Comunicação

Fé e tecnologia em diálogo: workshop internacional reflete sobre evangelização na era da IA

Encontro online reuniu participantes de diversos países para discutir como a inteligência artificial pode servir à missão evangelizadora com responsabilidade e esperança

A relação entre fé e tecnologia esteve no centro do workshop internacional “Discipulado Digital”, realizado em dois dias de encontros online. Conduzido pela americana Irmã Nancy Usselmann, das Filhas de São Paulo (FSP), o evento reuniu participantes de diferentes países para refletir sobre os desafios e as possibilidades da inteligência artificial na missão evangelizadora.

Promovido pela Equipe Internacional de Apostolado Digital, o workshop ofereceu um espaço de formação, diálogo e partilha sobre o papel dos cristãos em um cenário marcado por rápidas transformações tecnológicas.

IA a serviço da missão

No primeiro dia, o tema “IA e Evangelização – Aproveitando a tecnologia para a missão” convidou os participantes a enxergar a inteligência artificial não apenas como ferramenta técnica, mas como um meio que pode potencializar a comunicação do Evangelho.

Ao longo do encontro, destacou-se a importância de compreender as novas linguagens digitais e de utilizá-las com intencionalidade, criatividade e senso crítico. A proposta foi refletir sobre como a presença cristã pode se tornar mais significativa nos ambientes digitais.

“A Igreja nos convida a discernir sobre a IA e não a rejeitar a tecnologia; ela é um meio e não a missão em si. Devemos questionar como ela pode ser usada com responsabilidade para a evangelização, enquanto permanece fiel à doutrina da Igreja. A IA gera, mas apenas os seres humanos criam, porque somos feitos à imagem e semelhança de Deus”, disse a Irmã Nancy Usselmann.

Uma resposta com esperança e responsabilidade

Já no segundo dia, o foco esteve na construção de uma resposta inspirada no carisma paulino diante da inteligência artificial. Com o tema “Esperança, responsabilidade e testemunho”, o encontro aprofundou a dimensão ética e espiritual do uso dessas tecnologias.

Os participantes foram convidados a pensar não apenas em “como” usar a IA, mas no “para quê” e “para quem”, reforçando a necessidade de uma atuação que promova a dignidade humana e o bem comum.

“Estamos formando uma resposta paulina à IA. Afinal, ser evangelizadores digitais exige de nós consciência do poder da IA e das necessidades atuais da humanidade. Devemos desenvolver a sabedoria digital para proteger a criatividade e a dignidade humana, além de defender a verdade. Para isso, há uma ferramenta paulina que nos ajuda a discernir sobre o uso da IA: é a “IA Mindfulness”. Ela traz uma abordagem que vai além do consumo passivo da IA; o método nos guia a um ciclo de consciência, análise, reflexão e ação”, acrescenta a Irmã Nancy.

Caminhos para o discipulado digital

Mais do que apresentar respostas prontas, o workshop reforçou a importância de um discernimento contínuo diante das mudanças tecnológicas. A iniciativa evidenciou que o discipulado digital exige formação, escuta e abertura para aprender constantemente.

Com tradução simultânea em português, espanhol e italiano, o encontro ampliou o alcance da reflexão e fortaleceu a dimensão internacional da missão, mostrando que, mesmo em contextos diversos, o desafio é comum: comunicar a fé de forma autêntica no ambiente digital.

 

Leia também

- Inteligência Artificial e as relações humanas

- Inteligência artificial por todos os lados

- Estamos ficando mais “burros” na era digital?

- Conversas com a inteligência artificial: o uso do ChatGPT para falar de emoções

- DMCS 2026 | O humano no centro da comunicação

- DMCS 2026 / O encontro real em tempos de comunicação rápida

DMCS 2026 | Inteligência artificial a serviço da liberdade de espírito: o desafio do discernimento

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites