
Imagem gerada por OpenAI/ChatGPT
Um ministério que muitos conhecem... mas poucos sabem explicar
Você provavelmente já viu um diácono proclamar o Evangelho durante a Missa, celebrar um Batismo ou auxiliar o sacerdote no altar. Mas talvez não saiba responder algumas perguntas bastante comuns.
Um diácono pode casar? Qual é a diferença entre um diácono permanente e um transitório? Um diácono viúvo pode se casar novamente? E por que São Lourenço é considerado o padroeiro dos diáconos?
No primeiro domingo do mês vocacional, a Igreja no Brasil celebra a vocação sacerdotal e os ministérios ordenados, recordando bispos, padres e também os diáconos, ministros cuja missão é profundamente marcada pelo serviço.
Embora muitos católicos convivam com diáconos em suas paróquias, nem todos conhecem a riqueza desse ministério, restaurado em sua forma permanente pelo Concílio Vaticano II e cada vez mais presente nas comunidades.
Mais do que uma função, o diaconato é uma vocação: um chamado para servir a Cristo, à Igreja e aos irmãos.
Quem é o diácono?
O diácono recebe o primeiro grau do Sacramento da Ordem, seguido pelo presbiterado (padres) e pelo episcopado (bispos).
A própria palavra "diácono" vem do grego diákonos, que significa servo ou aquele que serve. Não por acaso, sua missão está intimamente ligada ao exemplo de Jesus, que afirmou: "O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir" (Mc 10,45).
Desde os primeiros séculos do cristianismo, os diáconos colaboram com os bispos e presbíteros na vida da Igreja. O livro dos Atos dos Apóstolos (At 6,1-6) apresenta a escolha dos sete primeiros diáconos para cuidar das necessidades da comunidade, permitindo que os apóstolos permanecessem dedicados à oração e ao anúncio da Palavra.
Hoje, esse ministério continua presente por meio do serviço à Palavra, à Liturgia e à caridade.
O que faz um diácono?
O diácono proclama o Evangelho durante a Missa, pode fazer a homilia quando autorizado, administrar o Batismo, assistir e abençoar casamentos. Além disso, lhe é permitido presidir exéquias, celebrar a Liturgia das Horas, conduzir celebrações da Palavra e desenvolver inúmeras ações de evangelização e assistência aos mais necessitados.
O que é necessário para um homem ser ordenado diácono?
A ordenação diaconal não acontece apenas porque alguém deseja servir à Igreja. Antes dela, existe um caminho de discernimento, formação humana, espiritual, intelectual e pastoral, acompanhado pelo bispo e pelos responsáveis da diocese.
Entre os requisitos estão a maturidade humana e cristã, vida de oração, idoneidade moral, espírito de serviço, capacidade para exercer o ministério e o devido tempo de formação. Quando o candidato é casado, a Igreja pede também o consentimento expresso da esposa, que participa desse caminho vocacional ao lado do marido.
Existe diácono "provisório" e "permanente"?
Muita gente chama de "provisório". O termo correto, porém, é “diácono transitório”. E uma dúvida muito comum diz respeito às duas modalidades do diaconato.
O diácono transitório é aquele que recebeu a ordenação diaconal como etapa anterior ao sacerdócio. Após um período de preparação e exercício ministerial, será ordenado padre.
Já o diácono permanente é chamado a permanecer nesse ministério por toda a vida. Uma vocação própria, que permite a ordenação de homens solteiros ou casados, desde que preencham os requisitos estabelecidos pela Igreja, como aqueles presentes nos seguintes documentos publicados pela Santa Sé: as Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes e o Diretório para o Ministério e a Vida dos Diáconos Permanentes.
Em ambos os casos, trata-se do Sacramento da Ordem. O que muda é o caminho vocacional ao qual cada um foi chamado.
Por que a estola do diácono é diferente?
Outra curiosidade que chama a atenção dos fiéis é a forma como o diácono utiliza a estola. Enquanto o padre e o bispo usam-na sobre os dois ombros, caindo verticalmente sobre o peito, o diácono a veste na transversal, apoiada sobre o ombro esquerdo e presa ao lado direito do corpo.
Esse modo de usar a estola tornou-se um dos sinais visíveis do ministério diaconal. Ele distingue o primeiro grau do Sacramento da Ordem e recorda simbolicamente a missão própria do diácono: servir à Palavra, à Liturgia e à Caridade em comunhão com o bispo e os presbíteros.
E se a esposa do diácono permanente falecer?
Aqui está um aspecto que surpreende muitos católicos. Embora um homem casado possa ser ordenado diácono permanente, se ficar viúvo, não poderá contrair um novo matrimônio.
