Foto: Viviani Moura, fsp
A Igreja Católica reuniu, na tarde de 12 de novembro, cerca de 500 lideranças do Brasil e de outros países para o Simpósio Internacional – Igreja Católica na COP30, em Belém (PA). Em meio à Conferência do Clima, o encontro buscou reforçar a urgência da conversão ecológica, da justiça climática e do cuidado com a vida, marcando uma das principais contribuições da Igreja no processo preparatório para a COP30.
O simpósio integrou a caminhada das pré-COPs realizadas nas cinco macrorregiões brasileiras, que recolheram escutas, reflexões e propostas de comunidades, pesquisadores, povos originários e pastorais. A programação contou com representantes de várias conferências episcopais do mundo, além de lideranças científicas, políticas e indígenas.
Chamado ao cuidado da criação
No vídeo, Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB e do CELAM, fala sobre o compromisso da Igreja no Brasil com a Amazônia e a ecologia integral durante o Simpósio Internacional da Igreja na COP30, em Belém (PA).
Dom Jaime enfatizou que o compromisso com a paz passa inevitavelmente pela defesa da vida e do planeta:“Se deseja uma paz autêntica é preciso cuidar da terra, da criação e educar para isto. Cito o Papa Leão: ‘Se por um lado, nestes tempos difíceis, a atenção e a preocupação da comunidade internacional parece concentrar-se principalmente nos conflitos entre as nações, por outro lado, cresce também a consciência de que a paz é ameaçada também pela falta de respeito pela Criação, pela pilhagem dos recursos naturais e pelo progressivo declínio da qualidade de vida devido às alterações climáticas’.”
Dom Jaime ressaltou ainda que respostas meramente técnicas não dão conta do tamanho da crise. Para ele, é preciso abrir espaço para a sabedoria dos povos originários e das comunidades tradicionais, propondo uma mudança profunda no modo de habitar o mundo.
“As soluções para a crise ambiental não podem ser reduzidas a ajustes técnicos ou financeiros, se faz necessário, creio, integrar por exemplo, as cosmovisões e práticas dos povos originários, das comunidades ribeirinhas, etc. Eles nos convocam a resistir ao consumismo e a reduzir o supérfluo. Em outras palavras, conversão", afirmou o presidente da CNBB.
Ele recordou que o planeta é casa comum, e que o modo de viver deve ser continuamente repensado à luz da ética e da fé.
“Precisamos colocar, sim, o cuidado da vida no centro de nossas opções e decisões. Não podemos fazer média com aquilo que se denominou a cultura da morte. Nós todos somos chamados a ser sementes de esperança de um futuro novo. Para tanto, precisamos de homens e mulheres capazes de pautar suas escolhas pela ética e a partir de nossa visão da fé. Homens e mulheres que respeitam e promovam a alteridade, homens e mulheres de fé. Eu diria, necessitamos também de estadistas”.
Crise climática e responsabilidade pública
No vídeo abaixo, Dom Leonardo Steiner, cardeal da Amazônia, fala sobre a missão e o compromisso da Igreja na região amazônica.
Na coletiva de imprensa concedida antes do evento, o arcebispo de Manaus, Cardeal Dom Leonardo Steiner, comentou as recentes decisões do Congresso Nacional.
Foto: Viviani Moura, fsp
“Quando falamos em governo, não estamos pensando apenas no Executivo e também não no Judiciário. Talvez no Brasil nós estamos passando por momentos extremamente difíceis no Legislativo. Com a aprovação da PEC da destruição, nós vemos por onde andam os nossos deputados e senadores, deputadas e senadoras. E, para isto, a Igreja marca presença, ela busca, ela dialoga, ela propõe e não se cala.”
Ele lembrou que a Igreja manifestou-se oficialmente contra a proposta:“Diante da PEC da destruição, nós, como Igreja, não nos calamos, a Igreja, inclusive soltou uma nota bem significativa, porque nós não podemos concordar com aquilo que está acontecendo, especialmente, no legislativo.”
Magistério do Papa e dimensão espiritual da crise
O núncio apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, reforçou que, para o Papa Francisco, a mudança climática não é apenas uma questão técnica, mas um desafio espiritual e moral que atravessa toda a humanidade. Ele recordou a Laudato Si’, que afirma que toda abordagem ecológica é também necessariamente social.
Painel e caminhada dos mártires
O encontro também abriu espaço para reflexões interdisciplinares e inter-religiosas. Entre os participantes estiveram a bispa Marinez Bassotto (IEAB), o indígena Kleber Karipuna (APIB), a ecóloga Ima Vieira, o Cardeal Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e o primeiro Cardeal da Amazônia. O painel teve a mediação de Dom Vicente Ferreira, Bispo de Livramento de Nossa Senhora (BA) e presidente da Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração.
Foto: Viviani Moura,fsp
Ao final do simpósio, os participantes seguiram em procissão na Caminhada pelos Mártires da Casa Comum, que recordou homens e mulheres que defenderam a Amazônia e seus povos. A caminhada encerrou-se na Basílica de Nazaré, onde foi celebrada a Eucaristia presidida pelo Cardeal Jaime Spengler.
Leia também
COP30 e os livros para um futuro sustentável: histórias, saberes e ações pelo planeta.
