
Foto: Freepik
Setembro é um mês especial para a saúde: em todo o Brasil, ele é marcado pelo Setembro Verde, campanha que busca conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos e tecidos. O tema vai além da medicina: trata-se de solidariedade, empatia e, sobretudo, da possibilidade de transformar a dor em esperança para milhares de pessoas que aguardam um transplante.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil possui o maior programa público de transplantes do mundo e ocupa a segunda posição global em número de procedimentos realizados. Ainda assim, mais de 75 mil pessoas estão na fila de espera. Muitas vidas poderiam ser salvas se houvesse maior diálogo sobre a doação de órgãos dentro das famílias.

Foto: Freepik
Como funciona a doação de órgãos no Brasil?
A doação é regulamentada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT) e pode ocorrer de duas formas:
- Após o falecimento: acontece quando há diagnóstico de morte encefálica – uma condição irreversível em que o cérebro deixa de funcionar. Nesse momento, a família é consultada e precisa autorizar a doação. “Mesmo que a pessoa tenha manifestado em vida o desejo de doar, é a família quem dá a palavra final”, explica a enfermeira Edjane Apolinário Borelli, coordenadora da Organização de Procura de Órgãos da Escola Paulista de Medicina.
- Em vida: é possível doar um rim, parte do fígado, pâncreas, pulmão ou ainda tecidos como a medula óssea. A legislação permite a doação entre parentes até quarto grau e cônjuges. No caso de pessoas sem vínculo familiar, é necessária uma autorização judicial.

A enfermeira Edjane Apolinário Borelli trabalha na Organização de Procura de Órgãos da Escola Paulista de Medicina. Foto: Arquivo pessoal
Todo o processo é seguro e acompanhado por equipes médicas especializadas. “A legislação brasileira é rigorosa, transparente e assegura que a captação e a distribuição dos órgãos ocorram de forma ética, com critérios claros de prioridade e compatibilidade”, destaca Edjane.
A importância da conversa em família
No Brasil, a taxa de recusa familiar à doação gira em torno de 40%, chegando a ser ainda maior em regiões onde os transplantes não são realizados com frequência. Para a enfermeira, a falta de diálogo em vida é um dos principais entraves.
“Muitas famílias, ao serem consultadas no momento mais difícil, acabam recusando porque nunca conversaram sobre o tema. Quando existe essa clareza, a decisão se torna menos dolorosa e mais segura”, afirma.
Por isso, o Setembro Verde consiste em um gesto simples, mas poderoso: converse com sua família e manifeste seu desejo de ser doador.
O papel das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs)
No Estado de São Paulo, a Escola Paulista de Medicina atua por meio de sua OPO, responsável por identificar potenciais doadores em hospitais, acolher familiares, orientar equipes médicas e organizar a logística de captação e transporte dos órgãos. “Nosso trabalho é garantir que cada doação siga as normas legais, seja feita com segurança e traga esperança para quem aguarda na fila”, explica Edjane.

Como ser um doador?
- Em vida: submeter-se à avaliação médica para garantir que não haja riscos à saúde do doador.
- Após a morte: deixar claro à família o desejo de ser doador, já que a autorização final é sempre dela.
Um gesto que salva vidas
Busque informações confiáveis. Sites como o do Ministério da Saúde, da ABTO (Associação Brasileira de Transplante de Órgãos) e o sistema AEDO (Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos) oferecem dados e orientações confiáveis.
O Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado em 27 de setembro, reforça o objetivo da campanha: transformar a solidariedade em vida. “A doação é um ato de amor. É a chance de dar continuidade à vida de quem tanto espera”, finaliza Edjane Borelli.
Leia também
- Sangue, o importante é doar!
- Você pratica gestos de caridade?
