
Sagrado Coração de Jesus. Foto: Pexels
O Papa Francisco, em outubro de 2024, presenteou a Igreja com uma linda Carta Encíclica, intitulada Dilexit nos – sobre o amor humano e divino do Coração de Jesus Cristo, onde ele nos convida a “recuperar a importância do coração quando nos acomete a tentação da superficialidade, a tentação de viver apressadamente sem saber bem para quê” (DN, n. 2). Baseados nas declarações do Papa Francisco sobre o Coração de Jesus, queremos mergulhar, também, no Coração Imaculado de Maria e contemplar o convite que a Mãe do Senhor nos faz de viver em profundidade o mistério do amor.
Não se vive sem coração
Desde a antiguidade, entende-se o ser humano como um complexo de corpo e alma tendo um centro unificador que o faz experimentar um substrato de sentido e orientação, que foi associado ao coração (DN, n. 3).
Assim, quando nos voltamos ao Coração Imaculado de Maria, estamos na busca de encontrar o centro da existência da Mãe do Senhor, os elementos viscerais que sintetizam sua compreensão de quem ela era e do mistério no qual estava profundamente mergulhada. Temos consciência que é muita pretensão de nossa parte querer compreender de modo objetivo esse mistério, por isso que, com muita humildade, nos aproximamos dos preciosos fragmentos que nos foram deixados para essa contemplação.
Maria guardava tudo no coração
Um desses preciosos fragmentos se encontra no Evangelho de Lucas quando Maria, diante do menino que ela dera à luz, nos é dito que ela “guardava (synetérei) todas essas coisas, ponderando-as (symbállousa) no seu coração” (cf. Lc 2,19.51).
O Papa Francisco nos explica que o “verbo symbállein (do qual provém a palavra “símbolo”) significa ponderar, unir duas coisas na mente, examinar-se, refletir, dialogar consigo mesmo. Em Lucas 2,51, dietérei significa “conservava com cuidado”, e o que ela guardava não era apenas “a cena” que via, mas também o que ainda não compreendia, conservando-o presente e vivo, na esperança de unir tudo no seu coração (DN, n. 19).
Maria em sua busca de “unir tudo no seu coração”, progressivamente, sob a luz do Espírito Santo, mais do que amar seu filho Jesus se deixou transformar pelo amor a seu filho, tornando-se imagem de todos/as que amam o Senhor Jesus com a profundidade do coração.

Sagrado Coração de Maria. Foto: Pixabay
Jamais confundir intimidade com intimismo
E o amor, que é a essência da vida de Maria, nos ensina a diferença entre intimidade e intimismo. Maria viveu o amor trinitário na intimidade do seu ser, uma vez que cada vez mais ela se entregou ao seguimento seu Filho Jesus até “a hora” da Cruz e o nascimento
da Igreja em Pentecostes. De modo radical, ela deixou que os gestos salvíficos de Jesus impregnassem até as raízes mais profundas do seu ser e os acolheu em si mesma.
Um coração solidário
Mas tudo isso viveu acompanhada de outras pessoas que estão unidas a ela, de modo que ela não está fechada em si mesma, mas em profunda solidariedade com todos que buscam a salvação. Não há nada de intimismo narcisista, que a deixasse num pedestal assistindo a tudo, voltada para si mesma.
O Coração de Maria, como a mais genuína expressão da radical adesão de Maria ao seu filho Jesus, deve ser contemplado unido a todas as consequências que essa opção de Maria ocasionou. Isso nos mostra o quanto o Papa Francisco tem razão ao dizer que “Levar o coração a sério tem consequências sociais” (DN, n. 29). O Coração de Maria foi tocado pela compaixão, pois estando Maria unida ao seu filho Jesus, ela, consequentemente, estava unida à busca de eliminar o sofrimento das pessoas, que foi uma das maiores preocupações de Jesus em seu anúncio do Reino de Deus.
Assim, diante do Coração Imaculado de Maria, pedimos que o Senhor, por seu Santo Espírito de Amor, retire do nosso peito qualquer tipo de “coração de pedra” (cf. Ez 36,26) e nos transforme em “amor”.
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