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Em sua mensagem para o 60º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Leão XIV nos apresenta uma inquietação necessária que incomoda: nunca estivemos tão conectados e, ao mesmo tempo, tão distantes.
Talvez seja o momento de uma parada estratégica para ver o que ficou para trás no caminho. Aqui, faço uma aposta de que não foi a tecnologia, mas a qualidade da presença. E mesmo nas 24 horas do dia, está faltando tempo para o outro, disposição para escutar sem interromper e humanidade na maneira de comunicar.

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Transformar comunicação em encontro verdadeiro exige mais do que transmitir mensagens, já que pede envolvimento. Um encontro nasce quando alguém deixa de ser conteúdo e passa a ser rosto. Isso implica sair da lógica da performance para entrar na dinâmica da relação. Não se trata de falar mais alto, mas de falar com sentido, de responder rápido, mas com verdade. E é aí que entra a importância do corpo como mídia primária.
Na minha tese de doutorado, intitulada “Papa Francisco: uma encíclica viva de gestos e imagens”, constatei que toda comunicação começa e termina no corpo. É verdade: toda a comunicação humana acontece quando homens e mulheres se encontram cara a cara, corporalmente e imediatamente, na bela dança da linguagem dos gestos.

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Num ambiente marcado pela polarização, escutar tornou-se um ato quase revolucionário. Escutar, aqui, não é esperar a vez de rebater, mas acolher o outro sem reduzi-lo a um rótulo. É reconhecer que, antes de qualquer opinião, existe uma pessoa e, para isso, quando a escuta é real, o diálogo deixa de ser disputa e passa a ser construção.
Mas vale lembrar que a comunicação digital, por si só, não é inimiga do diálogo, já que ela amplia vozes, conecta distâncias e cria possibilidades inéditas de encontro. O problema não está no meio, mas na forma como o utilizamos. Vale lembrar aqui que, quando a comunicação é reduzida à lógica da velocidade, da reação imediata e da busca por validação, ela se torna superficial. E superficialidade não sustenta vínculos.
A cultura da resposta rápida, tão valorizada nas redes, empobrece frequentemente a reflexão. Pensar exige silêncio, tempo, maturação e oração. Sem isso, multiplicam-se opiniões que se tornam frágeis, certezas agressivas, diálogos interrompidos antes mesmo de começarem e a geração de pessoas que se desencontram. A pressa, nesse contexto, não pode ser considerada como eficiência, já que ela se tornará ruído.

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Cultivar profundidade em ambientes digitais é uma escolha contracultural. Significa desacelerar, ler antes de comentar, perguntar antes de afirmar, preferir a conversa privada ao debate público. São pequenos gestos do dia a dia, mas que se tornam potentes para reumanizar a comunicação. E dou uma dica valiosa: muitas vezes precisamos do jejum do clique, que é refletir muito bem antes de encaminhar por impulso as mensagens.
Contudo, há sinais concretos de que o encontro ainda é possível. Isso notamos quando uma comunidade usa suas redes para ouvir histórias e não apenas divulgar eventos, quando um agente da pastoral responde uma mensagem com atenção real, e não com um texto automático, ou quando alguém decide dialogar, mesmo diante da discordância, sem recorrer à ironia ou ao ataque.
No fundo, o desafio não é tecnológico, mas espiritual e humano. Recuperar o encontro em tempos de comunicação rápida é reaprender a olhar, escutar e permanecer na frequência do outro, que pode ser um irmão próximo ou quem se encontra nas periferias existenciais das nossas comunidades. Porque, no fim, comunicar não é apenas dizer algo, mas fazer com que alguém se sinta verdadeiramente encontrado e cuidado nas estradas do mundo que nos levam ao Céu.
Marcello Zanluchi é doutor em comunicação, jornalista, palestrante, especialista em comunicação religiosa e tem trabalhos feitos junto ao Dicastério para a Comunicação do Vaticano. Instagram: @marcellozanluchi. E-mail: [email protected]
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