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Dor intensa, ardência na pele e lesões avermelhadas que surgem de forma localizada. Esses são alguns dos sinais mais conhecidos do herpes zoster, uma infecção viral que ainda gera muitas dúvidas. A seguir, respondemos às principais perguntas sobre a doença, com orientações do dr. Paulo Roberto Abrão Ferreira, chefe da disciplina de Infectologia da Unifesp.
1. O que é o herpes zoster?
O herpes zoster é uma infecção causada pelo mesmo vírus da catapora, o vírus varicela-zoster. Quem teve catapora na infância não elimina completamente o vírus do organismo.
“Após a cura da catapora, o vírus permanece alojado no sistema nervoso, principalmente em neurônios da medula espinhal”, explica o infectologista. Ao longo da vida, quando ocorre uma queda da imunidade, esse vírus pode ser reativado, manifestando-se como herpes zoster.

O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações segundo o dr. Paulo Roberto Abrão Ferreira, chefe da disciplina de Infectologia da Unifesp. Foto: Divulgação
2. Por que ele causa tanta dor?
Diferentemente de outras infecções de pele, o herpes zoster atinge primeiro os nervos e, depois, a pele da região correspondente.
“O vírus compromete uma região específica de nervos, causando inflamação intensa, e depois surgem as lesões cutâneas”, afirma o médico. Essa inflamação explica a dor forte, muitas vezes descrita como queimação ou choque, que pode anteceder o aparecimento das bolhas.

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3. Quais são os principais sintomas?
O quadro costuma começar com dor localizada em apenas um lado do corpo. Em seguida, surgem lesões avermelhadas com pequenas bolhas (vesículas).
Segundo o dr. Paulo Roberto, o diagnóstico é clínico: “Muita dor em uma região do corpo, seguida do aparecimento de vesículas e lesões avermelhadas, é a principal característica da doença”. Além da dor, pode haver coceira, formigamento e desconforto intenso.

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4. O herpes zoster é contagioso?
Sim, há risco de transmissão enquanto existirem vesículas ativas. Por isso, é indicado adotar medidas de isolamento e precauções respiratórias, especialmente para proteger pessoas com imunidade baixa.
Cobrir as lesões, manter rigorosa higiene das mãos e evitar proximidade com gestantes, idosos mais frágeis e indivíduos imunossuprimidos são cuidados fundamentais durante esse período.
5. Existe prevenção?
A prevenção é possível por meio da vacinação. “A varicela pode ser prevenida na infância com a vacina, e o próprio herpes zoster pode ser prevenido com vacinas específicas”, explica o médico.
Atualmente, a vacina contra o herpes zoster é indicada principalmente para pessoas acima dos 50 anos. Ela ainda não está disponível no SUS, mas pode ser encontrada em clínicas privadas.

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6. Quando procurar ajuda médica?
Ao suspeitar da doença, é fundamental buscar atendimento médico o quanto antes.
“O diagnóstico precoce permite iniciar antivirais e medicamentos para controle da dor, reduzindo o risco de complicações”, destaca o especialista. Uma das principais complicações é a neuralgia pós-herpética, uma dor crônica que pode persistir por meses ou até anos, comprometendo seriamente a qualidade de vida.
Orientação final
Apesar de, na maioria dos casos, não ser uma doença grave, o herpes zoster pode ser extremamente doloroso e incapacitante. Informação, prevenção e tratamento precoce fazem toda a diferença.
“Conhecer a doença, saber preveni-la e procurar auxílio médico ao primeiro sinal são atitudes essenciais”, reforça o infectologista.
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