Comunicação

Educomunicação em tempos de Inteligência Artificial

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Estamos em tempo de Inteligência Artificial, a chamada IA, e tudo parece mudar na vida das pessoas e seus relacionamentos, e é verdade. Mas vamos pensar juntos.  O que entendemos por IA e por Educomunicação?  

Muitos são os estudos e pesquisas sobre o tema da IA, procurando compreender o que é, como funciona, seu impacto na vida das pessoas, nos comportamentos, na educação, na economia. Sabemos que a IA trabalha com um grande arquivo de dados, tanto de pessoas como de conteúdos colocados na Internet.

Tudo o que é postado e clicado se torna “banco de dados” para responder às perguntas que as pessoas fazem a ela, desde escrever textos até responder a uma localização geográfica. Por isso, insiste-se que é preciso saber fazer as perguntas, porque a IA é uma máquina programada que responde.  

Inteligência Artificial e Educação

Como sabemos, o desenvolvimento das tecnologias, sobretudo da Internet, foi criado inicialmente para fins bélicos, de segurança nacional. Ao longo do tempo, foi disponibilizada para a educação e cultura, a economia e o e-commerce. Pesquisadores como o neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, que acompanhou o desenvolvimento e a criação do que hoje se chama de IA, em seu olhar crítico, afirmam que ela “não é nem inteligente nem artificial”. 

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A justificativa passa pelos usos, sobretudo o que se pode fazer com a tecnologia quando automatizadas as decisões, para fins bélicos e comerciais a que se destina. Hoje sabemos que o grande poder da informação está nas Big Techs, grandes corporações que armazenam e detêm o controle da informação, usada pelas plataformas digitais e serviços.

Por sua vez, a IA precisa ser povoada por conteúdos e propostas a favor de causas humanitárias, da educação e evangelização.

É neste contexto que vivemos na sociedade contemporânea, marcada por oportunidades e desafios. É hora de lembrar também o conceito de Educomunicação, apontado neste artigo como uma oportunidade que desafia a todos. O conceito de Educar para a comunicação passou por um percurso de longos anos com estudos e pesquisas ao nível internacional e nacional, na busca do diálogo, do respeito ao outro, nas diferentes realidades culturais e sociais. 

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Modos de compreender a Educação para a comunicação

Na década de 1980, a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) prioriza a educação para os meios de informação. Surgem estudos e diversas linhas de pesquisa, algumas mais voltadas às tecnologias da informação, denominada Media Education, ou “educação para os meios”.

Nos Estados Unidos, adotou-se  a terminologia Media Literacy, com maior visibilidade nos anos 1990, e está mais voltada à alfabetização midiática e à formação de professores com visão mais centrada na alfabetização da mídia, hoje também entendida como Letramento digital, que pode ser reduzido ao conhecimento técnico.

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Para a UNESCO, a Alfabetização Midiática e Informacional refere-se às competências essenciais (conhecimentos, habilidades e atitudes) que permitem que os cidadãos engajem-se junto às mídias e outros provedores de informação de maneira efetiva, desenvolvendo o pensamento crítico e a aprendizagem continuada de habilidades, a fim de socializarem-se e de tornarem-se cidadãos ativos. 

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Na cultura digital, a preocupação está na alfabetização digital, que se refere ao domínio de habilidades técnicas básicas para operar dispositivos e navegar na internet, como saber ligar um computador ou usar um teclado. Já o Letramento Digital é a capacidade crítica, ética e social de ler, interpretar, criar e interagir com informações no ambiente digital.

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A Educomunicação vai além de se preocupar com o domínio de habilidades técnicas, compreende um conjunto das ações inerentes ao planejamento e avaliação de processos, programas e produtos de comunicação implementados com intencionalidade educativa, destinado a criar e fortalecer ecossistemas comunicativos abertos, criativos, sob a perspectiva da gestão compartilhada e democrática dos recursos da informação.

A Educomunicação prioriza o ser humano, enquanto sujeito dos processos comunicacionais, o diálogo, a participação, a criatividade a partir da diversidade cultural nos ecossistemas comunicativos. Serve-se das tecnologias como mediação e o cultivo de um estilo de comunicação que não se apoie só na eficiência, mas em propostas para uma sociedade que tenha em conta o respeito à dignidade humana.

Enquanto a IA tem a forte tendência de mover-se pelo lucro, educar-nos para a comunicação agrega e resgata valores como o pensamento crítico e a cidadania, que não podem ser negociados, mas colocados a serviço de uma sociedade mais fraterna e solidária. 

 

Helena Corazza é Irmã Paulina, jornalista, pós-doutora em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo (USP), pesquisadora, autora de diversos livros e artigos. 

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