Catequese

Espiritualidade e missão do catequista

Dimensões da espiritualidade que o catequista deve desenvolver para fazer ecoar a Palavra de Deus

 

Foto: Juliene Barros

Este é o momento oportuno para se refletir a epiritualidade e missão do catequista devido à florescente conscientização que toda Igreja está dedicando a esta admirável missão de comunicar a alegria do Evangelho aos irmãos. Basta ter presentes  as últimas aprovações de documentos direcionados à catequese como, o Diretório para a catequese e a Carta Apostólica em forma de Motu Proprio, Antiquum ministerium.

Em março de 2020, durante a pandemia, o papa Francisco aprovou o Diretório para a Catequese. Este documento foi apresentado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, contém diretrizes para catequese assim como à evangelização na Igreja.

Neste sentido, o papa Francisco ressaltou que desde Concílio Vaticano II, a Igreja compreende que existe um elo inseparável entre a evangelização e catequese, isto é, o querigma, o  anúncio de Jesus Cristo, filho de Deus, que se encarnou, viveu, morreu e ressuscitou que é o Mestre, o Caminho, a Verdade e a Vida  que revela o Projeto de Deus Pai a todos os povos1

Entretanto, atualmente a evangelização vive num cenário desafiador, gerado pelas mudanças de época (DAp 21, 44), no qual a percepção de Deus está ausente na vida de muitas pessoas, revelando-se assim o modo de viver como se Deus não existisse2. Diante disso, a Igreja se pergunta: como despertar para a beleza, a mística da presença amorosa e misericordiosa de Deus no mundo através da catequese?

Voltemos ao ponto de partida que se deu com o mandato de Jesus aos seus discípulos: “Vão e façam discípulos de todas as nações batizando em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei eu estarei convosco todos os dia até o fim dos tempos” (Cf. Mt 28,19-20).  

Ao percorrer o período da Igreja nascente, notamos que as primeiras comunidades elaboraram e sistematizaram os ensinamentos de Cristo, através da Didaqué, que foi o primeiro catecismo da Igreja no qual mostrava a doutrina dos Doze Apóstolos, para todos aqueles que aderiram ao seguimento de Jesus Cristo.

Então, é dessa forma que a Igreja até hoje, se dedica a catequizar através de um método, um itinerário formativo adequando-se às idades das pessoas ao longo do tempo.

Atualmente, o papa Francisco, instituiu o ministério do Catequista através da Carta Apostólica em forma de Motu Proprio, Antiquum ministerium; na qual afirmou: “Esse antigo ministério de ecoar, comunicar a fé, de transmiti-la de forma orgânica permanente e associada com várias circunstâncias da vida, o ensinamento dos apóstolos e dos evangelistas”3  para que a fé possa dar sentido e robusteça a existência de cada ser humano, no seguimento de Jesus.

Além disso, esta carta confirma que a missão do catequista é de suma importância para a ação evangelizadora. O catequista é chamado, assume sua vocação de ser testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhador que instrui em nome da Igreja.  Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a participação direta na vida da comunidade é que se pode desenvolver com coerência e responsabilidade.”4  

Foto: Cathopic

Dessa maneira, a Igreja indica alguns elementos indispensáveis para percorrer na formação permanente dos catequistas. Um destes elementos é a espiritualidade do catequista, que é basilar, sine qua non, essencial para a missão do catequista diante do contexto de mudança que a Igreja enfrenta no mundo. 

Nesta dimensão do ser do catequista, é preciso que ele se abra a primazia da graça de Deus, ao mistério, à ação do Espírito Santo que é o responsável de entusiasmar, soprar o ardor em comunicar o Evangelho, a generosidade e alegria de aos poucos se configurar a Cristo, que é a meta cristã: “Não vivo mais eu, é Cristo que vive em mim”(Cf. Gl 2,20) .

De fato, o catequista é partícipe da missão de Jesus Cristo. Neste contexto mundial de mudanças vertiginosas, não basta o catequista falar de Deus, mas ser o canal pelo qual Deus fala às pessoas. Para corroborar com essa afirmação citamos o teólogo Karl Rahner que disse em uma de suas frases emblemáticas: “O cristão do século XXI ou será um místico ou não será nada”5.   

Ainda mais o catequista, que precisa cultivar a oração, essa força interior para realizar a missão de ser um mistagogo, de conduzir os irmãos à iniciação à fé e à vida cristã.  

Para ler o artigo "Conheça as dimensões da espiritualidade que o catequista deve cultivar a cada dia, clique aqui

 

Irmã Renata S. Soares Pereira é irmã paulina, filósofa e pós-graduada em Catequese no Centro Universitário Salesiano de São Paulo (Unisal). Missionária na Livraria Paulinas do Rio de Janeiro (RJ).

 

1PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO.Diretório para a catequese. Brasília:Edições CNBB, 2020, p. 28
2MORI, Geraldo de. Discernir a pastoral em tempos de crises: realidade, desafios, tarefas. São Paulo: Paulinas e Jesuítas. 2022.p.70.

3FRANCISCO. Carta Apostólica em forma de Motu Proprio Antiquum Ministrerium,. São Paulo. Paulinas,2021.p.9.
4PONTIFÍCIO CONSELHO PARA A PROMOÇÃO DA NOVA EVANGELIZAÇÃO.Diretório para a catequese. Brasília:Edições CNBB, 2020, n.113.

 5MORI, Geraldo de. Discernir a pastoral em tempos de crises: realidade, desafios, tarefas. São Paulo: Paulinas e Jesuítas. 2022.p.126.

 

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