
O que faz a Doutrina Social da Igreja? Ultimamente, fala-se muito dela quando se refere a Leão XIV e seu antecessor, Leão XIII.
(Wanda - Tocantinópolis - TO)
Sempre se pensou e refletiu, na Igreja, sobre a Doutrina Social. Na verdade, Jesus Cristo se comunicou sempre a partir da vida concreta de seu tempo. Alguns papas, devido às realidades do tempo em que viviam, se expressaram mais, como Leão XIII, com a Rerum Novarum (1891), São João XXIII com a Mater et Magistra (1961) e a Pacem in terris (1963); São Paulo VI com a Populorum Progressio (1967) e o decreto Apostolicam actuositatem (1965), São João Paulo II com a Sollicitudo Rei Socialis (1987) e a Centesimus annus (1991).
Os textos da Doutrina não se limitam apenas a expor acontecimentos ou a investigar as causas. Os documentos tomam a realidade histórica como algo que deve ser transformado por exigências éticas. Apresentam orientações para a ação, não a partir de uma filosofia ou ideologia política, mas a partir dos valores éticos, morais e religiosos. Apelam a fundamentos evangélicos, a orientações cristãs, baseadas na lei do amor.
Trata-se de uma lei que é muito mais do que isso, porque é baseada na lei do amor.
Jesus Cristo referiu-se a isto no Sermão das Bem-Aventuranças que o Papa Francisco abordou numa série de nove catequeses, concluídas em 29 de abril de 2020. (cf. Vatican.news). Também no capítulo 3 da exortação apostólica Gaudete et exsultate, sobre o chamado à santidade no mundo atual.
Como a Igreja propõe a Doutrina Social
A Doutrina Social vê as realidades históricas à luz da Revelação.
O Papa São Paulo VI, no Decreto Apostolicam actuositatem, lembra que:
“A vontade de Deus com respeito ao mundo é que os homens, em boa harmonia, edifiquem a ordem temporal e a aperfeiçoem constantemente.
Todas as realidades que constituem a ordem temporal - os bens da vida e da família, a cultura, os bens econômicos, as artes e profissões, as instituições políticas, as relações internacionais e outras semelhantes, bem como a sua evolução e progresso - não só são meios para o fim último do homem, mas possuem valor próprio, que lhes vem de Deus, quer consideradas em si mesmas, quer como partes da ordem temporal total: “e viu Deus todas as coisas que fizera, e eram todas muito boas” (Gn 1, 31). Esta bondade natural das coisas adquire uma dignidade especial pela sua relação com a pessoa humana, para cujo serviço foram criadas. Finalmente, aprouve a Deus reunir todas as coisas em Cristo, quer as naturais quer as sobrenaturais, “de modo que em todas Ele tenha o primado” (cf. Cl 1, 18). (AO,7).
E São João XXIII, na encíclica Pacem in terris,de 1963, afirma:
Como todos sabem, aos 26 de junho de 1945, foi constituída a Organização das Nações Unidas (ONU). A ela juntaram-se depois organizações de âmbito especializado, compostas de membros nomeados pela autoridade pública das diversas nações. A estas instituições estão confiadas atribuições internacionais de grande importância no campo econômico, social, cultural, educacional e sanitário. As Nações Unidas propuseram-se como fim primordial manter e consolidar a paz entre os povos, desenvolvendo entre eles relações amistosas, fundadas nos princípios de igualdade, de respeito mútuo, de cooperação multiforme em todos os setores da atividade humana. (PT 141).
E é o Papa Francisco, na Gaudete et Exsultate, que faz uma bela síntese:
"Poder-se-ia pensar que damos glória a Deus só com o culto e a oração, ou apenas observando algumas normas éticas (é verdade que o primado pertence à relação com Deus), mas esquecemos que o critério de avaliação da nossa vida é, antes de mais nada, o que fizemos pelos outros. A oração é preciosa, se alimenta uma doação diária de amor. O nosso culto agrada a Deus, quando levamos lá os propósitos de viver com generosidade e quando deixamos que o dom lá recebido se manifeste na dedicação aos irmãos” (GE 104).
Então, o Papa Leão XIV lembra Leão XIII pelo nome e pela preocupação com a aplicação da Doutrina Social da Igreja na realidade de hoje.
