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O perigo das imagens geradas por inteligência artificial

O papa está na moda? O caso da foto do papa usando uma jaqueta fashion demonstra o risco das imagens manipuladas. Saiba identificá-las

 

Foto: Pexels.com

Há algumas semanas, uma imagem do papa Francisco usando uma jaqueta descolada viralizou nas redes sociais e causou burburinho. O papa estaria antenado com as tendências da moda?

Teve quem criticou e quem chegou a elogiar o “trabalho do estilista do Vaticano”. No entanto, a foto não é verdadeira, ela foi criada através de uma ferramenta de inteligência artificial que permite conceber imagens hiper-realistas a partir de uma descrição textual.

Para entender o que aconteceu temos que aprender sobre manipulação de imagens, textos plagiados, fake news, imagens falsas, inteligência artificial (IA) e a ferramenta do momento, o chatGPT. Esmiuçamos esses termos na matéria “Inteligência artificial por todos os lados”, que aborda os riscos e as oportunidades da IA. Confira!

Como identificar?

O caso da foto do papa demonstra que as imagens geradas por IA são praticamente perfeitas e passam pelo crivo humano como verdadeiras. Segundo a líder do Grupo de Pesquisa em Direito e Inovação Tecnológica da PUCPR (Pontifícia Universidade Católica do Paraná), Patrícia Eliane da Rosa Sardeto, nós, humanos, vamos precisar nos educar para desenvolver uma maior sensibilidade e senso crítico ao ler uma notícia, ao ver uma imagem e ao compartilhar um post, pois nem tudo é o que parece.

Patrícia Eliane da Rosa Sardeto, líder do Grupo de Pesquisa em Direito e Inovação Tecnológica da PUCPR. Foto: Divulgação

“Infelizmente o que poderia ser considerado uma grande oportunidade em relação à internet e à IA no que diz respeito ao acesso à informação de forma democrática, ampla e transparente, tem se tornado um risco, gerando desinformação, caos e polarização de ideias. Tecnicamente, apenas uma IA consegue detectar uma imagem criada por outra IA. Humanamente, somos capazes de desconfiar e checar se uma notícia, um post ou uma imagem é falsa ou verdadeira e, na maioria das vezes, não leva mais do que cinco minutos”, afirma.

De olho nos detalhes 

Ninguém está livre de ser enganado por uma imagem gerada por IA, mas é possível seguir alguns passos para detectar imagens falsas.

Muitas adulterações em imagens podem ser identificadas com ações simples, como procurar por inconsistências visíveis na imagem (iluminação, sombras ou tamanho que não combinam com o resto da cena retratada) ou ainda fazer uma busca reversa no Google (vá na página de busca de imagens, clique no botão de câmera e submeta a imagem que deseja conferir).

Foto: Pexels.com

“Existem também ferramentas mais sofisticadas, disponíveis na internet, que permitem detectar manipulações nas imagens. No caso de fake news alguns cuidados são fundamentais: leia a notícia por inteiro e no caso de dúvida, busque na internet pela manchete ou palavras-chave para saber o que encontra a respeito. Quando a informação for de agência oficial ou órgão do governo, vá direto ao site oficial para conferi-la. Outra dica é prestar atenção à URL (link) da notícia, pois aparentemente parece verdadeira e oficial, mas normalmente contém números e caracteres que direcionam a um site falso”, orienta Patrícia Sardeto.

Por fim, utilize as agências de checagem existentes no Brasil, disponíveis no painel de checagem de fake news do Conselho Nacional de Justiça .

Numa época em que o ato de copiar e colar não parece errado, é sempre bom lembrar que copiar algo e não citar a fonte é crime de plágio conforme o artigo 184 do Código Penal. Trata-se de uma atitude antiética, que deve ser esclarecida e reforçada por pais, professores e profissionais, nos mais diversos ramos de atuação. 

“A educação para a ética deve voltar a ter seu papel de destaque na formação escolar de crianças e adolescentes, pois cada vez mais a internet oferece ferramentas que possibilitam a manipulação de imagens, adulteração de textos e trabalhos plagiados, de forma que o agir ético evitaria uma série de situações indesejadas”, finaliza Patrícia Sardeto.

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