Santo Antônio intermediário entre o céu (Menino Jesus) e os homens de Lorenzo Quinn (1995) - Pádua, Itália. Foto: Juliene Barros
Santo Antônio é de Lisboa ou de Pádua? Um santo amado por todos!
Todos os anos, junho reacende uma “disputa” cheia de carinho e orgulho entre portugueses e italianos: afinal, Santo Antônio é de Lisboa ou de Pádua?
Os lisboetas recordam, com razão, que ele nasceu em Lisboa por volta de 1195, recebeu o nome “Fernando de Bulhões” e iniciou ali sua caminhada cristã e religiosa. Já os italianos respondem rapidamente: “Sim… mas foi em Pádua que ele viveu seus últimos anos, pregou, realizou milagres e descansou para sempre”.
A melhor resposta pode ser outra: Santo Antônio pertence ao povo.
À gente simples que lhe acende velas;
Às famílias que pedem proteção;
Aos pobres pelos quais ele tanto se dedicou;
E aos corações que encontram ainda hoje esperança através de sua intercessão.
Não por acaso, ele se tornou um dos santos mais populares do mundo católico.

Fachada de azulejos portugueses com referência a Santo Antônio, Lisboa, Portugal. Foto: Juliene Barros
O pregador que tocava multidões
Muito além das tradições populares, Santo Antônio foi um dos maiores pregadores da Igreja. Seu conhecimento das Escrituras impressionava.
Sua palavra unia profundidade, firmeza e compaixão. Pregava para multidões em tempos difíceis, chamando o povo à conversão, à justiça e à confiança em Deus.
Talvez por isso impressione tanto o fato de algumas relíquias, ligadas justamente à sua voz, permanecerem conservadas em Pádua, na Itália.
Na Basílica de Santo Antônio, encontram-se guardadas relíquias como a língua incorrupta, a mandíbula e até partes do aparelho vocal do santo. Também estão preservados fragmentos do corpo, fios de cabelo e outros sinais concretos da presença daquele homem que gastou a própria vida anunciando Cristo.
E uma mensagem que continua atual. Em meio a tantos ruídos do mundo, o testemunho de Santo Antônio ressalta que a Palavra de Deus sempre tem o poder de alcançar, consolar, transformar e trazer paz ao coração humano.

Relíquia da Língua de Santo Antônio - Pádua, Itália. Foto: Gracielle Reis
O túmulo que acolhe silenciosamente milhares de peregrinos
Quem visita a Basílica em Pádua encontra um dos lugares mais emocionantes do santuário: o túmulo de Santo Antônio.
Ali, milhares de peregrinos aproximam-se em silêncio, tocam a lápide de mármore verde e fazem suas orações mais profundas. Há quem leve gratidão, sofrimentos, saudade, ansiedade ou pedidos impossíveis.
Uma oração tradicional feita no local resume bem esse espírito de confiança:
Ó Senhor, pela intercessão de Santo Antônio,
ilumina o meu coração; concede-me fé e coragem
nas provações da vida, abençoa o meu caminho cristão.
Concede-me a graça pela qual rezo…
Túmulo de Santo Antônio - Pádua, Itália. Foto: Juliene Barros
Santo Antônio também canta no coração do povo
Ao longo dos séculos, Santo Antônio ganhou inúmeros títulos populares: “santo dos pobres”, “santo dos milagres”, “santo casamenteiro”, “protetor das famílias” e “intercessor das causas difíceis”.
Contudo, um dos maiores motivos de sua proximidade com o povo é porque ele nunca anunciou um Deus distante. Uma forte devoção que continua viva em procissões, trezenas, festas populares, pães de Santo Antônio e orações simples rezadas dentro de casa. E também na música!
Na playlist “Santo Antônio – O santo querido do povo”, estão orações, Trezena de Santo Antônio e músicas para celebrar um dos santos mais amados do mundo.
Além disso, para aprofundar na vida dele, confira também diversas publicações da Paulinas Editora dedicadas à espiritualidade e à história de Santo Antônio.
Entre cantos, orações e textos, permanece eloquente a voz daquele jovem de Lisboa que se tornou pregador em Pádua e, séculos depois, segue conduzindo tantas pessoas para mais perto de Deus.
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