
Taís Sonetti González participou da COP30 e compartilha a a sua experiência. Foto: Viviani Moura, fsp
Taís Sonetti González é cientista social e pós-doutoranda pelo Programa AmazonFACE (UNICAMP). O AmazonFACE é um programa científico instituído pelo MCTI em 2015 (Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação) e coordenado por pesquisadores do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). O objetivo principal é investigar como a floresta Amazônica vai se comportar com o aumento de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, prevista para o futuro. O programa responderá à questão: "Como as mudanças climáticas afetarão a floresta amazônica, a biodiversidade que abriga e os serviços ecossistêmicos que ela fornece à humanidade?"
Sua trajetória acadêmica e pessoal é marcada por um profundo envolvimento com territórios, povos e modos de vida diversos. Viveu em São Gabriel da Cachoeira e Santarém, no coração da Amazônia, e durante o mestrado residiu em comunidades tradicionais para realizar suas pesquisas.
No doutorado, mudou-se para o oeste da Bahia, na cidade de Barreiras, convivendo intensamente com o povo Kiriri, com pescadores artesanais da bacia do Rio Grande e com os geraizeiros — povos tradicionais dos Gerais, no bioma Cerrado, especialmente na região norte de Minas Gerais
Para Taís, a pesquisa é mais do que trabalho: é missão de vida. Como ela afirma, "Fazer pesquisa perpassa esse lugar de ser pesquisadora. É uma prática diária que faz a gente repensar muitas coisas, nos transformar cada vez que nos encontramos em uma pergunta nova. E essa pesquisação, essa pesquisa voltada para uma ação, implementação, mudança e transformação. Eu acredito muito que a ciência pode ajudar a gente a entender questões que estão esquecidas ou que querem ser esquecidas. Entender a gente como humanidade".
Sua vivência junto aos povos indígenas e tradicionais é fonte permanente de aprendizado e transformação. Ela destaca: "Minha experiência com os povos indígenas e tradicionais sempre é muito transformadora. Eu faço o tipo de ciência que eu faço, da maneira que eu faço, por esses encontros, em diferentes esferas. Aprendi muito a ter essa escuta mais profunda, escutar como eles falam, a floresta, escrever com a floresta, com eles. Porque eles vivenciam isso. Eles observam muito, escutam muito, pensam antes de falar".
A participação de Taís na COP30 representa mais um marco em sua caminhada. Ela chegou ao evento como parte da Delegação do Brasil (Overflow), categoria de credenciamento concedida sob a cota do país anfitrião. O termo overflow indica participantes que, embora não integrem a equipe principal de negociadores oficiais, contribuem de forma significativa para o evento e para os debates, trazendo vozes e perspectivas diversas para a arena climática internacional.
Na COP, Taís pôde atuar na interface entre ciência e política, dedicando-se a conectar diferentes formas de conhecimento: a ciência acadêmica, a ciência dos povos tradicionais e indígenas e todas as epistemologias que emergem dos territórios. Seu foco é contribuir para políticas públicas mais assertivas e sensíveis às realidades da Amazônia, dos povos que a habitam e do futuro da nossa Casa Comum.
Com sua escuta, sua vivência e sua dedicação, Taís Sonetti González reafirma a potência da ciência que nasce do encontro — encontro com pessoas, com territórios, com perguntas e com futuros possíveis.
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