Artigos
Artigos

Fraternidade e Moradia: A revolução solidária que leva água e dignidade ao sertão

Foto: Magnific

Nesse ano de 2026, quando a temática da Campanha da Fraternidade é Fraternidade e moradia, é interessante notar o quanto a Diocese de Juazeiro da Bahia já fez e faz na sua luta solidária para melhorar as habitações do povo, às vezes construindo casas, às vezes reformando, às vezes construindo anexos que melhoram a qualidade das habitações. 

A força da união e das políticas públicas

Esse trabalho é realizado muitas vezes em parceria com organizações da sociedade civil. São várias etapas, em processo com outros estados do Semiárido, com tantas entidades vinculadas na Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), até que tenha se transformado em uma política pública e ganhado escala em todo o território do Semiárido Brasileiro. 

Foto: Magnific

O começo de tudo: A semente do "Adote uma Cisterna" 

Tudo começou com o programa Adote uma Cisterna, em 1988, nosso trabalho pioneiro nesse campo, iniciativa dessa Diocese, simultaneamente com a Diocese de Ruy Barbosa, quando nos propúnhamos o desafio ousado de que “até 2004 nenhuma família sem água” no território diocesano. 

Do sertão para o Brasil: O milagre do 1 milhão de cisternas 

Porém, o que não imaginávamos é que, em 1999, reunida no Recife para a Conferência da Desertificação, a Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), inspirada nesse lema, iria propor o Projeto Um Milhão de Cisternas (P1MC) para consumo humano, para todo o território do Semiárido Brasileiro, depois ampliado para o Projeto Uma Terra e Duas Águas (P1+2) como tecnologia para produção.

Foto: Magnific

Hoje, menos de 30 anos depois, a sociedade civil organizada na ASA praticamente já pode celebrar essa conquista. É o “milagre da gota d'água”, mas é também o “milagre da criatividade e da solidariedade organizadas”. Hoje, aproximadamente 1 milhão de famílias já tem sua cisterna no Semiárido, e isso significa que 4 milhões de pessoas passaram a ter uma água mais sadia para beber e 250 mil famílias têm uma tecnologia de água para produzir, desde que as cisternas sejam bem cuidadas e que sejam observadas as prescrições técnicas pelas famílias. 

Tudo começou com o financiamento da OXFAM para 50 cisternas, no município de Campo Alegre de Lourdes, na região da Malhada. Ali já descobríamos que tínhamos o “ovo de Colombo” para resolver o problema da sede humana no interior do Semiárido Brasileiro. 

Foto: Magnific

Números que transformam vidas

Hoje a realidade do território diocesano é essa: o Adote uma Cisterna construiu 2.349 cisternas em todo o território diocesano. A Sociedade de Ações Educativas, Sociais e Tecnológicas (SAET) construiu 5.528 cisternas. A paróquia de Campo Alegre de Lourdes construiu ou reformou 1.796 casas e construiu 1.784 cisternas. A Articulação no Semiárido Brasileiro (ASA), pelas mãos de seus parceiros, construiu 15.879 cisternas de beber e produzir. 

Evangelho na prática: a fé que se faz ação

Indo pelo espírito do evangelho de Mateus no capítulo 25, “eu não tinha casa e você me ajudou a ter uma habitação”, é sempre uma evangelização lembrar que as necessidades humanas fazem parte do coração do evangelho e não são uma dimensão secundária como tantos e tantas querem fazer crer. A fé sem obras continua morta. Quem ora com o coração e as mãos está no Reino de Deus. 

Esse é um trabalho sério que ajudou a elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em todo território diocesano. Temos muito que caminhar, mas é longa a estrada já percorrida.

 

Leia mais

Cisternas, o “Ovo de Colombo” no Semiárido Brasileiro

Site Desenvolvido por
Agência UWEBS Criação de Sites