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As negociações sobre a chamada “transição energética justa” ganharam protagonismo na COP30, em novembro de 2025, em Belém (PA). O lançamento do novo relatório da Federação Internacional de Direitos Humanos (FIDH) reacendeu o debate sobre o papel das comunidades tradicionais e defensores ambientais diante das contradições entre os discursos de sustentabilidade e as práticas que seguem reproduzindo violações.
A coordenadora política da Justiça nos Trilhos (JnT), Larissa Santos, participou da mesa de debates, reforçando que a justiça climática não será possível enquanto as vozes dos povos diretamente impactados continuarem sendo marginalizadas nos espaços de decisão.
O Portal Paulinas entrevistou Larissa Pereira Santos, maranhense, jornalista, mestra e doutoranda em Ciências da Comunicação pela Universidade Federal do Pará. É coordenadora política na Organização Justiça nos Trilhos (JnT). Atua em defesa dos direitos humanos e da natureza em comunidades afetadas pela mineração e agronegócio na Amazônia maranhense.

Larissa Pereira Santos, coordenadora política na Organização Justiça nos Trilhos (JnT). Foto: Arquivo Pessoal
Portal Paulinas: Larissa, o que é Justiça nos trilhos?
Justiça nos Trilhos é uma associação de Direitos Humanos e Direitos da Natureza, sem fins lucrativos, que promove diversas atividades no sentido de problematizar junto à sociedade o modelo de desenvolvimento hegemônico e a sua exploração desmedida dos bens naturais, em especial, no Corredor Carajás, que corta 27 municípios no total, sendo 23 no Maranhão e 4 no Pará, com mais de cem comunidades afetadas.
Portal Paulinas: O que Justiça nos Trilhos pretende para pessoas, locais, situações?
A Justiça nos Trilhos atua no fortalecimento das comunidades ao longo do corredor Carajás, denunciando as violações aos direitos humanos e da natureza por parte de empreendimentos predatórios, especialmente da mineração e do agronegócio, responsabilizando os atores públicos e privados, prevenindo novas violações, reafirmando os modos de vida e a autonomia das comunidades nos seus territórios.
Portal Paulinas: Com esta atuação, o que Justiça nos Trilhos tem conseguido?
Na última década de atuação, temos conseguido visibilizar os problemas decorrentes da mineração e do agronegócio no Corredor de Carajás, especialmente no estado do Maranhão. Por meio de estudos e investigações jornalísticas, temos documentado e sistematizado uma série de violações e violências provocadas por atores estatais e empresariais ao longo da cadeia da mineração no Maranhão. Uma luta exemplar a ser mencionada é a luta da comunidade Piquiá de Baixo, localizada em Açailândia (MA), que hoje é uma comunidade que conquistou o seu próprio reassentamento para longe de empresas siderúrgicas e da ferrovia Carajás.
Portal Paulinas: Quais são as áreas de intervenção e atuação?
Nossa equipe interdisciplinar é formada por educadoras(es) populares, comunicadoras(es), advogadas(os) populares, pesquisadoras(es), missionários leigos e militantes. Trabalhamos de mãos dadas com as comunidades afetadas pela Estrada de Ferro Carajás (EFC), coletivos auto-organizados (associações), redes e articulações (local, nacional e internacional). Atuamos em dois polos geográficos: um, com sede no município de Açailândia, e outro na capital, São Luís, ambos no Maranhão. O primeiro polo acompanha mais as comunidades do interior do Maranhão, que estão mais próximas à mina de Carajás; o segundo polo acompanha as comunidades que ficam mais próximas aos portos de Ponta da Madeira e do Itaqui.
Portal Paulinas: Justiça nos trilhos está vinculada a alguma pastoral da Igreja?
A Justiça nos Trilhos não está vinculada a nenhuma pastoral da Igreja atualmente, mas ela nasce da iniciativa dos Missionários Combonianos do Nordeste, da Igreja Católica, que começaram a denunciar os impactos da mineração no Corredor de Carajás. Depois, a Justiça nos Trilhos se tornou independente e hoje é uma associação sem fins lucrativos.
Mais informações: https://justicanostrilhos.org/
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Direitos humanos e justiça ambiental: múltiplos olhares
