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Discurso do Papa Francisco à COP 28

O futuro de todos depende do presente que escolhermos

 

Foto: Pexels

O Papa Francisco inicia, dirigindo-se aos participantes da COP 28, assegurando-lhes estar com eles.

Define a devastação da criação como ofensa a Deus, e, um pecado, não só pessoal, mas também estrutural.

Faz uma pergunta: trabalha-se por uma cultura da vida ou da morte?

Ele mesmo responde e pede: “Com veemência, vos peço: escolhamos a vida, escolhamos o futuro! Escutemos os gemidos da terra, demos ouvidos ao grito dos pobres, prestemos atenção às esperanças dos jovens e aos sonhos das crianças! Temos uma grande responsabilidade: garantir que não lhes seja negado o próprio futuro”, afirma o Papa Francisco.

Lembra que as alterações do clima derivam, como é comprovado, do superaquecimento da terra pelos gases de efeito estufa causados por atividades de interesses e negociações internacionais, lucros pessoais e de empresas, conforme já notificou na Laudato si', n°169.

Justificativas falsas: os pobres, o aumento da população 

O Pontífice fala de mágoas pelas tentativas de transferir as responsabilidades à multidão dos pobres e ao índice de nascimentos. São tabus que devem ser firmemente desmascarados. E afirma em sua Carta: 

“Não é culpa dos pobres, porque quase metade do mundo, a mais indigente, é responsável apenas por 10% das emissões poluidoras (...). Na realidade, estes é que são as vítimas do que acontece: pensemos nas populações indígenas, no desmatamento, no drama da fome, na insegurança hídrica e alimentar, nos fluxos migratórios induzidos. Quanto aos nascimentos, não se trata dum problema, que certos modelos ideológicos e utilitaristas, vão impondo com luvas de veludo a famílias e populações... Que não seja penalizado o progresso de tantos países, já sobrecarregados com onerosas dívidas econômicas; considere-se, antes, o impacto de nações, responsáveis por uma preocupante dívida ecológica para com muitas outras (cf. ibid., 51-52). Seria justo encontrar adequadas modalidades de remissão das dívidas financeiras que pesam sobre vários povos, à luz da dívida ecológica também existente para com eles”.

Qual é então, o caminho de saída?

 “O caminho em conjunto, o multilateralismo. Preocupa constatar que o aquecimento da terra seja acompanhado por um resfriamento geral do multilateralismo, por uma crescente desconfiança na comunidade internacional, pela perda da "comum consciência de ser uma família de nações". 

Cuidado da criação e a paz

Estas questões são urgentes e estão interligadas. E lembra: “quantas energias está desperdiçando a humanidade nas várias guerras em curso, como sucede em Israel e na Palestina, na Ucrânia e em muitas regiões da terra: conflitos que, em vez de resolver os problemas, os aumentam! Quantos recursos desperdiçados nos armamentos, que destroem vidas e arruínam a Casa Comum!”

Outra proposta: um Fundo Mundial para acabar com a fome

E o Papa relança uma proposta: “Com o dinheiro usado em armas e noutras despesas militares, constituamos um Fundo Mundial, para acabar de vez com a fome” (Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 262; cf. São Paulo VI, Carta Enc. Populorum progressio, 51) e realizar atividades que promovam o desenvolvimento sustentável dos países mais pobres, combatendo as mudanças climáticas.

As mudanças dependem de uma conversão ecológica

“Saiamos das vielas estreitas dos particularismos e dos nacionalismos; são esquemas do passado. Abracemos uma visão alternativa, comum: esta permitirá uma conversão ecológica, porque “não há mudanças duradouras sem mudanças culturais” (Laudate Deum, 70). Neste âmbito, posso garantir o empenho e o apoio da Igreja Católica, de forma especial na educação procurando sensibilizar e promover estilos corretos de vida, pois a responsabilidade é de todos, sendo fundamental a responsabilidade de cada um”.

Foto: Pexels

Assim, Francisco propõe “um novo modo de avançar juntos. Que encontrem realização em quatro campos: a eficiência energética, as fontes renováveis, a eliminação dos combustíveis fósseis, a educação para estilos de vida menos dependentes destes últimos”.

E recordando os 800 anos da Páscoa de São Francisco de Assis, o Papa termina, em tom de oração: “deixemos para trás as divisões e unamos forças! E, com a ajuda de Deus, saiamos da noite das guerras e das devastações ambientais para transformar o futuro comum numa alvorada de luz”, conclui o Santo Padre em seu discurso enviado à COP 28, em Dubai, no dia 2 de dezembro de 2023.
 

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