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Eleições conscientes: como a fé e a Doutrina Social iluminam nosso voto 

Na política, as eleições envolvem pessoas que são eleitas e pessoas que elegem. Para ambas, os critérios da Doutrina Social da Igreja

Foto: Magnific

O Papa Leão XIV, na carta encíclica Magnifica Humanitas, lembra os princípios da Doutrina Social da Igreja: o bem comum, a destinação universal dos bens, a subsidiariedade, a solidariedade e a justiça social (Cf. Mh 65-81). 

Estes princípios estão em todas as mensagens das autoridades eclesiais para a atual campanha eleitoral no Brasil.

A Mensagem da CNBB ao Povo Brasileiro afirma:

“Em tempo de eleições, renovamos nosso pacto pela vida, pela democracia, pela soberania e pela defesa da casa comum. O tempo atual exige de todos nós, cristãos e da sociedade brasileira, muita coragem para gestar um projeto de país que não pactue com a grave injustiça social.
Em tempo de eleições, reafirmamos que não temos partido, mas que estamos do lado dos pobres, de quem os respeita e defende; de quem defende a democracia e a soberania do país; de quem é contra qualquer postura fascista; de quem é contra a manipulação política da religião; de quem é contra a avalanche de mentiras e disseminação do ódio pelas avenidas digitais. Por isso, incentivamos cada cidadão a fazer uma escolha consciente e lúcida de candidatas e candidatos comprometidos com as causas populares, com o bem comum e com a proteção de nossa casa comum. O Evangelho de Jesus Cristo não nos permite ter outra posição”
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Foto: Magnific

Importância de participar com o voto

Os bispos continuam incentivando o voto consciente e responsável:

“Encorajamos o povo brasileiro a participar efetivamente da festa da democracia e exercitar conscientemente a cidadania como o melhor mecanismo para a solução dos desafios nacionais. Importam tanto as eleições para o Poder Executivo como para o Poder Legislativo, especialmente diante da necessidade de um parlamento que enfrente as causas estruturais da pobreza e crie condições de uma educação de qualidade, de moradia digna e de acesso à saúde para todos”, afirmou a CNBB. 

O sentido do voto

As lideranças da Igreja lembram que voto não é mercadoria que se vende. E as pessoas que são eleitas devem representar o povo com suas necessidades:

“É importante combater a compra e a venda de votos. Como sabemos, “o voto não tem preço, tem consequência”. É fundamental escolher bem os candidatos, com propostas concretas a serviço dos mais vulneráveis, da justiça socioambiental e da vida. Da mesma forma, em tempos eleitorais, a relação entre religião e política deve respeitar as diferenças entre ambas e impedir qualquer instrumentalização”.

Polarizações e bolhas digitais enfraquecem a democracia

Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, no best-seller “Como as democracias morrem”, lembram que a democracia requer respeito às regras comuns, reconhecimento da legitimidade dos adversários, tolerância e diálogo.

Foto: Magnific

A polarização compromete todos esses itens. Em uma sociedade concentrada em dois lados polarizados, adversários são vistos como inimigos, o diálogo não é incentivado, a intolerância é gritante e transgredir regras parece justo. Um estudo mostrou que a polarização favorece a ascensão de líderes populistas “iliberais”, ou seja, que têm pouco apreço às normas democráticas e às limitações de poder.

A polarização se cristaliza e se expressa nas redes sociais, nas bolhas digitais, onde grupos extremistas promovem verdadeiras guerras eleitoreiras em que as pessoas deixam sua cidadania e assumem batalhas de guerrilheiros.

Estes conteúdos viram disputas e discussões irracionais do tipo “nós contra eles”. Pior ainda: mentiras e notícias falsas se espalham. E, até, cria-se uma mentalidade e nasce uma estratégia de quem entende que um candidato cresce quando diminui o outro. Este caminho enfraquece e transforma a democracia em ódio e guerra.

É bom recorrer e ouvir o Patrono dos governantes e políticos

São Tomás More nasceu em Londres, na Inglaterra, em 1478. Foi um brilhante advogado, escritor, leigo, pai de família e chanceler do rei Henrique VIII. Escreveu a famosa obra Utopia em 1516. Foi canonizado em 1935. 

No ano 2000, foi declarado patrono dos governantes e políticos pelo Papa João Paulo II.

O que se pode aprender de São Tomás More? Célebre e sábia é sua máxima: “O homem não pode separar-se de Deus, nem a política da moral”. Por isso, escolheu ser fiel à sua consciência e à fé cristã em vez de ceder às pressões do poder político da época. Que ele nos inspire e proteja.

Antes de votar, que tal fazer uma pausa para a oração? Confira “Oração antes de uma eleição” e prepare seu coração para esse momento.


Senhor Deus, à medida que as eleições se aproximam,
buscamos compreender melhor as questões e preocupações que afligem nossa cidade/estado/país,
e como o Evangelho nos impele a responder como cidadãos fiéis em nossa comunidade.
Pedimos olhos livres da cegueira
para que possamos enxergar uns aos outros como irmãos e irmãs,
iguais em dignidade,
especialmente aqueles que são vítimas de abuso e violência, engano e pobreza.

Pedimos ouvidos que ouçam o clamor das crianças não nascidas e dos abandonados,
dos homens e mulheres oprimidos por causa de raça, credo, religião ou gênero.
Pedimos mentes e corações abertos para ouvir a voz de líderes que nos aproximarão do Teu Reino.
Oramos por discernimento
para que possamos escolher líderes que ouçam a tua Palavra.
Vivam o vosso amor
e permaneçam nos caminhos da vossa verdade, 
seguindo os passos de Jesus e dos seus Apóstolos, 
e guiem-nos para o vosso Reino de justiça e paz.
Pedimos isso em nome de vosso Filho Jesus Cristo e pelo poder do Espírito Santo.

(Autor Desconhecido)

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