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O Papa: comunicar com o coração em um tempo de contrastes

Reflexão sobre a Mensagem do Papa Francisco para o 57º Dia Mundial das Comunicações Sociais

 

Reflexão feita por Silvonei José Protz, jornalista da Rádio Vaticano responsável pelo Portal Vatican News. Foto: Regional Sul 2 da CNBB

"O apelo a falar com o coração desafia radicalmente o nosso tempo, tão propenso à indiferença e à indignação", escreve o Papa Francisco em sua Mensagem para o 57º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que este ano tem como tema: "Falar com o coração. De acordo com a verdade na caridade". É forte o convite para ir contra a corrente e apoiar as aspirações de paz, seguindo o exemplo de São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas.

"No contexto dramático de conflito global que estamos vivendo, é urgente afirmar uma comunicação não hostil. Precisamos de comunicadores envolvidos na promoção do desarmamento integral e comprometidos em desmantelar a psicose da guerra que se esconde em nossos corações".

Foto: Pixabay.com

Essa é uma passagem extremamente atual da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2023, que este ano será celebrado no domingo, 21 de maio. O Papa se dirige especialmente aos trabalhadores da comunicação, mas observa que o compromisso com a comunicação "de coração e braços abertos" é responsabilidade de todos.

A dinâmica de "comunicar-se cordialmente”

O tema está idealmente conectado ao tema de 2022, que pedia para escutar, e ao tema precedente, que exortava para "ir e ver" como condições para uma boa comunicação.

Desta vez, o Papa quer se concentrar em "falar com o coração". O coração é, de fato, o que leva à acolhida, ao diálogo e à partilha, desencadeando uma dinâmica que Francisco define como a de "comunicar cordialmente".

Foto: Pexels.com

Acolher o outro é o que torna possível, depois de escutar, "falar seguindo a verdade do amor". Ele escreve: “Não devemos ter medo de proclamar a verdade, por vezes incômoda, mas de o fazer sem amor, sem coração”. 

Com efeito, o programa do cristão – como escreveu Bento XVI – é um coração que vê. Trata-se de um coração que revela, com o seu palpitar, o nosso verdadeiro ser e, por essa razão, deve ser ouvido.

Isto leva o ouvinte a sintonizar-se no mesmo comprimento de onda, chegando ao ponto de sentir no próprio coração também o pulsar do outro. Então pode ter lugar o milagre do encontro.

Falar com o coração significa permitir um vislumbre de participação "nas alegrias e nos medos, nas esperanças e nos sofrimentos das mulheres e dos homens de nosso tempo", diz o Papa.

É um apelo que desafia particularmente aqueles que se comunicam em um contexto atual "tão propenso à indiferença e à indignação, às vezes até com base na desinformação, que falsifica e instrumentaliza a verdade".
 

 

Silvonei José Protz, jornalista, doutor em comunicação e professor universitário em Roma. Jornalista da Rádio Vaticano responsável pelo Portal Vatican News. Dirige uma equipe de jornalistas que produz programas em Língua Portuguesa para 400 emissoras brasileiras e que chegam a mais oito países, entre eles Angola e Moçambique.

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