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Maria sempre é uma figura fundamental para a fé cristã, sendo a primeira discípula de Jesus, a primeira a receber o Espírito Santo, a profetisa da esperança! Maria também foi escolhida como o ícone da sinodalidade, porque nela resplandecem os traços de uma Igreja sinodal, missionária e misericordiosa. “Nela contemplamos a figura da Igreja que escuta, reza, medita, dialoga, discerne, decide e age. De Maria aprendemos a arte da escuta e da atenção à vontade de Deus.”

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Assim, para melhor contemplarmos Maria como ícone da sinodalidade, escolhemos para refletir o texto de Lucas 1,39-56, no qual retrata a visitação de Maria a Isabel e, de forma especial, o belo cântico do Magnificat. A narrativa lucana diz que, após o anúncio do nascimento de Jesus, Maria vai apressadamente para a casa do casal Isabel e Zacarias, que também estão grávidos.
Esse é o encontro carregado da manifestação da ação de Deus na história. É nessa circunstância que Maria canta seu hino de louvor. Nele, agradece a Deus por seu agir na história de Israel até o envio de seu Filho, Jesus Cristo.
O canto começa proclamando a grandeza do Senhor, ao sintetizar as maravilhas que Ele realizou em Maria e a misericórdia divina, que abarca toda a História, todo o tempo (sempre) e toda a humanidade (de geração a geração).

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Maria apresenta o motivo de seu louvor a Deus: seu olhar para sua humildade. Essa expressão remete à anunciação e reafirma a atitude dessa mulher, totalmente disponível ao dom de Deus.
Maria é a representante tanto dos pobres do Senhor, que são aqueles que colocam a sua confiança em Deus, por acreditarem em sua gratuidade, como de Israel, resgatado por Deus ao enviar o Messias, manifestando a sua potência e misericórdia.
Maria elenca três categorias vistas de forma negativa: os soberbos, os poderosos e os ricos. Para o evangelista, os soberbos são aqueles que não têm uma justa relação com Deus por terem a pretensão de serem superiores; não reconhecem seus pecados; não aceitam a soberania divina, nem se abandonam totalmente à sua graça. A arrogância está enraizada na sede da vida intelectual, emocional e da vontade. Eles são incapazes de reconhecer Deus como Criador e Senhor.
Os poderosos são aqueles que possuem autoridade política e econômica. No Evangelho segundo Lucas, são os que se comportam inadequadamente com o outro, explorando-o e dominando-o (Lc 22,25-26). Por isso, se contrapõem aos humildes, que estão totalmente a serviço do outro.
Os ricos, embora seja um termo do campo social, mostram a relação imprópria com os bens (Lc 12,16-21; 16,13). Essas três categorias sintetizam a atitude daqueles e daquelas que não se abrem à misericórdia de Deus. Também são pessoas que têm dificuldade em viver a sinodalidade.
Por fim, reforça a relação existente entre Deus e Israel, que é uma relação de Aliança. Eles unem a misericórdia, a promessa dada aos pais, a Abraão e à sua descendência, e recordam uma história marcada pela fidelidade de Deus.

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Essa história tem o seu ápice na entrega de seu Filho, que conduzirá a História à sua plenitude. Nota-se também a relação entre Maria e Abraão: do mesmo modo que, por meio da fé, Abraão torna-se o pai de todos, servo de Deus, e com ele se inicia a Antiga Aliança entre Deus e Israel, também por Maria, que ao crer na promessa do anjo, torna-se a fiel filha de Abraão, serva de Deus, a mãe de todos nós, no seguimento de Jesus, a discípula fiel, nossa irmã na caminhada. Com ela, portanto, começa a nova e definitiva aliança entre Deus e todas as nações.
Maria, portanto, é o ícone da sinodalidade, pois dela “recebemos o testemunho da obediência à Palavra, da sensibilidade diante das necessidades dos pobres, da coragem de pôr-se a caminho, do amor que serve, do louvor que se eleva no Espírito. A ação da Igreja no mundo é como que um prolongamento da solicitude de Maria” (São Paulo VI, DF 31).
Pausa para refletir
• Como a visitação e o Canto do Magnificat podem nos ajudar a compreender Maria como ícone da sinodalidade?
• Como Maria pode nos ajudar a avaliar nosso processo de sinodalidade, de forma especial na sinodalidade como profecia social?
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