
O mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Foto:Freepik
O Brasil já ultrapassa 1,2 milhão de casos de dengue, mas em poucos dias, este dado ficará desatualizado. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil deve registrar 149% mais casos em 2024, sendo esperados 4,2 milhões de infectados neste ano.
Isso pode estar relacionado a diversos fatores, como a introdução de novos sorotipos do vírus no país, o impacto das mudanças climáticas e a redução nas medidas de combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti.
A dengue não é uma novidade, sabemos que é uma doença cíclica, que costuma provocar epidemias de tempos em tempos (a cada 3 ou 4 anos), mas a COVID-19 mudou um pouco nessa dinâmica.
Em geral, há um crescimento de casos no final de março e começo de abril.
Entretanto, o número de infectados vem aumentando desde janeiro. Diante disso, ainda é esperado um aumento dos casos no início do outono, com um decréscimo nos meses de inverno.

Dr. Fláubert Farias, infectologista pediátrico do Hospital São Luiz de Osasco. Foto: Divulgação
“Temos observado a cocirculação dos 4 sorotipos da dengue, algo que tecnicamente nunca aconteceu. Isso implica que as pessoas podem adoecer mais de uma vez, pois um sorotipo não gera proteção para o outro. É preciso lembrar que a temperatura do planeta está ficando mais elevada, e isso aumenta a proliferação e o tempo de vida do mosquito, aumentando sua reprodução e a atividade biológica. Com isso, são mais mosquitos, em muitos locais e picando mais”, explica o infectologista pediátrico do Hospital São Luiz de Osasco, dr. Fláubert Farias.
Prevenir é o melhor remédio
Embora exista vacina contra a dengue, o controle do mosquito Aedes aegypti ainda é o principal método para a prevenção e controle da doença e outras arboviroses urbanas (como chikungunya e Zika). Todos devem ajudar através de vários cuidados, como:
- Uso de telas em janelas e repelentes em áreas de transmissão conhecida;
- Não deixar água parada em garrafas, vasos de planta, pneus ou qualquer recipiente que possa ser transformado em criadouros de mosquitos;
- Manter lixeiras tampadas e protegidas da chuva;
- Limpar os vasinhos de planta e vasilhas usadas para colocar água para animais;
- Retirar água de plantas que acumulam água, como as bromélias;
- Manter as piscinas sempre limpas;
- Desobstrução e limpeza de calhas, lajes e ralos;
- Manter os reservatórios, caixas d' água e cisternas tampadas;
- Descartar adequadamente objetos que acumulam água.
“É importante destacar que, com a introdução de mais sorotipos novos do vírus da dengue, ao adotar medidas de controle ao vetor, a possibilidade de se interromper a cadeia de transmissão é reduzida. Diante disso, em períodos fora da sazonalidade da doença é que ações de prevenção devem ser adotadas, sendo esse o momento ideal para manutenção de medidas que visem impedir epidemias futuras”, acrescenta o médico.
Repelente
De acordo com o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Dermatologia, os repelentes de uso tópico podem fazer parte dos cuidados contra a dengue. Contudo, devem conter uma das seguintes substâncias: Icaridina, DEET ou IR3535.

Foto: Freepik
Confira alguns cuidados em relação ao uso de repelentes:
- Aplique somente nas áreas expostas do corpo e também por cima da roupa;
- Não aplicar mais que 3 vezes ao dia, devido ao risco de causar intoxicação. A reaplicação deve ser feita de acordo com a indicação de cada fabricante;
- Caso haja uso de hidratante ou filtro solar, aguarde secar e aplique o repelente após 15 minutos do uso destes produtos. O repelente sempre deve ser o último a ser aplicado;
- Para aplicação da forma spray no rosto ou em crianças, o ideal é aplicar primeiro na mão e depois espalhar no corpo, lembrando sempre de lavar as mãos com água e sabão depois da aplicação;
- Em caso de contato com os olhos, lavar imediatamente a área com água corrente;
- Não dormir com repelente. Tome um banho para remover o produto antes de dormir.
Vacina
O Ministério da Saúde recebeu, ao todo, 6,5 milhões de doses para atender ao público-alvo com um esquema vacinal em duas doses, que serão distribuídas aos municípios selecionados de forma progressiva, ao longo dos próximos meses.
O público-alvo da campanha de vacinação (10 a 14 anos) corresponde a um total de 3.250 milhões de pessoas.
São duas as vacinas contra a dengue aprovadas pela Anvisa:
- QDENGA (laboratório Takeda), indicada para a prevenção de dengue em indivíduos dos 4 aos 60 anos de idade, com ou sem infecção anterior confirmada por teste. O esquema vacinal consiste em duas doses, com intervalo de 3 meses entre elas.
- DENGVAXIA (laboratório Sanofi), indicada para a prevenção da dengue causada pelos sorotipos 1, 2, 3 e 4 do vírus da dengue em indivíduos dos 6 aos 45 anos de idade, com infecção anterior por dengue confirmada por teste. O esquema de vacinação primária consiste em 3 doses, com intervalos de 6 meses entre elas.
Como diferenciar a dengue clássica da dengue grave?
A dengue é uma doença que se caracteriza por febre alta que se inicia de maneira abrupta, dores no corpo, dor de cabeça e surgimento de manchas vermelhas pelo corpo. A dengue clássica pode ser controlada com tratamento para aliviar os sintomas. Já o tipo mais grave da doença, requer intervenção médica imediata, monitoramento rigoroso e cuidados intensivos.
Os sintomas iniciais são semelhantes nos primeiros dias. De acordo com o Ministério da Saúde, qualquer pessoa com febre súbita (entre 39° e 40°) e pelo menos duas das seguintes manifestações – dor de cabeça, fadiga, dores musculares ou articulares, e dor nos olhos – deve procurar assistência médica.

Campanha Nacional de combate ao mosquito. Foto: Divulgação
“A pessoa infectada pode apresentar três fases clínicas: febril, crítica e de recuperação. A fase febril tem a duração de dois a sete dias. Metade dos pacientes pode apresentar manchas vermelhas no corpo, podendo ou não ter prurido (coceira). Após a fase febril, a maioria dos pacientes apresenta boa recuperação ao longo das semanas seguintes, ocorrendo melhora do estado geral e retorno do apetite. No entanto, algumas pessoas podem evoluir para uma forma grave, chamada de fase crítica, que tem início com o desaparecimento da febre, ou seja, entre três e sete dias do início da doença. Os sinais de alarme, quando presentes, surgem nessa fase da doença, consistem em: dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, sangramentos (nariz ou boca), entre outros”, esclarece o dr. Fláubert Farias.
Saiba mais:
Confira na página do Ministério da Saúde a campanha contra a dengue e os números atualizados da doença no Brasil. “Combate ao mosquito, para fazer diferente precisamos agir antes”: https://www.gov.br/saude/pt-br/campanhas-da-saude/2023/combate-ao-mosquito