As Normas Fundamentais para a Formação dos Diáconos Permanentes, publicadas conjuntamente pela Congregação para a Educação Católica e pela Congregação para o Clero (1998), explicam:
De um modo especial, o diácono viúvo deverá ser seguido no cumprimento da obrigação de observar a continência perfeita e perpétua e apoiado na compreensão das profundas motivações eclesiais que tornam impossível a passagem a novas núpcias, em conformidade com a constante disciplina da Igreja, quer no Oriente como no Ocidente.
O documento ressalta ainda que esse momento deve ser acompanhado pelo bispo, pelos demais ministros e pela comunidade eclesial, fortalecendo o diácono na vivência de sua vocação.
Um diácono permanente pode tornar-se padre?
O Diretório para o Ministério e a Vida dos Diáconos Permanentes prevê que, em circunstâncias absolutamente excepcionais, um diácono permanente viúvo poderá ser admitido ao presbiterado. Para isso, é necessário um cuidadoso discernimento da Igreja, o parecer favorável do bispo diocesano e a autorização da Santa Sé.
Não se trata, portanto, de uma consequência automática da viuvez ou do fato de os filhos já serem adultos, mas de uma exceção concedida em situações muito particulares, sempre em vista do bem da Igreja e do próprio candidato.
Por que São Lourenço é o padroeiro dos diáconos?
No dia 10 de agosto, a Igreja celebra São Lourenço, um dos diáconos mais conhecidos da história cristã. Exercendo o seu ministério na Igreja de Roma do século III, Lourenço era responsável pela administração dos bens destinados aos pobres. Durante a perseguição do imperador Valeriano, recebeu a ordem de entregar os tesouros da Igreja.
Em vez de apresentar riquezas materiais, reuniu os pobres, doentes e necessitados e declarou que eles eram o verdadeiro tesouro da Igreja.
Por essa fidelidade ao Evangelho, sofreu o martírio, tornando-se um dos santos mais venerados do cristianismo e patrono dos diáconos.
Sua vida continua inspirando diáconos do mundo inteiro a compreender que servir Cristo significa, antes de tudo, disponibilizar-se para o outro.
Santo Estêvão também é considerado o padroeiro dos diáconos, dividindo esse patrocínio com São Lourenço. É uma figura central na Igreja por duas razões principais. Ele lidera a lista dos sete primeiros diáconos escolhidos pelos apóstolos, conforme descrito no livro dos Atos dos Apóstolos (capítulo 6), para o serviço da caridade e a distribuição de alimentos.
Além disso, foi o primeiro mártir da Igreja (protomártir), sendo apedrejado até à morte em Jerusalém. A sua festa litúrgica celebra-se a 26 de dezembro.
A música também desperta vocações
A vocação diaconal recorda algo essencial: toda autoridade na Igreja nasce do serviço. Não por acaso, o primeiro grau do Sacramento da Ordem começa justamente com homens chamados a servir a Palavra, a Liturgia e os mais pobres. E essa missão continua inspirando gerações, também através da música.
Por isso, a playlist VocAÇÃO reúne canções que ajudam toda a Igreja a rezar por aqueles que disseram "sim" ao chamado de Deus, seja como diácono, sacerdote, religioso ou na vida matrimonial. Além de despertar novas vocações em cantos por meio de cantos como:
- Eis-me aqui — Coro da Arquidiocese de Campinas, Schola Catorum do Pateo do Collegio, Marco Frisina;
- Nova geração — Pe. Zezinho, scj;
- Senhor, meu amigo — Pe. Jonas Abib;
- Nossa missão — Adriana Arydes.
Para aprofundar
Quem deseja conhecer melhor a identidade e a missão do diácono permanente pode aprofundar o tema na obra Diaconato permanente: encanto e risco de uma novidade, publicada pela Paulinas Editora.
Escrito por Pe. Guillermo D. Micheletti a partir da experiência de dez anos junto à Escola Diaconal "São Paulo", da Diocese de Santo André, o livro apresenta a história do diaconato, seu desenvolvimento após o Concílio Vaticano II e os desafios dessa vocação que enriquece a vida ministerial da Igreja.
A obra mostra como o ministério diaconal abre novas perspectivas para uma Igreja cada vez mais ministerial, missionária e servidora.
Uma Igreja que serve
Ao celebrar a vocação sacerdotal e os ministérios ordenados, a Igreja ressalta que toda autoridade cristã nasce do amor que se faz serviço.
Bispos, padres e diáconos participam, cada um segundo sua missão, do único ministério de Cristo, o Bom Pastor.
Neste Mês Vocacional, rezemos por aqueles que já responderam ao chamado de Deus e por todos os que ainda discernem sua vocação. Que, inspirados pelo testemunho de São Lourenço, saibam colocar seus dons a serviço da Palavra, da Liturgia, da caridade e do povo de Deus. E respondam, de coração aberto, à voz daquele que continua chamando: "Vem e segue-me."
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