
Foto: Envato
Sentir-se segura para sair de casa, caminhar pelas ruas, utilizar o transporte público ou voltar para casa à noite ainda é um desafio para muitas mulheres. É o que mostra a pesquisa Segurança das mulheres: percepção da sociedade brasileira sobre a violência, realizada pelos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, com apoio da Uber. Segundo o levantamento, 94% das brasileiras afirmam se sentir inseguras diante da violência no dia a dia.
A sensação de insegurança também aparece em diferentes espaços da cidade. Entre as entrevistadas, 42% dizem não se sentir nada seguras em pontos de ônibus e estações, enquanto 33% têm a mesma percepção dentro do transporte público. Em bares, festas e baladas, 41% afirmam não se sentir nada seguras.

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Para Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, esses números mostram que a relação das mulheres com a cidade é marcada pela necessidade de avaliar riscos constantemente. “As mulheres ocupam a cidade de modo condicional: a presença delas no espaço público depende de avaliação de risco”, afirma.
Medo que limita escolhas
A insegurança não fica restrita à sensação de medo. Ela também interfere em decisões cotidianas. De acordo com a pesquisa, 62% das mulheres já mudaram hábitos de lazer para evitar situações de violência e 58% deixaram de frequentar lugares de que gostavam. Mais da metade (56%) já preferiu utilizar algum meio de transporte em vez de caminhar, mesmo quando o destino era próximo.

“Avaliar riscos o tempo todo mantém o corpo e a mente em estado de alerta", afirma Vera Vieira, diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão. Foto: Divulgação
O impacto chega também ao trabalho e aos estudos: 45% afirmam já ter deixado de aproveitar alguma oportunidade nessas áreas por causa do medo da violência.
Para Vera, essas mudanças representam mais do que adaptações na rotina. “A pesquisa mostra que o medo altera escolhas concretas: lazer, lugares frequentados, oportunidades de estudo e trabalho e até a moradia”, explica.
A pesquisa aponta ainda que 78% das mulheres entrevistadas já sofreram pelo menos um tipo de violência. Entre as formas investigadas, a violência psicológica aparece com destaque.

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Estratégias de proteção
Diante da insegurança, 98% das brasileiras afirmam adotar pelo menos uma estratégia para reduzir riscos no cotidiano. Evitar determinados locais é a medida mais citada por 90% das entrevistadas. Outras atitudes incluem não compartilhar informações pessoais ou localização nas redes sociais (88%), avisar alguém sobre seus deslocamentos e horários (83%) e evitar sair à noite (83%).
Para Vera, a necessidade de manter uma atenção constante pode afetar também o bem-estar. “Avaliar riscos o tempo todo mantém o corpo e a mente em estado de alerta, o que pode gerar cansaço, ansiedade e prejuízo ao sono”, afirma.

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A pesquisa também ouviu as mulheres sobre medidas que poderiam contribuir para tornar os espaços mais seguros. Ampliar canais de denúncia e apoio às vítimas é considerado importante por 95% das entrevistadas. Melhorar a infraestrutura das cidades, incluindo transporte público, iluminação e espaços públicos, aparece com 93%.
Mais do que mudar trajetos ou horários, a busca por segurança revela o quanto o medo interfere na liberdade de escolha das mulheres. Tornar os espaços públicos mais seguros também significa ampliar as possibilidades de circulação, convivência, trabalho e lazer.
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