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Dicionário mariológico - Anunciação

Foto: Pixabay

Deus respeita profundamente a liberdade de todo ser humano diante do projeto salvífico. A iniciativa divina sempre é o primeiro passo, mas visa se encontrar com a livre adesão da pessoa. Esse modo de ser de Deus pode ser contemplado no mistério da Anunciação do anjo a Maria (cf. Lc 1,26-38), que diante da obra magna da salvação quis contar com a aceitação de uma jovem prometida em casamento a José. 

O referido relato de Lucas nada nos diz sobre o motivo de Maria ter sido escolhida como Mãe do Senhor, apenas afirma a bondade de Deus. Contudo, isso não quer dizer que a Virgem tenha sido escolhida de modo aleatório.

No subtexto da anunciação do anjo a Maria encontramos descrito o modo como Deus se relaciona com ela, que já existia antes da anunciação como durante toda a vida de Maria, incluindo seu estado de assunta junto à glória da Trindade1

Podemos dividir o texto de Lc 1,26-38 em três partes: 1) a irrupção de uma boa notícia (1,28-29); 2) as origens humanas de Jesus (1,30-33); 3) e a última, de modo mais velado, sua origem divina (34-36)2. Essa tríplice divisão deixa bem claro que a intenção do evangelista é nos apresentar uma cristologia incipiente na qual a Maria está plenamente incluída. 

E ainda olhando os aspectos do texto de Lucas encontramos algo que é genial, pois ele reúne dois esquemas do Antigo Testamento num único texto.

Vejamos: o primeiro esquema é o do chamado profético/ministerial. Deus chama e o ser humano responde ao seu chamado para se colocar a serviço, como no caso de Abraão, Samuel, Isaías etc. Esse esquema guarda consigo o coração da antropologia teológica: o ser humano é chamado a ser ouvinte da Palavra de Deus e à medida que se deixa moldar por essa Palavra mais ele se realiza em todas as suas dimensões3.

O segundo esquema que é inserido no texto da Anunciação é o da comunicação de um nascimento prodigioso, como o de Sara, Ana (mãe de Samuel), a mãe de Sansão etc4. As santas mães do povo de Deus pela concepção-parto-maternidade de um grande homem se põem a serviço do projeto de amor de Deus. 

Assim, num texto que tem como objetivo primeiro falar da encarnação do Verbo e dizer-nos sobre suas origens humana e divina, vemos o rosto de Maria como uma jovem que se coloca no caminho dos grandes servos de Deus do Antigo Testamento, como também no caminho das santas mães de Israel. Contemplamos Maria como serva, profetiza, mãe em profundo diálogo com a Trindade. 

1PERRY, Tim; KENDALL, Daniel. A Santíssima Virgem. São Paulo: Loyola, 2015, p. 19. 
2LAURENTIN, Rene. Breve trattato sulla Vergine Maria. Cinisello Balsamo: Edizioni San Paolo, 2016, p.38. 
3TRAVAGLIA, Giovanni. E il discepolo l’accolse con sé (Gv 19,27b). Il cammino etico-spirituale del credente sulle orme di Maria. Padova: Messagero di Sant’Antonio, 2011, p. 102-103. 
4GONZÁLEZ, Carlos Ignacio. Maria, evangelizada e evangelizadora. São Paulo: Loyola, 1990, p. 35. 

 

Para saber mais sobre Maria

Maria no coração da Igreja 
Nove dias com as virtudes de Maria - Roteiros para oração e reflexão 
Maria, Mãe de Jesus e da humanidade - Novena e coroação de Nossa Senhora 

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