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Domingo de Ramos e da Paixão de Jesus

Foto: Pixabay

Assim, cantando festivamente – “Hosana hey, hosana ha” - a procissão segue pelas ruas, em milhares e milhares de comunidades, paróquias, em cidades e capelas. Cada pessoa leva em suas mãos ramos de palmeira.

Esta cerimônia litúrgica, no Domingo de Ramos, acontece depois da bênção dos ramos.   A procissão começa com a proclamação do evangelho da entrada de Jesus em Jerusalém. O evangelista Mateus assim narra:

"Jesus e seus discípulos se aproximaram de Jerusalém, e chegaram a Betfagé, perto do monte das Oliveiras. Então, Jesus enviou dois discípulos, dizendo: Vão até o povoado, que está na frente de vocês. E logo vão encontrar uma jumenta amarrada, e um jumentinho com ela. Desamarrem, e tragam os dois para mim. Se alguém lhes falar alguma coisa, vocês dirão: O Senhor precisa deles, mas logo os mandará de volta. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelo profeta: Digam à filha de Sião: eis que o seu rei está chegando até você. Ele é manso e está montado num jumento, num jumentinho, cria de um animal de carga. Os discípulos foram, e fizeram como Jesus tinha mandado. Levaram a jumenta e o jumentinho, estenderam os mantos sobre eles, e Jesus montou. Uma grande multidão estendeu seus mantos pelo caminho; outros cortaram ramos de árvores, e os espalharam pelo caminho. As multidões, que iam na frente e atrás de Jesus, gritavam: Hosana ao Filho de Davi! Bendito aquele que vem em nome do Senhor! Hosana no mais alto do céu!'Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou agitada, e perguntavam: Quem é ele? E as multidões respondiam: É o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia" (Cf. Mt 21,1-11).

Foto: Freepik


O Evangelho lembra três símbolos: o cortejo, os ramos de oliveira e de palmeira e o jumento. O cortejo festivo recorda o caminhar dos discípulos que seguem o Mestre e acolhem Jesus como rei. Os ramos, dos quais se extraía o azeite, eram uma forma de aclamar Jesus como o Messias esperado, o Ungido. Já o jumento é símbolo forte de oposição: Jesus entra na cidade de Jerusalém, como Salvador, de forma humilde, um Messias pobre, um Messias Servo, que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos” (Mc 10,45). 

Iniciada assim, em local externo, a procissão segue até a igreja.

Ali, faz-se a celebração da Paixão e Morte de Jesus, narrada em Mc 14,1-15,47.

Este texto narra a atividade de Jesus que vai levá-lo à morte. Entre a conspiração das autoridades e a decisão que Judas toma de trair Jesus, há o gesto significativo de uma mulher: reconhecendo o verdadeiro sentido da pessoa de Jesus, ela o unge como Messias (unção na cabeça) que vai morrer. O que ela faz é mais importante do que dar esmola aos pobres: não é possível realmente fazer o bem a eles a não estar dentro do projeto de Jesus. A ausência física de Jesus será depois ocupada pelos pobres, que se tornarão sacramento da presença dele.

A celebração da Páscoa marcava a noite em que o povo de Deus foi libertado da escravidão do Egito. Jesus vai ser morto como o novo cordeiro pascal: sua vida e morte são o início de novo modo de vida, no qual não haverá mais escravidão do dinheiro e do poder.

Na ceia pascal Jesus não apenas afirma sua presença sacramental no pão e no vinho. Manifesta também o sentido profundo de sua vida e morte, isto é, viveu e morreu como dom gratuito, como entrega de si mesmo aos outros, opondo-se a uma sociedade egoísta, em que as pessoas vivem para si mesmas e para seus próprios interesses. 

Jesus é traído por um discípulo e abandonado pelos outros. 

A oração reanima o projeto de vida segundo a vontade do Pai; a vigilância impede que o homem se torne inconsciente diante das situações.

Para as autoridades, Jesus é réu, e elas já tinham decretado a morte dele. Então, montam um processo falso para justificar tal decreto. 

Enquanto Jesus fala corajosamente diante das autoridades, Pedro o nega covardemente diante de pessoas simples.

O Sinédrio podia condenar à morte, mas não podia executar a sentença. Por isso, Jesus é entregue ao governador romano, sob a falsa acusação de ser subversivo político. O processo diante de Pilatos é também uma grande farsa dominada pelos interesses das autoridades.

Jesus ou Barrabás? Pilatos prefere Jesus, porque não o vê como perigo para a autoridade romana.

Já para as autoridades dos judeus e para a estrutura interna do país Jesus é mais perigoso do que Barrabás. Pressionado, Pilatos defende seu próprio prestígio e entrega Jesus à multidão.

A Igreja recorda que o mesmo Cristo que foi aclamado como rei pela multidão no Domingo de Ramos, é crucificado sob o pedido da mesma multidão na sexta-feira.
 

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