoração à Trindade, que meu pai realizava, no silêncio da sala, já meio escura. Agradeço a Deus pela minha família ter-me plasmado na vivência da fé.
Senti o chamado para a vida religiosa, ainda na minha adolescência. Tudo foi amadurecendo aos poucos e entrei na Congregação das Irmãs Paulinas, onde vivo minha vocação em comunicar Jesus, Caminho, Verdade e Vida, evangelizando com os meios de comunicação. Em comunidade, vivendo com minhas coirmãs, ganhei uma nova família, que se apoia mutuamente para a expansão do Reino de Deus na e com a comunicação. Obrigada!"


Irmã Mirian Rotta, com seu enorme coração missionário, fala da sua vocação, apontando para um tríplice Dom

- Ser escolhida e amada por Deus
- Ter uma família que sempre me ensinou os valores da vida e do serviço 
- Ter uma Congregação que sempre me faz viver com pessoas desconhecidas e em terra estrangeira e descobrir os valores

Irmã Maria Goretti, uma história perpassada pelo cuidado e amor de Deus

"O chamado de Deus, segundo o profeta Jeremias, começa desde o ventre materno. Mas é no seio da família e da comunidade que ele vai se manifestando. A voz de Deus ao me chamar foi discreta, mas constante. Lembro-me de que, após ter aprendido a rezar, eu o fazia todos os dias, antes de dormir e ao acordar. O meu pai rezava antes das refeições, inclinava a cabeça e agradecia pelo alimento. Minha mãe rezava em muitos momentos do dia. Nos finais de semana, íamos cedo à comunidade paroquial para, antes da missa, rezarmos o Ofício da Imaculada Conceição, o terço ou para colaborarmos em alguma atividade. Eu cresci no seio de uma família de muita oração. Das memórias que trago, sinto que a minha história é perpassada pela presença de Deus, e ele me seduziu, por sua proximidade, cuidado e amor. Chamou-me para ser Dele, e me enviou para ser mediação do seu amor de salvação". 

Irmã Lourdes Silva fala com prazer dos “alicerces” do seu seguimento de Jesus

"Tenho prazer de falar sobre temas tão importantes em nossas vidas: a família e a comunidade. São como a "pedra", a rocha de sustentação, que alicerça o meu seguimento de Jesus.
A base de ambas é a fé, cuja fonte é o amor de Deus por nós. Dele é a iniciativa de nos chamar, escolher, perdoar... apesar de nossas fragilidades e diferenças".

Irmã Edimá Enedina fala da graça que a acompanha “sem cessar”


"Teus caminhos conheci desde pequeno, tua graça me acompanha sem cessar..." Assim canta o Pe. Zezinho, scj, numa de suas canções em que expressa a minha experiência de chamado e resposta a Deus.
A prática religiosa da fé vivida em meu ambiente familiar aconteceu através do ensinamento oral das principais orações aos filhos, de levá-los à Igreja para receber os Sacramentos e o testemunho dos valores cristãos da partilha, ajuda e vivência do perdão. Meu pai era benzedor e atendia muitas pessoas que buscavam curas para suas enfermidades e conselhos. A mãe, sempre ocupada com a Igreja doméstica, pouco participava da caminhada paroquial. E eu, desde criança, amava ir para a catequese, participar das Missas, rezar o terço, novenas com os vizinhos e colaborar nas pastorais da catequese, liturgia e grupo vocacional.
Foi nesse contexto familiar, o testemunho de leigos engajados e das religiosas existentes na Paróquia, que, aos 9 anos, senti o desejo de consagrar minha vida a Deus para que todas as pessoas pudessem conhecê-lo e servi-lo com amor.
A vocação do Apóstolo Paulo, que continua viva através da missão paulina, é o que me realiza e me torna feliz".

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