A caminhada pelos mártires da “Casa Comum”, paralela à COP30, homenageou vítimas de violência na defesa do meio ambiente, entre elas Ir. Dorothy Stang (segunda à esquerda). Foto: Viviani Moura,fsp
A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, realizada no Portal da Amazônia, na cidade de Belém (PA), revisou metas, discutiu políticas de redução de emissões e avaliou o avanço das ações nacionais diante da crise climática.
Conhecida como a COP da Floresta, ela ocorreu no coração da Amazônia e, de forma simbólica e necessária, evidenciou a urgência de proteger esse bioma, dando visibilidade à força e às vozes daqueles que nele resistem e o defendem.
Diante de um evento de alcance global realizado no coração da Amazônia, torna-se indispensável recordar a trajetória de uma de suas maiores mártires: a religiosa Dorothy Stang — o “Anjo da Amazônia”, missionária norte-americana assassinada em 2005 a mando de fazendeiros.
Em 2025, quando se completam 20 anos de seu assassinato, sua memória ressurge com ainda mais força. Dorothy entregou a vida — e o próprio sangue — à defesa da floresta e de seus povos, tornando-se referência na luta por justiça socioambiental.
Em Anapu, no sudoeste do Pará, onde viveu por mais de duas décadas, enfrentou grileiros para proteger agricultores familiares e garantir os direitos das comunidades rurais, compromisso que marcou profundamente seu legado.
A trajetória de Irmã Dorothy permanece profundamente entrelaçada com a defesa dos povos da floresta, vínculo que continua vivo no trabalho de quem conviveu com ela e herdou seu compromisso.
É o caso de Felício Pontes Junior, Procurador da República junto ao Ministério Público Federal, em Belém, e assessor da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam), que foi amigo próximo da missionária. Hoje, ele segue atuando nas mesmas frentes que Dorothy defendia com coragem: a proteção das comunidades tradicionais, dos povos originários e da própria Amazônia.
“A fala da Dorothy ecoa em meu ouvido o tempo todo, em cada situação que eu vivo. Ela ecoa de uma maneira muito forte, apontando o caminho”, recorda Felício, emocionado. Ele também relembra as últimas palavras da missionária: “No final, Felício, nós vamos vencer.”
No vídeo abaixo, o Procurador - Regional da República destaca como o legado de Irmã Dorothy permanece vivo, inspirando aqueles que seguem na defesa da justiça socioambiental.
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