
Cartaz do Mês Missionário. Imagem: Site das Pontifícias Obras Missionárias (POM)
Outubro é o Mês Missionário, e neste ano o tema é “Missionários da esperança entre os povos” com o lema “A esperança não decepciona” (Rm 5,5), em sintonia com o Jubileu da Encarnação de Jesus Cristo.
Entre os eventos significativos desse mês, no calendário jubilar, destacam-se os jubileus: do mundo missionário; dos migrantes (dias 4 e 5); da Vida Consagrada (dias 8 e 9); da Espiritualidade Mariana (dias 11 e 12); dos Ciganos e Caminhantes (dia 18); das equipes sinodais e dos órgãos de participação (dias 24 e 26); e do Mundo Educativo (de 27/10 a 2/11). Há também jornadas dedicadas à promoção da santidade.
Neste mês, a Carta aos Romanos nos convida a mergulhar nos capítulos 12 e 13, que falam da vida cristã como testemunho de esperança. São capítulos cheios de exortações: não como ordens, mas como conselhos para viver a fé no cotidiano. De fato, pela fé somos redimidos, mas como viver essa redenção no dia a dia? O autor responde: assumindo nosso batismo. Para isso, é preciso discernir o que é bom, agradável e perfeito (Rm 12,1-3); viver a unidade na diversidade dos carismas (vv. 3-8); viver como cristãos (vv. 9-21); não se vingar, mas amar o próximo como a si mesmo (Rm 13,8-10) e nos revestir da vida nova (Rm 13,11-14).
Ser uma oferenda agradável a Deus (Rm 12,1-2)
Rm 12,1-2 introduz toda a exortação, funcionando como fio condutor que orienta as diversas exortações éticas desta seção (Rm 12–15).
O autor chama aqueles a quem exorta de “irmãos”, colocando-se em relação de irmandade com eles. Evoca “as compaixões de Deus”, expressão importante porque fundamenta o agir ético na misericórdia de Deus, e não no mero cumprimento de preceitos. Em seguida, exorta a oferecer seus corpos como oferenda, que recebe três qualificativos: “vivente, santa e agradável a Deus”. A finalidade é realizar o que Cristo fez: entregou sua vida pela humanidade.

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Nesses dois versículos, destaca-se a linguagem cultual, pois somos convidadas e convidados a oferecer nossos corpos como oferenda, isto é, viver uma vida litúrgica, uma vida entregue. Essa oferenda é chamada de “culto racional” (Rm 12,1). Esse “culto racional” não se refere ao aspecto intelectual, mas à capacidade de discernir a vontade de Deus e assumir sua mentalidade. Isso exige conversão, uma mudança de mentalidade (v. 2).
O sacrifício deve ser “vivente”: refere-se à vida cotidiana sustentada pela fé no ato salvífico de Deus por meio do mistério pascal de Cristo. Ele é “santo”: expressão do processo de santificação ao se deixar conduzir pelo Espírito Santo. É “agradável a Deus”: torna-se mediação entre Deus e a humanidade. Assim, o autor indica que toda a nossa vida é doação constante e consagração a Deus.
Na sequência, evoca o discernimento da vontade de Deus. Mas o que é a vontade de Deus? O que seria bom, agradável e perfeito? Essas perguntas são respondidas ao longo da exortação de Rm 12,3–13,14, passando das relações comunitárias — marcadas pelo amor e pela valorização dos carismas dentro do corpo eclesial — às relações externas e ao acolhimento de todos na comunidade, respeitando o processo de cada um (a).
Unidade em Cristo e diversidade de carismas (Rm 12,3-21)
A primeira exortação é que cada um tenha de si uma justa estima e não se valorize acima do que convém. A medida é a fé recebida de Deus (Rm 12,3). Em seguida, compara a comunidade a um corpo (cf. 1Cor 12,12-27): um só corpo, mas com muitos membros, cada qual com sua função. Assim, introduz a categoria de corpo eclesial ao falar da comunidade. Somos corpo porque comungamos do mesmo Corpo do Senhor, entregue na Eucaristia, e porque vivemos em Cristo após o batismo, ao mergulharmos no mistério pascal.

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Ao formarmos um só corpo em Cristo, os membros são membros uns dos outros. A relação não é apenas entre cada membro e Cristo, mas também entre os fiéis entre si (Rm 12,4-5). A diversidade se manifesta nos diferentes carismas, conforme a graça concedida a cada um: profecia, ministério, ensino, exortação, partilha, presidência, misericórdia. São dons que se complementam e estão a serviço da comunidade.
Esse culto também se expressa nas relações comunitárias, ao exortar a abandonar o orgulho e a arrogância, viver a solidariedade, praticar o bem e fortalecer-se pela oração. Em resumo: amar sem hipocrisia, ter empatia com o próximo, alegrar-se com quem se alegra e estar presente no sofrimento dos outros. Destaca-se também a hospitalidade: acolher não apenas em casa, mas no coração, sobretudo os que pensam de forma diferente, bem como os pobres, marginalizados e descartados, seja na comunidade, seja na sociedade. Outra exortação tem como foco a empatia: alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram (Rm 12,15).
Seguem-se outras recomendações (vv. 16-20): não se vingar, fazer o bem, viver em paz e perdoar. Essas atitudes valem não apenas na convivência comunitária, mas em toda relação cotidiana. Por fim, apresenta o amor como plenitude da lei, convidando a amar o próximo como a si mesmo (Lv 19,18), pois o outro é nosso irmão, um ser humano como nós (Rm 13,8-10). Neste Mês Missionário, Rm 12–13 nos interpela a sermos missionários e missionárias da esperança por meio do testemunho cristão, ou seja, da humanização das relações.
Pausa para refletir
1. O que significa ser uma oferenda viva, santa e agradável a Deus na comunidade?
2. Como me alegro com os que se alegram e choro com os que choram na comunidade?
3. O que significa viver o que afirmamos: “somos um só corpo em Cristo” (Rm 12,5)?
4. Quais exortações de Rm 12,9-21 me desafiam na vivência cotidiana?
5. O que significa ser missionária ou missionário da esperança entre os povos?
Em 1926, o Papa Pio XI instituiu o Dia Mundial das Missões, que é celebrado no terceiro domingo de outubro. Para ler a Mensagem do Papa Francisco para o 99º Dia Mundial das Missões 2025 na íntegra, acesse aqui.
