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Comunicação

Formação e treinamento de equipes de Pastoral da Comunicação (Pascom)

Foto: Arte Paulinas

Para atingir seus objetivos, toda equipe precisa de formação e treinamento que consiste em conhecer com profundidade e de forma progressiva o objeto de seu trabalho. Mas não basta conhecer. É preciso amar de paixão o que se faz.

E em se tratando de um assunto que diz respeito à ação da Igreja, o conhecimento e o amor se sustentam pela espiritualidade que é o seguimento de Jesus Cristo comunicador do Pai. Ele é o Caminho para que a equipe trabalhe com discernimento e planeje estrategicamente para obter resultados tanto no interno da comunidade como nas ações que precisam ser incisivas na sociedade.

Entende-se por Pastoral uma ação organizada e planejada, inserida na comunidade eclesial. Em se tratando da área da comunicação, envolve o diálogo entre fé e cultura no interior da comunidade e, sobretudo, com a sociedade. A comunicação é aqui entendida como processo relacional que envolve o ser humano nas relações consigo mesmo, com o outro, com a sociedade.

O fundamental na Pascom é acreditar. Acreditar e estar convencidos de que é possível comunicar-nos entre nós, articular pessoas e obter resultados no campo da evangelização. Por isso, antes de qualquer consideração sobre a formação e o treinamento de pessoas, importa trazer algumas ideias chaves ou paradigmas que estão no horizonte desta missão.

O documento Comunhão e progresso (CP), número 11, coloca o modelo primordial de comunicação na pessoa de Jesus Cristo, comunicador do Pai, que “pela Encarnação faz-se semelhante àqueles que haviam de receber a sua mensagem; mensagem que comunicava com as palavras e com a vida. Não falava como que ‘de fora’, mas ‘de dentro’ a partir do seu povo”. 

Outro modelo para os comunicadores e comunicadoras de hoje é o Apóstolo Paulo, o primeiro evangelizador da cultura nos inícios do Cristianismo.

E não se pode esquecer de Maria, a Mãe do Verbo, que encarnou em si a Palavra de Deus e comunicou o Verbo da Vida. Ela a quem o bem-aventurado Alberione chama de “Editora de Deus” e o documento de Aparecida, n. 266, caracteriza como “interlocutora do Pai em seu projeto de enviar seu Verbo ao mundo”.

Foto: Pexels

Fortes razões solidificam o “ser e atuar” das equipes da Pascom. Daí a importância de ter um conhecimento amplo no campo da comunicação e em outras áreas, para ter condições de dialogar com as pessoas na sua diversidade, tanto as que participam da comunidade quanto e, sobretudo, as que estão afastadas.

Alguns pontos fundamentais para a formação e o treinamento das equipes

Importa ter presente os quatro eixos que o Diretório de Comunicação da Igreja do Brasil aponta na organização da Pastoral da Comunicação: a espiritualidade, a formação, a produção e a articulação. 

1. Formação. Conhecer o que é a Pascom , o que a Igreja diz em seus documentos específicos na área da comunicação em nível nacional, de América Latina e Vaticano. Conhecer a história da Igreja na Comunicação. Muitas são as publicações, estudos acadêmicos realizados sob diversos olhares. Conhecer o que diz o documento Aparecida nos números 484 a 490, onde, pela primeira vez, a Igreja chama de Pastoral da Comunicação.

E uma grande contribuição é do papa João Paulo II, na carta Redemptoris missio, sobre a missão, n. 37ª, quando caracteriza os meios de comunicação como “areópagos” para o anúncio do Evangelho, quando fala que não basta multiplicar a mensagem da Igreja, mas é preciso entrar nesta nova cultura. No Brasil, a Assembleia Geral dos Bispos foi sobre comunicação, cujas conclusões estão no documento da CNBB  59 “Igreja e comunicação rumo ao novo milênio” e o “Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil” (2014).

2. Amar a Pastoral da Comunicação e dedicar-se a ela. Apaixonar-se pela dimensão comunicacional do ser humano e da Instituição. O conhecimento e o amor fazem romper as barreiras e resistências de quem não acredita, não acha necessária ou não conhece e ainda se pergunta se é preciso a Pascom na Igreja, dificultando sua articulação. Muitas são as dificuldades que os coordenadores e coordenadoras enfrentam e só um grande amor e a consciência de que estamos num “areópago” não deixa desanimar.

3. Formar uma equipe de algumas pessoas, ainda que sejam três ou quatro para começar. Os Estudos das CNBB, n. 75, sugerem algumas características para as lideranças, na tentativa de traçar um perfil do agente da Pascom: capacidade de escuta e diálogo, ser aprendiz permanente, visibilidade/ testemunho, amor e paixão pela comunicação, vibrar pela missão, ser capaz de interagir com a diversidade, ter criatividade na busca de soluções.

4.  Articular a Pascom com as demais pastorais e com o contexto social. Trabalhar a interação com as pastorais fazendo circular as informações pelos diversos meios existentes: jornal, rádio, TV, internet com suas possibilidades, Assessoria de Imprensa.

5. Cultivar a espiritualidade e um novo olhar aberto às mudanças de linguagem e atento às mudanças culturais. Pode haver a tendência de um olhar comunicativo “para dentro”, sem preocupar-se com a dimensão missionária que a Pascom tem na sociedade.

6. Cultivar o discernimento. Na relação com a sociedade, o mundo e o mercado perguntar-se sempre: o que muda e o que permanece. Por isso, antes de planejar é preciso refletir, discernir para ter estratégias adequadas e coerentes com o Evangelho e o pensamento da Igreja.

7. Planejar estrategicamente a Pascom – ação no interno da comunidade e em relação com a sociedade – fora. Muitos são os métodos de planejar que podem ser utilizados. A visão estratégica no planejamento é saudável e ajuda muito. É bom inspirar-se no documento Aetatis Novae que dá os elementos para bem planejar, bem como o curso indicado abaixo.

Este caminho é dinâmico e precisa de pessoas que sintam em si o carisma da comunicação, que exercitem a autoliderança e sintam o desejo de crescer sendo discípulos (as) missionários (as) hoje, despertando e cultivando uma mentalidade cristã e de diálogo, nesta sociedade midiática em que vivemos.

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Helena Corazza pertence à Congregação das Irmãs Paulinas, jornalista, doutora em Ciências da Comunicação pela USP, escritora, coordenadora de cursos no SEPAC (Serviço à Pastoral da Comunicação), co-autora do livro “Pastoral da Comunicação, diálogo entre fé e cultura” e “Espiritualidade do comunicador”, Paulinas - SEPAC, entre outros. 

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