Vocação Paulina

O apostolado da edição: onde a comunicação se transforma em esperança

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Passagem da imprensa às edições, um caminho de esperança

Antes de abordar o tema da esperança no texto Apostolado da Imprensa ou da Edição, é importante situar os dois títulos: Apostolado da Imprensa, na primeira edição, e O Apostolado da Edição, nas edições sucessivas. Essa é uma obra preciosa do Bem-aventurado Tiago Alberione, pois trata das orientações para um novo apostolado1.

A primeira ideia não era fazer um livro, mas sim um “manual de orientações” para a formação dos apóstolos e apóstolas da imprensa e da edição. O texto teve três edições, e em cada uma delas foram acrescentadas atualizações referentes à compreensão desse novo apostolado.

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Comparando os dois textos Apostolado da Imprensa e O Apostolado da Edição, constata-se que Alberione era consciente de duas grandes verdades: as pessoas estavam se distanciando de Deus e a Igreja tinha necessidade de instrumentos mais adequados e eficazes para a evangelização. O mundo necessitava de meios e métodos modernos.

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Mas para poder andar com os tempos, era necessária uma organização da Igreja à altura dos tempos, que pudesse competir com a indústria cultural dos meios de comunicação que estava se desenvolvendo rapidamente. Assim, o conceito “edição” expande a compreensão do apostolado para além da imprensa e inclui o cinema, o rádio e a televisão2

A imprensa como púlpito, sinal de esperança para a evangelização! 

Em O Apostolado da Edição, constata-se a forte convicção de Alberione de ver esses meios como o novo espaço de pregação. Ele equipara o púlpito às folhas de um livro, a um filme ou a um microfone.  

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O ministro de Deus tem uma única missão: evangelizar. Para isso, pode servir-se dos meios de comunicação social, que são como o púlpito que está dentro da Igreja. As palavras editadas e o púlpito da Igreja comunicam uma única doutrina, um único programa: a evangelização com os novos meios e com novos apóstolos, designados por Alberione como os apóstolos e apóstolas da imprensa3

O Apostolado da Imprensa, no pensamento alberioniano, compreende a comunicação da verdade, segundo a doutrina católica e a Tradição, em formato impresso. Com o avanço da ciência, ele inclui o formato da imagem, do som, das artes, da música, e tudo o que o progresso humano vier a criar pode ser transformado em “púlpito”, de onde o Evangelho pode ser proclamado.

Bem-aventurado Tiago Alberione. Foto: Site alberione.org

A força das edições, nos tempos modernos, ultrapassa a da escola e a do púlpito dentro da Igreja, pois alcança as pessoas onde elas estão, especialmente aquelas que já não procuram a pregação na Igreja. Assim, as edições se tornam um caminho de retorno a Deus4

A extensão e a eficácia dessa descoberta do gênio humano são agora bem conhecidas e nunca pararam de crescer. Hoje, as edições podem ser comparadas ao grande volume de conteúdos distribuídos nas redes sociais, um espaço de grande esperança para o apostolado da Família Paulina.

Uma família de novos apóstolos (as) para a evangelização 

Alberione insiste que não basta alcançar as pessoas com conteúdos, ainda que sejam os melhores. O apóstolo (a) da edição precisa estudar as principais necessidades espirituais e morais das pessoas e das populações, para depois escrever e divulgar, do púlpito da imprensa e de outros meios, não só o que agrada às pessoas, mas tudo aquilo necessário para favorecer a iluminação da mente, da vontade e do coração5

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Tudo começou em Cristo Eucaristia, de onde nasceriam os novos apóstolos para que “sanassem as leis, a escola, a literatura, a imprensa, os costumes, que usassem bem os novos meios de comunicação6.

Essa nova compreensão de apóstolos (as) e apostolado inspirou o Pe. Alberione a dar início à Família Paulina com a fundação da Sociedade de São Paulo (Padres e Irmãos Paulinos) e das Filhas de São Paulo (Irmãs Paulinas). Posteriormente, ele deu continuidade à sua Família, com a fundação de mais três Congregações femininas: Irmãs Discípulas do Divino Mestre, Irmãs de Jesus Bom Pastor, Irmãs Apostolinas e mais quatro Institutos agregados à Sociedade de São Paulo e uma Associação de Cooperadores Paulinos. 

