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Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência: por que essa data importa

O intuito é chamar a atenção para os avanços e os desafios da participação feminina no meio científico

Foto: Pexels

Celebrado em 11 de fevereiro, o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência foi criado para reconhecer o papel fundamental das mulheres no avanço do conhecimento científico e chamar a atenção para as desigualdades de gênero que ainda persistem nesse campo. Instituída em 2015 pela UNESCO e pela ONU Mulheres, a data tem como objetivo ampliar a participação feminina na ciência e promover a igualdade de oportunidades, conforme a Resolução A/70/212 da ONU.

Historicamente, muitas cientistas enfrentaram obstáculos para ter suas descobertas reconhecidas em áreas tradicionalmente dominadas por homens. Apesar disso, suas contribuições foram decisivas para transformar o mundo e abrir caminhos para novas gerações. Hoje, a data vai além da celebração: é também um convite à reflexão e à ação para superar barreiras sociais, culturais e institucionais que ainda limitam a plena participação de mulheres e meninas no meio científico.

Foto: Pexels

Segundo dados da ONU, as mulheres representam cerca de 33% dos pesquisadores no mundo, com presença ainda menor nas áreas STEM — sigla em Inglês para ciência, tecnologia, engenharia e matemática — frequentemente associadas ao universo masculino. Para a presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Procópio Garcia, há motivos para comemorar, mas também para reforçar a urgência de mudanças estruturais. “Temos, sim, conquistas importantes, mas ainda há um longo caminho a percorrer”, afirma.

De acordo com a pesquisadora, embora no Brasil as mulheres já sejam maioria entre os títulos de doutorado e tenham participação expressiva na produção científica, elas continuam sub-representadas em cargos de liderança, grandes grupos de pesquisa, academias científicas e setores estratégicos de alta tecnologia. “Nas áreas STEM, a presença feminina diminui à medida que aumentam o prestígio, o poder institucional e o acesso a recursos”, destaca.

A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Francilene Procópio Garcia: "As mulheres ainda têm que percorrer um longo caminho". Foto: Divulgação

Essa desigualdade, segundo Francilene, é estrutural. Um exemplo está no sistema de bolsas de produtividade do CNPq: apesar da forte presença feminina na formação e na produção científica, os homens são maioria nos níveis mais altos da carreira, concentrando recursos, visibilidade e poder de decisão. Além disso, projetos liderados por mulheres costumam receber menos financiamento e enfrentar maior risco de descontinuidade, especialmente quando há interrupções de carreira ligadas à maternidade e ao cuidado.

Para mudar esse cenário, a presidente da SBPC defende políticas públicas consistentes e de longo prazo, que começam na educação básica, com o estímulo à educação científica de meninas e o enfrentamento precoce de estereótipos de gênero. Ela também destaca a importância de ações afirmativas, ajustes nos critérios de avaliação acadêmica e políticas institucionais que considerem trajetórias diversas.

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Nesse contexto, a SBPC tem papel estratégico. Desde sua fundação, a entidade defende a ciência como bem público e a equidade de gênero como condição essencial para o desenvolvimento do país. Entre suas iniciativas estão o Prêmio Carolina Bori, que valoriza trajetórias de mulheres cientistas, e o programa SBPC Vai à Escola, que aproxima meninas do universo científico desde cedo.

“O protagonismo feminino não é apenas uma pauta identitária, mas uma estratégia essencial para ampliar a qualidade da ciência e seu impacto social”, conclui Francilene. O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência reforça que não há futuro para a ciência sem igualdade e que apoiar mulheres no meio acadêmico é investir em um conhecimento mais justo e transformador.

 

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