Essa nova Família de apóstolos e apóstolas de Jesus Cristo é um sinal de esperança para a humanidade que se renova sobre a face da terra e que, a cada tempo, carece de novos métodos de evangelização. O método é o próprio Jesus, Caminho, Verdade e Vida, como Ele mesmo se apresenta (cf. Jo 14,6).

Ele é o princípio, o meio e a meta da nova evangelização com os meios de comunicação social7. Por isso, Alberione afirma: “Na Igreja, da mesma forma que  se perpetua a presença real de Jesus Cristo na Eucaristia e a sua autoridade mística nos ministros sagrados, perpetua-se também sua missão divina na propaganda da boa imprensa8

 Evangelizar com a comunicação, sinal de esperança para a Igreja

Alberione vê no uso dos meios de comunicação um chamado de Deus 9para uma nova forma de evangelização. Os meios de comunicação, especialmente a imprensa no seu tempo, seguidos do rádio, do cinema e da televisão, constituem uma nova vocação na Igreja.  

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A luz da esperança se amplia quando se pensa naqueles que já não iam à Igreja e que poderiam descobrir ou redescobrir o caminho da fé, conhecendo, amando e seguindo Jesus e seu Evangelho, por meio do anúncio com as novas tecnologias. Pode-se dizer que o verdadeiro autor do apostolado da imprensa é o próprio Deus, pois foi Ele quem o inspirou, ordenou e protegeu em todos os tempos10.

A importância da formação e do conteúdo. O apóstolo e a apóstola da edição, além de uma vocação especial, necessitam de uma formação genérica e específica; a genérica refere-se à formação integral com o envolvimento da pessoa toda, na mente, na vontade e nos sentimentos.

Além dessa formação, é necessária a preparação específica, com o conhecimento teórico-prático do apostolado11. Alberione ressalta que a mensagem cristã precisa ser transmitida com clareza, qualidade e fidelidade à doutrina da Igreja, pois o apostolado da edição se propõe a tornar conhecidas as verdades da fé12.

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 Por trás da potência dos meios, Alberione relaciona a esperança com a confiança na providência divina, ressaltando que a missão de evangelizar com os meios de comunicação exige fé na ação de Deus e perseverança diante dos desafios. Logo, a fé e a esperança são a motivação que sustenta os comunicadores católicos, chamados a superar os obstáculos financeiros, tecnológicos e sociais para levar a mensagem cristã a todos os povos.

A evangelização com o apostolado da edição e suas marcas de esperança

A esperança que Alberione apresenta em O Apostolado da Edição é a virtude teologal que se manifesta em ações concretas e orienta todo o apostolado: 

  • A formação espiritual e intelectual dos comunicadores cristãos é elemento fundamental para que poderem transmitir uma mensagem carregada de esperança e autenticidade.
  • A imprensa católica deve ser um instrumento de esperança, promovendo conteúdos que edifiquem a sociedade e ofereçam respostas às inquietações espirituais da humanidade.
  • A resiliência dos comunicadores diante das adversidades, confiando que Deus provê os meios necessários para a missão.
  • A oração e a vida sacramental são essenciais para alimentar a esperança daqueles que se dedicam ao apostolado da imprensa.
  • A missão da imprensa católica não é apenas informar, mas também formar e transformar vidas, transmitindo sempre uma visão esperançosa e cristocêntrica da realidade.

Em síntese, a obra O Apostolado da Edição revela que a esperança não é apenas um tema a ser comunicado, mas o próprio espírito que deve animar todos aqueles que utilizam a mídia como instrumento de evangelização.

Bem-aventurado Tiago Alberione. Foto: Site alberione.org

A visão de Alberione continua sendo referência para a Igreja Católica. Ele foi o profeta da esperança e nós, sua família de seguidores, queremos anunciar a todos: “Cristo é a nossa esperança. Ele é a boa notícia para este mundo!”. 

 

Referências

1Cf. Tiago Alberione, O Apostolado da Edição, Introdução, pp. 7, 9, tradução em português: Paulus 2012.    
2Idem, pg. 11
3Idem, n. 29
4Idem, n. 455
5Idem, n. 383 (no original italiano).
6Alberione, Abundantes Divitiae Gratiae suae, Società San Paolo, Casa Generalizia 1998.
7Tiago Alberione, O Apostolado da Edição, tradução em português, nn. 38-41; 157–158, Paulus 2012.Idem, n. 383.
8Idem, n. 383.
9Idem, nn. 50-52; 54.
10Idem, n. 134.
11Idem, nn. 64,65.
12Idem, n. 104.

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